Segundo Paul Romer, norte americano agraciado com o Prêmio Nobel de Economia em 2018, o aumento da produtividade e da riqueza, diferentemente do passado, tem como fator de produção fundamental, atualmente, não o capital, o trabalho e a terra, os quais possuem rendimentos decrescentes ao longo do tempo; mas o conhecimento, derivado do processo educacional, ou capital humano, do qual pode se obter rendimentos crescentes. Vive-se hoje na chamada “Sociedade do Conhecimento” em que a educação de qualidade é determinante para o sucesso individual, de grupos, de regiões e de países.

A educação é associada a diversos benefícios privados e sociais. Esses benefícios não se limitam a seus efeitos sobre produção e crescimento econômico. Outros benefícios de uma população educada incluem maior participação política e melhorias na área da saúde. A educação também tem papel importante em questões relacionadas à distribuição de renda via mercado de trabalho. Tais temas são mais do que pertinentes e atuais em países como o Brasil, cujos indicadores educacionais são insuficientes, em termos comparativos, quando se observam, por exemplo, os resultados do Programme for International Students Assessment  (OCDE, 2013), conhecido como PISA, em que os estudantes brasileiros tem obtido, geralmente, os últimos lugares. Esses resultados geram ainda mais repercussão quando se considera estimativas de que, aproximadamente, um terço da expressiva desigualdade de renda, observada no país, deve-se a diferenças educacionais. Além disso, há o importante valor dado à educação per se, o que não pode ser confundido com seu papel instrumental em termos de crescimento, redução da desigualdade, formação de sólidos valores cívico-morais, melhoria da saúde, do bem estar, além de outras externalidades.

A literatura enfatiza o papel primordial dos primeiros anos da infância no desenvolvimento de aspectos cognitivos e não cognitivos cruciais para o desempenho no mercado de trabalho e na distribuição de oportunidades. Entretanto, isso não significa que outros níveis de ensino como o ensino fundamental, o ensino médio e o ensino superior não sejam importantes. Com relação a esse último, os benefícios recebidos por conta de escolarização nesse nível de ensino são expressivos em termos de produtividade e salários, assim como se percebe a existência de importantes benefícios não monetários. Os retornos crescentes do conhecimento, que parecem existir para a educação em geral, também valem para o ensino superior.

Outros benefícios importantes relacionados ao assunto envolvem a sua conexão com inovação tecnológica, uma área de especial interesse na Ciência Econômica, pois o progresso técnico é considerado vital para o crescimento da economia. Na questão da inovação tecnológica, as modernas teorias do crescimento econômico divergem.  A abordagem neoclássica considera este fenômeno como sendo exógeno, isto é, como sendo externo ao sistema econômico. Por outro lado, a Nova Teoria do Crescimento Econômico ou Teoria do Crescimento Endógeno trata o avanço tecnológico como sendo o resultado do investimento em capital humano (conhecimento) e, portanto, como resultante de escolhas feitas, conscientemente e consistentemente, pelos agentes econômicos. Os modelos econômicos de Paul Romer e Robert Lucas, outro ganhador do Prêmio Nobel de Economia, em 1985, enfatizam o conhecimento como fator importante para o crescimento econômico no longo prazo. Embora o conhecimento para a inovação não seja adquirido apenas em instituições de ensino superior, não se pode ignorar o papel fundamental das universidades na formação de pessoal capacitado para trabalhar em áreas inovadoras, bem como a importância da pesquisa tecnológica dentro dessas instituições.

Na sociedade atual, o ensino superior, de modo geral, e a Universidade, de modo particular, tem um papel fundamental como centros especiais de produção de conhecimento e de capital humano de alta qualificação, que são elementos decisivos na criação de novos produtos, processos e serviços. A moderna universidade, elemento central dos sistemas de ensino superior, com seus múltiplos departamentos e ampla gama de áreas de estudo, de pesquisa, de produção de conhecimento e de inovação, é um símbolo que, no imaginário social, sintetiza aquilo de que é capaz uma determinada sociedade em termos de progresso. O próprio ingresso na universidade é visto tal qual um rito de passagem, um passaporte para a ascensão econômica e social dos indivíduos. A maioria dos candidatos ao ensino superior busca o diploma universitário como meio de ascensão social e não apenas para seguir uma carreira acadêmica ou por aprimoramento pessoal proporcionado pelo conhecimento.

Assim, dada a importância da educação ressaltada nessas breves linhas acima, quero registrar aqui, neste dia 15 de outubro, minhas congratulações aos professores no Brasil, desde a educação pré-escolar à pós graduação, que fazem jus a este nome. A todos os professores que não fazem doutrinação ideológica e partidária nas salas de aula, pervertendo suas funções, e trazendo caos e confusão às mentes ainda em formação de seus pupilos, mas que estão, verdadeiramente, empenhados em transmitir conhecimentos efetivos e úteis baseados na ciência aos seus alunos, que possibilitarão a estes se tornarem profissionais qualificados e competentes, o que irá impulsionar o desenvolvimento econômico e social de nossa nação, meu sincero reconhecimento!

 

Livio Oliveira
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