Estou nas análises clínicas desde 1975 como olheiro, estagiário e profissional não habilitado, após o reconhecimento da profissão em 1980, aí sim habilitado e um pouco capacitado para atender as demandas do laboratório clínico.

Vivendo e aprendendo por longos anos, me vi diante de grandes angústias humanas.

Uma delas foi a descoberta do HIV, vírus da imunodeficiência adquirida que transtornou, revolveu e devolveu a olhos nus o velho testamento, onde a discriminação aos hansenianos foi cruel e por isso desumana, ao afastar o doente de seus familiares e estes recebendo toda sorte de violência física e moral.

Os homossexuais foram as vítimas da maldade humana porque grande parte deles ficaram doentes, e a estupidez humana demonstrou a maldade velada ao não reconhecer o outro como ser humano doente e sim, enaltecer a sua vida sexual supostamente errada, ora todo e qualquer ser humano fornica!

Hipocrisia é a palavra chave na vida aplicada a todas as áreas do conhecimento humano.

Agora vivemos a pandemia do coronavírus, vírus oriundo do território chinês que se disseminou por todos os cantos do mundo, levando milhões de seres humanos a óbito. Desde já afirmo que é comum na virologia citar o território no qual foi descoberto o agente. Aqui também temos o vírus causador da febre hemorrágica brasileira, Mammarenavírus.

Ouvimos na grande mídia que os primeiros casos no território brasileiro da virose chinesa foram evidenciados em pessoas da classe média alta, uma separação odiosa já que foram cidadãos que viajaram para a China ou para o continente europeu, em sua maioria a trabalho. Esquecem os maldizentes que muitos trabalhadores com salários menores estão a trabalhar em navios e aviões de cargas e de passageiros que perfazem os mesmos caminhos dos cidadãos da classe média alta.

A outra palavra chave é o sensacionalismo, pregado por jornalistas midiáticos e políticos, é claro, porém as consequências são inestimáveis. Vi pessoas atordoadas, ansiosas e por que não dizer neuróticas. O teatro composto por sensacionalistas foi de uma maldade ímpar ao concentrar horas de atenção às falácias de homens comprometidos com a vaidade, e muito pouco com o bom senso, ao anunciar a nova doença apelidada de Covid-19.

Presenciei cenas que somente quem trabalha nas análises clínicas pode testemunhar, inúmeros telefonemas e mensagens nas redes sociais para expor dúvidas e anseios. Mulheres e homens preocupados com seus anciãos e incipientes no intuito da defesa, lutar ou correr!

Empresários nervosos ao verem seus funcionários doentes podendo transmitir a outros e assim causar prejuízos às tarefas.

Profissionais da saúde com receio de atender a qualquer pessoa independentemente da patologia, enfim a insegurança instalada pelo teatro trágico e sensacionalista da mídia mainstream.

O desespero no seio familiar ao ver e sentir a angústia de um deles hospitalizado e de evolução não satisfatória. Pior é sentir o velamento frio e calculista da recomendação de autoridades sanitárias proibindo o chamamento de parentes e amigos para o último adeus ao falecido.

A ansiedade pelos resultados dos exames, no meu caso, foi torturante a mim e ao cliente.

Diante dessas angústias escrevi um texto em abril de 2020, com o título de Chega de Autoritarismo!, porque já previa toda sorte de ações infames contra cidadãos comuns que somente fazem o mínimo para sobreviver, porém impedidos de trabalhar por conta própria ou até mesmo de circular em áreas abertas.

Em outro artigo, já repetia os números dos empregos com carteira assinada que nunca passou de 50% da massa trabalhadora, assim vimos a situação econômica que já estava instável com 12 milhões de desempregados, por causa da política econômica socialista, ficar pior.  Mas o governo e congresso criaram o auxílio emergencial de R$ 600,00. O número mais assustador foram os 60 milhões de brasileiros em situação financeira deplorável, um número que governos passados ignoravam, mas foram criadas bolsas de todos os tipos e valores que nunca atingiram o total de necessitados, falou mais alto a politicagem.

A pandemia expôs até soberanos não eleitos que por vaidade usaram poderes supostamente legais, soberba sem precedentes na história da república brasileira, uma verdadeira juristocracia. Vimos também nessa pandemia a ganância pelo dinheiro ao comprarem aparelhos e insumos para os hospitais, um verdadeiro esfolamento do sistema de saúde. O isolamento dos hansenianos em tempos bíblicos foi de uma maldade atroz, não muito diferente do lockdown autoritário e infeliz que não está previsto na constituição, contudo os tiranetes num insight próprio da maldade criaram mais um eufemismo, medidas restritivas!

A vigarice é extremamente criativa. O vírus também tem inteligência para a perpetuação, assim mudam a conformação de suas proteínas para enganar seu próximo hospedeiro porque este já tem capacidade prévia para neutralizar. Criaram a “nova variante”, por que não simplesmente variante? Porque as palavras também impõe medos, e como!

Para nosso espanto criaram outra situação, não tem leitos de UTI suficientes para atender a demanda! Ora, construíram hospitais de campanha e a pedido dos seus “especialistas” foram desconstruídos porque a pandemia estaria em declínio, mas como as aglomerações  realizadas por pessoas irresponsáveis não puderam refazer em tempo hábil. Nada mais falacioso, equipar UTIs ou mesmo construir é fácil, difícil é contratar profissionais habilitados e capacitados para tal, porque requer muito tempo de preparação.

Sobre o tratamento aprendi desde cedo que não tendo medicamento específico, trata-se os sintomas. A maldade foi tamanha que pediram ao doente que procurasse atendimento somente se estivesse muito mal, que maldade!

Quando vamos aprender que a inteligência deve ser usada e muito bem usada para atender o próximo?

 

 

Welton Reis, para Vida Destra, 03/03/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

 

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FABIO PAGGIARO
6 meses atrás

Essa pandemia vem demonstrando a miséria humana. Crimes foram cometidos em abundância e seus autores deveriam ser condenados. Mas não temos Justiça para isso. Parabéns, Welton.