A violência contra a mulher não é frescura, não é modismo e não pode servir de escada para candidatos subirem aos palanques em período de campanha eleitoral.

Não, senhoras e senhores, essa é uma doença extremamente agressiva que acomete os povos de todos os países do Globo. Cada um deles faz o enfrentamento desse comportamento absurdo do seu jeito: alguns mais preocupados, outros nem tanto. Outros, ainda, nem consideram que isso seja uma anomalia.

Levados pelo desejo de minimizar as coisas, alguns podem argumentar que a violência é generalizada, ou seja, contra homens, mulheres, jovens, idosos, crianças, etc; e que, por essa razão, não é viável o direcionamento das ações da Justiça à determinada parcela da sociedade. Isso faria sentido se o discurso nunca precisasse ser confrontado com a prática. Porém, não é isso que acontece no mundo real. No nosso dia a dia, assistimos estarrecidos aos milhares de assassinatos de mulheres, vítimas de homens, seus ex-maridos, ex-namorados, ex-companheiros. Portanto, é uma questão específica, um hábito macabro, muitas vezes “motivado” pelo término da relação.

Assim sendo, temos que analisar o fato e tentar entender o que pode acontecer para desencadear tanta maldade e egoísmo. Realmente não é fácil ficar sem a pessoa amada, pode beirar o insuportável, em muitas situações; mas, se o motivo é de fato tão somente esse, ou seja, se isso causa total descontrole no homem, por que a atitude contrária é tão rara de se ver? Por que essa mesma dor dilacerante não impulsiona as mulheres abandonadas pelos seus maridos, namorados, companheiros a cometerem o mesmo crime? A diferença entre o número de homens assassinados por ciúme e o de mulheres mortas por esse mesmo motivo é abissal.

Várias teorias já tentaram explicar esse fenômeno social, mas nenhuma foi eficiente em trazer respostas, soluções efetivas para, pelo menos, minimizar essa mancha vergonhosa que paira sobre as nossas cabeças desde há muito tempo. Filosofar pode ser uma coisa linda de se fazer, mas, quando se trata de milhares de vidas ceifadas, precisamos mesmo é de pessoas prontas para agir. Como disse São Gregório (Papa Gregório I), “Não é sábio para mim quem é apenas sábio nas palavras, mas quem é sábio nas ações”. Estou contigo, Gregório, e não abro!

O que fazer, então? Agir! Agir de todas formas, cercar o problema de todos os lados: na educação em casa, por meio de conselhos, de exemplos; na educação nas escolas, como disciplina obrigatória (a não-violência contra ninguém, com ênfase na crueldade da violência do mais forte fisicamente contra o mais fraco); nas políticas públicas; nas políticas de iniciativa privada; no ambiente de trabalho; nas comunidades religiosas; nas leis de proteção, com a certeza de punição; no auxílio psicológico; e tantas outras mais.

A ministra Damares Alves, na cerimônia da “Campanha de Enfrentamento à Violência contra a Mulher”, lançada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM), anunciou que várias dessas ações já estão em andamento. O resultado desse esforço de vários organismos será analisado daqui a alguns meses, e saberemos quais soluções foram mais eficientes e quais precisam de aperfeiçoamento. Entre essas ferramentas, algumas merecem destaque por serem de impacto mais prático.

A partir de janeiro de 2020, todas as delegacias do Brasil terão condições de atender também as vítimas de violência doméstica, e para isso serão capacitados agentes de segurança e delegados.

O Conselho Federal de Medicina firmou acordo de parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para treinar 400 mil médicos, para que estes possam identificar se o paciente está sendo vítima de violência doméstica.

Também há o Programa “Salve uma Mulher”, para capacitar diversas categorias de profissionais para lidar com essa situação e, principalmente, orientar a vítima a procurar proteção nos órgãos competentes. Estão envolvidos os profissionais da Saúde, da Defensoria Pública da União, dos Conselhos Tutelares e até dos Correios e Telégrafos.

É de se pensar que todo ato acarreta uma consequência. Nos relacionamentos afetivos, estamos sempre sujeitos a ter que lidar com uma possível perda. Ninguém está a salvo disso, mesmo porque, ninguém é obrigado a continuar um relacionamento na base do dever ou da força. Quando o pior acontece, devemos fazer uma análise de nossas atitudes, o que podemos mudar em nós mesmos. É muito mais produtivo do que tentar achar defeitos no outro e acusá-lo para triunfar com uma estúpida argumentação vencedora. Isso não recupera o sentimento que se foi e não nos faz crescer, amadurecer e ter alguma chance de um bom relacionamento futuro.

Por outro lado, não estou aqui para dar conselhos matrimoniais, mas vai aí uma boa dica para a vida, principalmente, àqueles que parecem viver em um universo paralelo: críticas construtivas, bem fundamentadas e para o bem de todos são muito proveitosas; mas fofoquinha, xingamento, piadinha de baixo nível (que agrada apenas a seres primitivos) não deveriam ser pronunciados nem em botequim, muito menos aceitos por editores sérios.

Gogol, para Vida Destra, 26/11/2019.

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Nia Lucas
Nia Lucas
10 meses atrás

A violência contra a mulher é real, é cultural apesar de errônea e parte dela é culpa das mulheres também, (vamos assumir nós mulheres, nossa parcela de culpa nisso), pois são elas que têm mais tempo com os filhos/as até uma certa idade e podem educá-los/as pelo exemplo, exigindo respeito de seu companheiro, não se submetendo a agressões ainda que verbais, e ensinando o respeito a todo ser humano.
Abraços!