Os efeitos nefastos causados pela pandemia do coronavírus atemorizam dez entre cada dez governantes mundo afora. É impossível não enxergar um quadro caótico e de muita dificuldade nos próximos anos, caso a atividade econômica não seja rapidamente restaurada.

No entanto, vejo com extrema preocupação algo que está passando ao largo de tudo isso: o apagão intelectual causado pelo fechamento das escolas no Brasil e no mundo. É totalmente sem fundamento, e porque não dizer, criminoso, que a essa altura dos acontecimentos milhares de estudantes, crianças, adolescentes e jovens, ainda estejam fora das salas de aula.

Segundo dados de pesquisa do Instituto DataSenado sobre a educação na pandemia, entre os quase 56 milhões de alunos matriculados na educação básica e superior no Brasil, 35% (19,5 milhões) tiveram as aulas suspensas devido à pandemia de covid-19, enquanto que 58% (32,4 milhões) passaram a ter aulas remotas. Na rede pública, 26% dos alunos que estão tendo aulas online não possuem acesso à internet. Negacionismo educacional?

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também apontou em relatório do ano passado que a suspensão das atividades escolares terá impacto na economia global. Até o fim de junho, de 46 países avaliados, 52% haviam fechado suas escolas por 12 a 16 semanas e 28% as mantiveram fechadas por 16 a 19 semanas. O Brasil estava bem no limiar, com 16 semanas contabilizadas até 30 de junho. E provavelmente fechou o ano de 2020 na liderança desse ranking infame.

Sabemos que existem várias evidências de baixa contaminação em crianças, que existe a possibilidade de rodízios de turmas e adoção de protocolos de distanciamento. Isso tornaria perfeitamente possível a retomada gradual das aulas, mesmo antes de iniciar qualquer processo de vacinação no país.

Com base nisso, algumas entidades, como o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), que representa escolas particulares, solicitou a permissão da Prefeitura de São Paulo para a abertura de escolas particulares na capital paulista. Isso porque as escolas privadas registraram queda de até 80% nas receitas e cancelamentos de matrículas. Mas seriam elas irresponsáveis de retornar às aulas sem que houvesse condições sanitárias para isso? Óbvio que não.

Mas o que impossibilitou o retorno às aulas, foi em grande parte, a atuação de sindicatos de professores, a maioria alinhados ideologicamente à extrema esquerda. Eles acionaram a Justiça contra as tentativas de retomada das aulas, a exemplo do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), em setembro de 2020, argumentando que o retorno às escolas poderia aumentar o contágio pelo coronavírus e colocar a saúde dos profissionais em risco.

Esse argumento egoísta e simplista, só demonstra que esses profissionais colocaram o próprio bem estar acima do compromisso com a educação. Compreendo que existem profissionais em grupos de risco e que há toda uma comunidade escolar envolvida. Mas é exatamente por isso que um retorno seguro, com protocolos e todo o cuidado deveria ter sido feito há meses! É uma posição muito cômoda para quem recebe seus vencimentos em dia, sem se preocupar com o futuro daqueles alunos, muitos deles carentes, que têm na educação uma das únicas chances de mudar de vida.

Ora, onde estão os defensores da Educação? Onde estão os iluminados que defendem o acesso às escolas, e que tanto batalharam pela injeção permanente de recursos do Fundeb nesse setor? Deveriam ser os primeiros a arregaçar as mangas para buscar soluções que evitassem esse apagão educacional. Não deram nenhuma alternativa àqueles alunos pobres, sem acesso à internet e, portanto, alijados do processo educacional. Isso sim, foi uma tremenda falta de empatia daqueles justiceiros sociais disfarçados de bons moços.

O fato é que não existe argumento plausível para isso, quando vemos crianças frequentando parques, shoppings centers e viajando, mas não podendo ir à escola. E o que dizer dos estudantes universitários, boa parte também alienada por um discurso ideológico, achando que vão prejudicar outra pessoa além de si mesmos, aceitando passivamente esse blecaute intelectual contra um “fascismo imaginário” que deseja apenas que eles estudem?

Ou o Brasil retoma o trilho do conhecimento, da Educação, ou tão cedo não sairemos do atoleiro econômico e social que essa pandemia de equívocos nos colocou. É hora de retomar as nossas escolas! Devemos retirá-las do vazio humano e intelectual travestido de sabedoria e boas intenções, mas que são terreno fértil para ideologias nefastas que ainda ameaçam as sociedades livres. Talvez seja esse o real interesse em prolongar esse caos.

 

 

Ismael Almeida, para Vida Destra, 29/01/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

 

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Nunes
Admin
29 dias atrás

Realmente precisaremos de mudanças e investimentos e melhor gestão nessa parte educacional. Sobre Doriana, sem palavras, cada dia está ficando pior.

Rosana Aguiar
Rosana Aguiar
29 dias atrás

A direita se debate nesse alto mar do comunismo é morrerá na praia, se não entender que a ideologia de esquerda não tem pressa (como nos temos)Começa no ensino primário formando seu exército. Vemos isso mas não enxergamos isso! Precisamos quebrar a cabeça da serpente, é nao a cauda.

Luiz Antonio
28 dias atrás

Neste brilhante artigo de @ismael_df sobre o apagão educacional brasileiro, Pais e Mães tem que sair deste estado de letargia para brigarem contra Sindicatos, os quais podem causar consequências psicológicas nefastas em nossos filhos. O PISA nos vemos depois!