O carnaval e a hipocrisia da militância esquerdista

Mais um carnaval se foi e deixou marcas inconfundíveis da hipocrisia da galera lacradora. Tivemos, tanto no RJ quanto em Sampa, desfiles de blocos, escolas de samba, muito discurso e campanha contra o assédio sexual masculino, só esse é crime ou só esse acontece e, é claro, muita lacração politicamente correta.

Para começar, quero comentar com você a hipocrisia que notei nos desfiles dos sambódromos do Rio e de São Paulo. Veja só: escolas de samba querendo lacrar falando de corrupção e de injustiça social. Logo elas, que são sustentadas muitas vezes com dinheiro oriundo do tráfico de drogas, do jogo do bicho, de milícias e de várias outras formas de contravenção penal. Logo elas, que ao longo da história, acobertaram tantos contraventores, chegando ao cúmulo de deificarem muitos deles. Essas mesmas escolas que nem são capazes de cumprirem os próprios regulamentos que criam e vivem às turras com viradas de mesa e títulos contestáveis.

Por falar em regulamentos que não são cumpridos por essa galera, não posso deixar de lembrar que há uma escola que deveria ter sido rebaixada em 2017, mas no entanto, participou de uma virada de mesa e, no ano seguinte, fez um enredo que criticava o impeachment de Dilma Rousseff, os “coxinhas” e conservadores, tratando o povo como massa de manobra da imprensa e das pessoas que arquitetaram a retirada da presidente, porém essa escola não abriu mão de usar a subvenção, dada pelo poder público, a quem criticava, através dos impostos pagos pelo povo, que também era alvo da crítica. A referida agremiação até hoje não prestou assistência à família da repórter Liza Carioca que morreu em virtude do acidente acontecido com uma de suas alegorias e nem das outras dezenas de vítimas. Em 2018, como se nada tivesse acontecido, saiu criticando a tudo e a todos.

Nesse ano de 2019, no carnaval da lacração, a mesma escola, que em 2017 causou tanto mal aos foliões, traz mais um enredo de cunho político (nada demais até ai), usando uma história real ocorrida nos anos 1920 no Ceará, quando um bode foi eleito vereador. As semelhanças entre o caprino e o presidiário Lula são então exaltadas. Sim leitor, o bode do enredo simboliza o ladrão que jogou o país na maior crise da sua história e que hoje conta com seus militontos para tentar ludibriar a justiça através da pressão exercida por eles e uma narrativa vitimista, tentando assim, escapar impune de todo o mal que causou ao Brasil.

Ainda no enredo do bode salvador da pátria, além de palanque para a defesa de Lula, houve também a crítica aberta ao presidente Bolsonaro (qualquer um pode e deve ser alvo de crítica, não há mal nenhum nisso), mas os fins não justificam os meios, não há terceiro turno eleitoral em nosso país e, criticar um presidente recém-eleito com quase 60 milhões de votos, apenas com a intenção de exaltar um criminoso, não é algo muito justo. Também, tolo eu, pedir coerência desse pessoal… Para essa escola de samba, os “coxinhas ultraconservadores” são culpados por não mais quererem ser roubados.

Uma outra escola muito tradicional da cidade maravilhosa, que tem duas cores que formam uma combinação brega, diga-se de passagem, também decidiu exaltar os humildes esquecidos pela história. História essa, que segundo a visão do próprio carnavalesco, é mal contada, e só seus professores, provavelmente de esquerda radical, teriam explicações convincentes para que a mesma fosse recontada de uma forma que fizesse justiça aos verdadeiros heróis dessa nação. Revisionismo histórico?

Vimos a bandeira brasileira com suas cores alteradas (crime?). Inscrição “Ordem e Progresso” mudada para “índios, negros e pobres”, como se eles não tivessem tido, em momento algum, o protagonismo em relação a vários acontecimentos históricos do país. Sem fazer muita força consigo lembrar de Nilo Peçanha, primeiro presidente negro do Brasil, seu pai era um padeiro. Martin Afonso de Souza (Araribóia), índio que ajudou a expulsar os franceses do Rio de Janeiro e é considerado o fundador da cidade de Niterói-RJ. Também dá para lembrar muitos negros e índios que não foram tão nobres historicamente, como é o caso de Chica da Silva, escrava que, curiosamente, depois de livre, adquiriu escravos para pleitear a ascensão social, ou ainda, Zumbi dos Palmares, que lucrou muito com a escravidão, mesmo tendo, ele também, sido escravo.

A escola das cores bregas usou e abusou da lacração ao trazer para a avenida a parceira de mesmo sexo da Marielle e exaltar toda a sua “contribuição” histórica e social para o país, como a luta para que mulheres tenham o “direito” de matar os próprios filhos em seus ventres. Logo ela, que foi morta, muito provavelmente, pelos mesmos que financiam os desfiles de escolas de samba. Mais uma vez eu fui tolo ao esperar coerência desse pessoal.

Não vi nenhuma menção à professora Helley Abreu, que em Minas Gerais, deu a própria vida para salvar diversas criancinhas de morrerem queimadas. Esqueceram do pai de família que foi morto em frente ao próprio filho no mesmo dia e horário da morte da vereadora e até, do motorista que dirigia o carro e também morreu. Não vi nenhuma menção à policial Juliane dos Santos Duarte, também negra, lésbica e moradora da periferia. Enfim, quis posar de defensora da moral e dos bons costumes e criticar uma parcela grande da sociedade, uma escola de samba, que tem entre seus feitos, a construção de rota de fuga para traficantes dentro de sua própria quadra e cujo presidente está preso por desvio de dinheiro dos pobres, muitos dos quais, lotavam a quadra para comemorar a própria ignomínia e a própria miséria na qual vivem.

João Alves

Professor
Formado em Letras Português / Inglês desde 2013
Casado com Luciana
Pai do João Miguel
Defensor da família tradicional como base de toda sociedade
Gosta de música dos anos 1960, 1970 e 1980
É locutor
Toca bateria nas horas vagas
João Alves
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2 Thoughts to “O carnaval e a hipocrisia da militância esquerdista”

  1. PEDRO P S MACIEL

    Gostei. Bem claro…

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