Como diria Ortega y Gasset em seu clássico Rebelião das Massas nessa transcrição abaixo:

“Nas gerações anteriores a juventude vivia preocupada com a madureza. Admirava os maiores, recebia deles as normas – em arte, ciência, política, usos e regime de vida -, esperava sua aprovação e temia seu enfado. Só se entregava a si mesma, ao que é peculiar a tal idade, sub-repticiamente e como à margem. Os jovens sentiam sua própria juventude como uma transgressão do que é devido. Objetivamente se manifestava isto no fato de que a vida social não estava organizada em vista deles. Os costumes, os prazeres públicos haviam sido ajustados ao tipo de vida próprio para as pessoas maduras, e eles tinham de se contentar com as zurrapas que estas lhes deixavam ou lançar-se às estroinices. Até no vestir viam-se forçados a imitar os velhos: as modas estavam inspiradas na conveniência da gente maior. As moças sonhavam com o momento em que se vestiriam “à vontade”, quer dizer, em que adotariam o traje de suas mães. Em suma, a juventude vivia a serviço da madureza.

A mudança operada neste ponto é fantástica. Hoje a juventude parece dona indiscutível da situação, e todos os seus movimentos vão saturados de domínio. Em sua atitude transparece bem claramente que não se preocupa o mínimo com a outra idade. O jovem atual habita hoje sua juventude com tal resolução e denodo, com tal abandono e segurança, que parece existir só nela. O que a madureza pense dela não lhe importa um caracol; mais ainda: a madureza possui a seus olhos um valor próximo ao cômico.

As coisas se inverteram. Hoje o homem e a mulher maduros vivem quase sobressaltados, com a vaga impressão de que quase não têm direito a existir. Advertem a invasão do mundo pela mocidade como tal e começam a fazer gestos servis. Desde logo, imitam-na no trajar. (Tenho sustentado muitas vezes que as modas não eram um fato frívolo, mas um fenômeno de grande transcendência histórica, obediente a causas profundas. O exemplo presente esclarece com exaustiva evidência essa afirmação).

As modas atuais estão pensadas para corpos juvenis, e é tragicômica a situação de pais e mães que se veem obrigados a imitar seus filhos e filhas na indumentária. Os que já andamos na curva descendente da vida vemo-nos na inaudita necessidade de ter de desandar um pouco o caminho percorrido, como se o houvéssemos errado, e fazer-nos – de grado ou não – mais jovens do que somos. Não se trata de fingir uma mocidade que se ausenta de nossa pessoa, mas que o módulo adotado pela vida objetiva é o juvenil e nos força a sua adoção. Como com o vestir, acontece com tudo o resto. Os usos, prazeres, costumes, modos, estão talhados à medida dos mancebos.” (ORTEGA Y GASSET; JOSÉ, 2016, p. 336,337).

É contundente, mas a realidade nos diz muito, hoje jovens são especialistas em aquecimento global, militam em favor do aborto, sentem as dores das gerações passadas e pior que tudo isso: impõe aos adultos de nosso tempo o politicamente correto, que nada mais que a forma mais descarada de silenciar ideias que divergem das suas.

Ontem dia 20/09/2019 tivemos a “manifestação global pelo clima” lideradas por jovens cheios de certezas e convicções inculcadas pelos seus respectivos mestres. Nessas manifestações vimos o mais rasteiro discursos em prol do meio ambiente daqueles que sequer regam as plantas de sua casa para ajudar seus pais.  Jovens hipócritas com a língua afiada, querem nos convencer que sua eloquência pré-fabricada vai remodelar o mundo.  Não são mais que idiotas úteis que servem como bucha de canhão para as ideias mais totalitárias, mas infelizmente eles não sabem disso, como não sabem de muita coisa que ocorrer ao seu redor, no fundo no fundo, o que querem é aceitação do grupo que testa ao extremo sua idiotice.

É repetitivo dizer, mas os jovens não tem a mínima experiencia de vida para falar sobre os mais diversos assuntos, afinas de contas não viveram ainda o suficiente, para propagar aquilo que pregam, são sim o mais completo ctrl+v de seus ideólogos.

Farei sim um paralelo com a informática. Imagine o leitor de fronte ao computador recém adquirido, uma máquina veloz, mas com seu HD em branco, nele serão gravadas os mais diversos arquivos, os mais diversos programas, mas até que isso aconteça ele não tem muita serventia. É nessa fase de maturação que raposas velhas se apoderam dessas “maquinas em branco” e nelas gravam o mais completo e selecionado rol de besteiras. E como prova disso é frequente ver adolescentes aqui no Brasil sofrendo as “dores de 1964” a opressão como se esses mancebos estivessem vindo de lá do passado remoto. Não vieram! Esse é o mais perfeito transplantes de cérebros que podemos assistir.  Uma geração roubando o direito da outra pensar!

O exemplo citado é o do clima, mas eles não se limitam a só esse assunto, opinam sobre aborto, economia, o que deve ser feito em relação aos animais, como educar filhos e por aí a fora. Afinal de contas são prodígios e devem ser escutados por serem especiais.

Aqui cabe enquadrar a definição de especial, ou sejam alguém com características notáveis e atitudes que fogem a regra geral. Por si só, a maioria desses púberes não se enquadra nesse conceito.  Uma vez que uma multidão jovem e manipulada não pode ser composta de pessoas altamente capacitadas. Afinal se assim fossem a definição de especial cairia por terra e tudo seria medíocre.

Não por acaso indiquei que essa tendência não vem de nosso tempo, reparem bem no início do texto a forma que Ortega y Gasset descreveu o que viu no seu tempo. Ele viveu na primeira metade do século passado, lá já víamos esse comportamento. Hoje este predomino pueril está consolidado.

Triste é a sociedade que entrega suas decisões e discussões importantes, para um grupo altamente manipulável e inconsequente.

Precisamos pois, urgentemente, voltar a ouvir os mais velhos, eles são luz que esses tempos sombrios atuais precisam.

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