FAKE NEWS: quando a divulgação de notícias falsas bate a nossa porta (ou tela) **

**Texto escrito durante a leitura da grande obra de Cristian Derosa: Fake News – Quando os
Jornais Fingem Fazer Jornalismo. Editora Estudos Nacionais.

O livro do autor Cristian Derosa é fundamental para o entendimento do fenômeno das fake news. Abaixo, descrevo uma breve introdução sobre o assunto baseada nessa obra indispensável.

Desde sempre a divulgação das notícias e das ideias nelas contidas foram atribuições de grupos poderosos, detentores dos meios para sua divulgação. Entretanto o que vemos hoje é cada vez mais uma cruzada de desqualificação de tudo aquilo que vai contra ao propagado pelos meios oficiais, sendo precocemente chamado de fake news, com o objetivo de manter toda a credibilidade no establishment midiático.

Recentemente, as notícias falsificadas ganharam sua “versão politicamente orientada”. O que querem nos fazer acreditar, hoje, é que tudo que é conservador ou de direita é classificado como fake news, como se apenas os velhos meios de comunicação fossem donos da “verdade suprema”.

Historicamente, com o advento da criação imprensa (a primeira grande revolução da divulgação das informações), já observamos grande impacto que a padronização e a rapidez no compartilhamento das ideias poderiam ter na vida humana. Nunca foi tão fácil e prático ler grandes obras, clássicos até então indisponíveis se tornaram parte do dia-a-dia, e deixaram de ser exclusividade de uma classe falante de poderosos e clericais, passando ao alcance de mais e mais pessoas.

Mas como nem tudo são rosas, a mesma informação que chegava para instruir, chegou também muitas vezes na contramão, para desinformar, o que tornou muitos reféns das mesmas elites que já não se contentavam em perder seu poder e dominação, elite essa que sempre propagou ideias pelo pleno domínio da palavra e dos seus meios de divulgação. Cabe lembrar aqui, que as informações precisam desde a Antiguidade de um meio para fluir. No passado recente eram impressas em sua maioria, já hoje trafega livremente entre páginas e mais páginas da internet, em rede sociais diversas. Tais meios, por mais que pareçam, não são gratuitos, eles pertencem a grandes grupos que emprestam seus nomes como fonte de credibilidade para os fatos compartilhados. O que não se espera é o uso de tal credibilidade como pano de fundo de interesses mas, lamentavelmente, é o que na maioria das vezes acontece.
Vários fatores contribuíram para a classe de intelectuais e jornalistas migrassem para uma “bolha de ideologia” que os distanciou do grande público. Vivendo de forma alheia ao povo e seus valores, numa distância cada vez maior (e que só vem aumentando diga-se de passagem), os jornalistas, editores e colunistas seguiram seus professores acadêmicos em teses utópicas revolucionárias, e acabaram se tornaram os piores inimigos das liberdades.

É ingenuidade acreditar que as fake news surgem e são divulgadas diretamente das telas das “tias do WhatsApp” circulando a margem da grande mídia, antes disso, ela tem seu fundamento propagado pela mesma grande mídia falante, ou seja, se a mentira existe ela é coisa de grandes grupos que possuem interesses por traz de tais divulgações. O internauta que divulga tais fatos é apenas “o meio” nesse ambiente hostil. Em resumo, quem divulga em primeira mão via de regra as fake news, são os meios mais tradicionais e ditos confiáveis da mídia.

Por outro lado, o que essa grande mídia tem feito para frear a livre circulação de ideias na rede?

Ela justifica que que sua ação está no campo de evitar que notícias falsas se propaguem, mas na verdade o que está em risco para ela é o da mudança da narrativa consagrada. Hoje as pessoas não dependem desses meios para se manterem informadas. O jornalismo da forma que vemos hoje está morrendo, mas ele é grande e rico o suficiente para não cair sem antes lutar, e é o que tem feito o tempo todo. As esquerdas se aliaram aos donos do capital e hoje já não possuem força para bradar contra seus patrões. A única coisa que podem fazer é culpar um inimigo imaginário, que, no entanto, é o espelho de seu modus operandi: o rótulo de fake news. Os boatos sempre existiram, mas anteriormente era feito um jogo de levantar um assunto ou fato relevante, e na sequência, a própria mídia fazia seu contra ponto revelando a verdade, o problema é que hoje esses meios de comunicação não têm credibilidade para isso. As mentiras podem tentar seguir seu caminho e ter vida própria, o ditado que de possui pernas curtas, entretanto nunca foi tão válido: elas podem caminhar, ter vida própria, mas final da linha a verdade a alcança, a ultrapassa e em muitas vezes a sobrepõe, se impondo com tamanha propriedade que só resta aos mentirosos irresignação, ódio e rancor.

O autor resume, portanto, que não são necessários manuais de redação e que a busca da verdade é algo intransferível e está acima de regrinhas básicas. Fica a dica de um livro indispensável!

Fábio Alves, para Vida Destra, 02 de setembro de 2019.

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