Confesso que todo este artigo poderia ter sido resumido em apenas uma frase: um Zé Pilintra para um Zé pilantra, o presente perfeito para a pessoa certa! Mas acredito que a redação do VIDA DESTRA não aprovaria! Portanto, resolvi escrever esse outro texto alternativo logo abaixo:

Lula, está de volta à briga eleitoral! O mandatário petista está fazendo articulações políticas por todo o país. Uma dessas estratégias de articulação é o projeto “Lula com a cultura e os movimentos sociais”.

Mas é preciso aqui fazer uma ressalva, como quase toda palavra utilizada pela esquerda possui semântica enganosa, é bom explicar que por “movimentos sociais” o petismo tem em mente certos grupos ligados à esquerda latino-americana, comumente aparelhados e cooptados para a revolução tais como: MST, MTST, feministas, militância LGBT, etc. Não se trata absolutamente de todos os movimentos e muito menos de todo o tipo de classe social. Por exemplo, a “filósofa” esquerdista Marilena Chaui deixou bem claro que odeia a classe média, e ela não está sozinha. Este pensamento pode ser aplicado a toda a esquerda, daí o grande objetivo dessa gente quando chega ao poder: acabar com a classe média. Após isso, o processo segue nivelando a miséria e distribuindo a pobreza, com exceção, é claro, daqueles que detêm o poder no partido.

O caso é que as caravanas petistas têm sido um desastre total, e isto pelo simples fato de que o ex-presidiário Lula sequer pode frequentar um simples botequim sem ser hostilizado pela população.

Mas o cinismo e a hipocrisia são vícios que Lula não faz questão de esconder. Depois do desastroso tour político pelo Nordeste, reduto petista por décadas, ele teve a cara de pau de ir ao Twitter agradecer ao “povo nordestino”(sic) pelo carinho recebido. Povo? Que povo, Lula?

As visitas de Lula pelo Nordeste estão sendo literalmente intramuros com os tais “movimentos sociais” de esquerda. Este sim é o verdadeiro “povo”, ao qual Lula cinicamente faz questão de agradecer!

Em uma destas visitas ao “povo nordestino” o pretenso candidato ganhou benzimentos e um curioso mimo de consolação: uma imagem de Zé Pilintra, das mãos de uma Baba (mãe de santo na Umbanda) em Fortaleza, Ceará.

 

A UMBANDA COMO DRAMATIZAÇÃO DA VIDA SOCIAL

 

Mães de santo funcionam como sacerdotisas na Umbanda, uma religião criada no Estado do Rio de Janeiro no começo do século XX, por meio do sincretismo entre catolicismo, kardecismo e cultos afro. Mais do que todas as três, a Umbanda reflete bem de perto a dramatização da vida social brasileira. No processo de desafricanização, por exemplo, elementos e figuras da nossa vida social foram incorporados ao culto umbandista para mostrar essa aproximação com a vida urbana. Somente na Umbanda existem entidades como índios, escravos e marginalizados. Há ainda a utilização do termo “despacho” para referir-se às suas oferendas. O despacho é o favor. É a maneira de agradar a entidade protetora que se interpõe entre Deus e os homens como mediadora no complicado mundo espiritual da religião oficial com suas leis e dogmas. É a maneira de aplicar o “jeitinho” dentro do espaço religioso.

Ora, não é justamente esse o papel da figura social do “despachante”? Não é ela a entidade social que sabe o caminho mais rápido para lidar com as burocracias do Estado? É o despachante, o sujeito que faculta o “jeitinho” entre o “cliente” e o império duro e quase intransponível das leis. E onde há jeitinho, é quase impossível não haver a figura do malandro envolvida.

Não é debalde que a Umbanda também foi a primeira religião espiritualista no Brasil a adotar a figura do “malandro” como entidade espiritual em suas linhas.

 

POR QUE UM ZÉ PILINTRA?

 

Dentre as inúmeras entidades cultuadas pela Umbanda, tais como índios, pretos velhos e ciganos, por que a mãe de santo escolheu justamente a entidade Zé Pilintra para presentear Lula? As razões podem ser inúmeras, mas a escolha, inconscientemente, é bastante emblemática já que, na mentalidade umbandista, essa entidade é o chefe dos malandros. O “Zé Pilintra” é justamente a entidade da trapaça, em quem não se pode confiar. Amante das mulheres, da bebida e das arruaças. Sua imagem sofreu diversas adaptações até ser transposta para a Umbanda no Rio de Janeiro e ser identificada com o malandro carioca. É normalmente associada ao ardil e à vagabundagem.

Geralmente é descrito com uma personalidade carismática tida como “protetora dos pobres”, mas de dúbia índole, já que é a única entidade que trabalha em duas linhas opostas: desce na linha dos exus e na dos pretos velhos. Seus adeptos asseguram que, apesar de Zé Pilintra estar associado ao vício, malandragem e brigas, ele requer uma vida honesta e sem vícios de seus médiuns. Ah, e adora receber presentes!

O artigo intitulado “Saravá, seu Zé”, da revista de extrema-esquerda Carta Capital, menciona a origem nordestina do “seu Zé” no estado de Pernambuco (o mesmo estado natal de Lula) e como a sua estética incorpora curiosamente um lenço de cor vermelha. É dito pelo articulista que a entidade “É esse arquétipo do malandro, ou seja, daquele indivíduo pouco ou nada alinhado com os padrões sociais, com a moral cristã e com os bons costumes, que Seu Zé representa” e no parágrafo final deste mesmo artigo arremata: “Pai do ‘jeitinho brasileiro’, pai dos desprovidos”.

Confesso que nunca, na História deste país, um presente teve uma representação moral tão bem ajustada àquele que o recebeu.

Lula encarna na política o que Pilintra representa na religião umbandista. É o político da malandragem, do jeitinho e consequentemente da corrupção: a maior que o Brasil já viu. Do mensalão, passando pelo petrolão, até o despojo do BNDES, tem o dedo de Lula. Zé Pilintra gosta de transitar pelas encruzilhadas, lugar da indecisão e dos perdidos, lugar daqueles que não conhecem qual é o caminho correto. É lá também que ele recebe suas oferendas (presentes). Assim como a entidade mítica da Umbanda, Lula, sobretudo nas encruzilhadas da política e nas sombras das articulações, se torna o facilitador do jeitinho. É nesse ambiente que ele ao mesmo tempo despachava e recebia as oferendas dos seus clientes. Mas, ao contrário da entidade mitológica, Lula é bem mais mundano, não quer presentes do além ou coisa parecida. O malandro prefere algo bem mais material, tal como sítios e apartamentos. São ofertas generosas pelas facilitações dadas aos seus clientes no corrupto mundo dos negócios, típicos do capitalismo de compadrio.

Embora tenha sido condenado por mais de 30 juízes, inclusive em 2ª instância, Lula continua sua cantilena em dizer que “Não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu”. É o eterno malandro que procura ludibriar o ouvinte com sua ginga de narrativas.

Em 2002, a ginga logrou êxito. Saiu de cena o sindicalista barbudo e revolucionário e “incorporou” o “Seu Lula”, paz e amor, com barba feita, sapatos engraxados, terno Armani e apenas uma estrela vermelha discreta no peito ou então uma gravata da mesma cor. Por conseguinte, ficamos por longos 13 anos debaixo do jugo dessa religião política chamada petismo.

Felizmente em 2018 conseguimos exorcizar esse mal. Mas como todo encosto, ele quer voltar.

Portanto, em 2022 temos o dever moral de esconjurar nas urnas seu representante-mor e dizer: vade retro Zé Pilantra!

 

 

Paulo Cristiano da Silva, para Vida Destra, 08/09/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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Renata
Renata
1 mês atrás

Lamentável esse texto. Sou umbandista e conservadora. O autor mostra no conteúdo total desconhecimento do doutrina de umbanda. Antes de tecer comentários sobre qualquer assunto o ideal é procurar conhecer a fundo. E uma pena que um canal que procura defender a liberdade de expressão se digne a divulgar tal conteúdo.

Reginaldo Ferreira Lopes
Reginaldo Ferreira Lopes
Reply to  Renata
1 mês atrás

Libertade de expressão é isso, falar ou escrever o que pensa e acredita, goste ou concorde voçê ou não, é respeitar o pensamento diferente, veja o que Nilton Cesar Santana disse “Quem Pensa Diferente Contribue com a Coletividade. Me perguntaram o porquê não bloqueio as pessoas que pensam diferente. Em primeiro lugar, porque acredito na democracia, ou seja, todos temos o direito de expressar aquilo que acreditamos. Em segundo lugar, porque não sou o dono da verdade, portanto, posso estar errado; sendo assim, opiniões diferentes fazem crescer o meu aprendizado. Como também, segundo o grande Nelson Rodrigues :”Toda Unanimidade é… Read more »

Igor Roberto beltran camillo dias
Igor Roberto beltran camillo dias
1 mês atrás

Mais um texto excelente… O que para muitos o “jeitinho brasileiro ” é um elogio, temos que valorarmos essa conduta como algo que se opõe a razão, algo insensato, malandro…

Lembro-me de jogos de futebol em que o narrador diz o jeitinho brasileiro nos deu a vitória, o problema é que a vida não é um jogo de futebol, em que o importante é a vitória, mesmo que seja com gol de mão…

A vida é um dom que Deus nos dá, e temos que ser digno dela.