Declaração ocorre após testes de mísseis realizados por ambos os países

 

SEUL, Coreia do Sul (AP) – A poderosa irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, criticou nesta quarta-feira (15), o presidente da Coreia do Sul e ameaçou uma “destruição completa” das relações bilaterais, depois que os dois países testaram mísseis balísticos com horas de intervalo.

Os lançamentos de mísseis ressaltaram um retorno das tensões entre os rivais, em um momento em que as negociações para retirar a Coreia do Norte de seu programa nuclear estão paralisadas.

A irmã de Kim, Kim Yo Jong, criticou o presidente sul-coreano Moon Jae-in pelos comentários que fez enquanto observava os testes de mísseis em seu país, incluindo o primeiro de um míssil balístico lançado a partir de um submarino. Moon disse que a capacidade crescente de mísseis da Coréia do Sul servirá como uma “dissuasão segura” contra as provocações norte-coreanas.

Os testes aconteceram horas depois que militares sul-coreanos e japoneses disseram que a Coréia do Norte havia disparado dois mísseis balísticos contra o mar.

Em um comunicado divulgado pela mídia estatal, Kim repreendeu Moon por descrever as demonstrações de armas norte-coreanas como uma provocação, e alertou sobre uma “destruição completa” das relações bilaterais, se ele continuar com o que ela descreveu como calúnia contra a Coreia do Norte.

Ela disse que a Coreia do Norte está desenvolvendo suas capacidades militares de autodefesa sem ter como alvo um país específico, e que a Coreia do Sul também está aumentando suas capacidades militares. A Coreia do Norte frequentemente acusa o Sul de hipocrisia por introduzir armas modernas, enquanto pede por negociações para aliviar as tensões entre os países divididos.

“Se o presidente se juntar à calúnia e difamação (contra nós), isso será seguido por contra-ações, e as relações Norte-Sul serão empurradas para uma destruição completa”, disse ela. “Nós não queremos isso”.

Os militares sul-coreanos e japoneses disseram que os dois mísseis balísticos de curto alcance disparados pela Coreia do Norte voaram 800 quilômetros (500 milhas) antes de cair no mar, dentro da zona econômica exclusiva do Japão – um desenvolvimento preocupante, embora não tenham alcançado as águas territoriais japonesas. A última vez que um míssil norte-coreano caiu naquela zona foi em outubro de 2019.

Os lançamentos aconteceram dois dias depois que a Coréia do Norte disse ter disparado um míssil de cruzeiro recém desenvolvido, em seu primeiro teste de míssil conhecido em seis meses.

Horas depois dos últimos lançamentos norte-coreanos, a Coreia do Sul relatou seu primeiro teste de um míssil balístico lançado a partir de um submarino. Enquanto Moon e outros oficiais observavam, o míssil voou de um submarino e atingiu um alvo designado, informou o escritório de Moon. Porém não foi revelada qual a distância que o míssil percorreu.

Especialistas dizem que a Coréia do Norte está construindo seus sistemas de armas para aplicar pressão sobre os Estados Unidos, na esperança de obter alívio das sanções econômicas destinadas a forçar o Norte a abandonar o seu arsenal nuclear. As negociações lideradas pelos Estados Unidos sobre o assunto estão paralisadas há mais de dois anos.

“A Coreia do Norte está tentando comunicar a mensagem de que as coisas não sairão como Washington deseja, se não aceitar as demandas do Norte”, disse Moon Seong Mook, analista do Instituto de Pesquisas para Estratégia Nacional da Coreia, com sede em Seul. Ele disse que a Coréia do Norte pode achar que agora tem uma oportunidade de obter concessões do governo do presidente Joe Biden, enquanto está envolvido em um debate doméstico após a retirada caótica do Afeganistão.

Observadores dizem que o governo de Moon, que tem buscado ativamente a reconciliação com a Coréia do Norte, pode ter agido para parecer mais duro em resposta às críticas de que é muito brando com o Norte.

As nações rivais ainda estão tecnicamente em estado de guerra, desde a Guerra da Coréia de 1950-53, que colocou o Norte e a sua aliada China contra o Sul e as forças da ONU lideradas pelos EUA, e terminou em um armistício, não em um tratado de paz.

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse que os lançamentos norte coreanos “ameaçam a paz e a segurança do Japão e da região e são absolutamente ultrajantes”.

O Comando Indo-Pacífico dos EUA disse que o teste norte-coreano “destaca o impacto desestabilizador do programa de armas ilícitas (da Coreia do Norte)”, embora tenha dito que não representa uma ameaça imediata para os EUA.

Os lançamentos norte-coreanos representam uma violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que proíbem a Coreia do Norte de se envolver em qualquer atividade de mísseis balísticos. Mas o conselho normalmente não impõe novas sanções quando o Norte lança mísseis de curto alcance, como os de quarta-feira.

Os testes de quarta-feira ocorreram enquanto o Ministro de Relações Exteriores chinês, Wang Yi, estava em Seul para reuniões com Moon e outros oficiais seniores, para discutir a Coréia do Norte e outras questões.

É incomum para a Coreia do Norte fazer lançamentos provocativos quando a China, seu último grande aliado e maior provedor de ajuda, está envolvida em um grande evento diplomático. Mas alguns especialistas dizem que a Coreia do Norte pode ter aproveitado o momento para chamar atenção extra.

Kim Dong-yub, professor da Universidade de Estudos da Coréia do Norte em Seul, disse que os testes de quarta-feira pareciam ser de uma versão aprimorada de um míssil de curto alcance testado em março. Ele disse que a arma provavelmente foi modelada nos mísseis russos Iskander, projetados para voar em altitudes relativamente baixas, tornando-os mais difíceis de serem interceptados por sistemas de defesa antimísseis.

A comunidade internacional quer que a Coreia do Norte abandone seu programa nuclear e há muito usa uma combinação de ameaça de sanções e promessa de ajuda econômica para tentar influenciar o Norte. Mas as negociações estão paralisadas desde 2019, quando o governo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a demanda do Norte por uma maior retirada de sanções em troca do desmantelamento de uma antiga instalação nuclear.

O governo de Kim Jong Un até agora rejeitou as aberturas do governo Biden para o diálogo, exigindo que Washington abandone primeiro o que chama de políticas “hostis”. Mas a Coréia do Norte manteve sua moratória autoimposta sobre testes nucleares e de mísseis de longo alcance, um sinal de que pode não querer destruir completamente a possibilidade de reabrir as negociações.

Em 2017, a Coreia do Norte afirmou ter adquirido a capacidade de golpear o continente americano com armas nucleares, após realizar três testes de mísseis balísticos intercontinentais e seu teste nuclear mais poderoso. Nos últimos anos, ela também realizou uma série de testes de mísseis lançados debaixo d’água, o que os especialistas dizem ser um desenvolvimento preocupante porque essas armas são difíceis de detectar e dariam à Coreia do Norte capacidade de ataque retaliatório.

A Coreia do Sul, que não possui armas nucleares, está sob a proteção do “guarda-chuva nuclear” dos Estados Unidos, o que garante uma resposta devastadora dos Estados Unidos em caso de ataque a seu aliado. Mas a Coreia do Sul tem acelerado os esforços para construir suas armas convencionais, incluindo o desenvolvimento de mísseis mais poderosos.

Especialistas dizem que os avanços militares da Coréia do Sul têm como objetivo melhorar sua capacidade de ataques preventivos, e de destruir as principais instalações e bunkers norte-coreanos. Além do míssil lançado por submarino, a Coreia do Sul também testou um míssil lançado de uma aeronave.

 

*Esta notícia pode ser atualizada a qualquer momento.

*Fonte: Associated Press

 

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