Quando Bolsonaro despontou na política brasileira como potencial candidato à Presidência da República, especialmente durante o processo de Impeachment da então presidente Dilma Rousseff, vários influenciadores, políticos e até mesmo alguns jornalistas, passaram a adotar uma postura de apoio ao então Deputado Federal pelo RJ que caía cada vez mais nos braços do povo.

Essa tendência seguiu-se até sua eleição em 2018, quando o povo brasileiro bradou por liberdade e, na segunda independência do Brasil, livrou-se de décadas de domínio esquerdista no cargo de chefia da república.

Todavia, muitos desses influenciadores, políticos eleitos na onda de apoio ao Presidente, e jornalistas que fizeram crescer portais alternativos de mídias virtuais, voltaram-se contra o Presidente da República poucos meses após a posse presidencial.

O motivo é simples e claro. Esses grupos não tiveram suas demandas pessoais atendidas. Esses que voltaram-se contra o Presidente, acreditavam que seu apoio poderia ser comprado e, ao perceber que Jair Messias Bolsonaro não se vende jamais, perceberam que suas ambições de poder dentro do Governo Federal, por ministérios, secretarias e cargos comissionados, não vingariam. Passaram então ao ataque virulento e diuturno ao Presidente da República.

Entretanto, alguns falsos apoiadores, que se escondem sob a alcunha de conservadores, mesmo possuindo um pensamento completamente revolucionário, ainda conseguem enganar boa parte da direita brasileira. Para ajudá-los a identificar os opositores travestidos de apoiadores, faremos agora um exercício histórico de recapitulação de alguns eventos que culminaram com a queda do regime ditatorial comunista da Iugoslávia.

Estão prontos?

Em 2021 completam-se 30 anos do início das sangrentas guerras por independência na antiga Iugoslávia. Todavia, os processos que levaram ao início dessas guerras começaram alguns anos antes, com a decadência do regime ditatorial comunista, a revolta popular contra as péssimas condições impostas pela Liga dos Comunistas da Iugoslávia – nomenclatura adotada pelo Partido Comunista da Iugoslávia a partir de 1952 – acentuou-se de forma exponencial, especialmente com a investida de Slobodan Milosevic dentro do sistema unipartidário da Iugoslávia, na tentativa de estabelecer o que se chamava de Grande Sérvia.

Uma das vozes mais fortes contra o regime de Milosevic surgiu na Eslovênia, na figura da publicação periódica “Mladina”, uma revista inovadora, voltada especialmente para o público jovem, que trazia sopros de liberdade com forte influência ocidental ao restrito regime comunista iugoslavo.

Acusados de colaboração com a CIA, os responsáveis pela publicação sofreram dura perseguição. O editor-chefe à época, Franci Zavrl e seu principal colaborador, o correspondente de defesa Janez Janša foram inclusive julgados e condenados à prisão em um julgamento recheado de contestações e realizado em língua servo-croata ao invés da língua eslovena, revoltando a opinião pública local no ano de 1988.

Três anos depois, em 1991, Milan Kučan desafiava o regime de Milošević e declarava a independência da Eslovênia, exatamente no mesmo dia em que Franjo Tuđman declarava independência na vizinha Croácia.

Kučan se tornaria então o primeiro presidente da história da Eslovênia, restando no cargo até 2002.

O grito de liberdade dos eslovenos teve grande contribuição exatamente por parte de Janez Janša, aquele mesmo que em 1988 fora condenado de forma tão questionável pelo tribunal iugoslavo.

Janša assumiu o Ministério da Defesa da Eslovênia já em 1990, auxiliando Kučan nos preparativos para a defesa da independência da Eslovênia.

Considerado um herói nacional, o Ministro da Defesa permaneceu no cargo até 1994, tornando-se uma das principais figuras políticas no país, levando ao crescimento cada vez maior do Partido Democrático Esloveno.

Hoje, Janša ocupa o cargo de primeiro-ministro da Eslovênia, posto já ocupado anteriormente e continua como líder de seu partido desde o ano de 1993, demonstrando sua estupenda capacidade de liderança e popularidade.

O primeiro-ministro esloveno é uma das mais proeminentes lideranças conservadoras em toda a Europa, sofrendo assim diversos ataques da mídia tradicional, mas resistindo bravamente a todas as tentativas de destruição de sua imagem, persistindo sempre na busca pelo melhor para seu povo.

Agora você deve estar se perguntando, o que isso tem a ver com o Brasil?

Lembra-se da publicação “Mladina”? Pois voltaremos a ela agora.

Assim que o regime ditatorial comunista iugoslavo foi superado e a Eslovênia respirou ares de liberdade, a publicação que outrora ajudara na derrubada do regime, tornava-se ferrenha defensora de ideologias de esquerda, inclusive o comunismo.

A Mladina passou a ser oposição aos governos eslovenos e em especial ao seu antigo correspondente Janez Janša.

Com publicações polêmicas e controversas, a Mladina segue até hoje como forte ferramenta de propagação dos idealismos esquerdistas entre a população mais jovem da Eslovênia, chegando a contar, inclusive, com Slavoj Žižek, conhecido filósofo marxista e defensor do comunismo entre seus principais colaboradores.

Agora lançamos um importante questionamento a ser feito por cada leitor.

Dentre os novos veículos de comunicação digital no Brasil, dentre os grupos ideológicos que se auto intitulam de direita, dentre os diversos influenciadores digitais que alegam apoiar o Presidente Bolsonaro, bem como dentre os políticos que também o fazem, quais deles fazem isso de forma verdadeira e quais deles podem vir a se tornar uma versão brasileira da Mladina?

Quem são os verdadeiros conservadores e quem são aqueles que possuem mentalidade revolucionária e, portanto, de esquerda, podendo mudar de lado a qualquer momento?

Esse questionamento é importantíssimo para o futuro do Brasil e para o futuro do pensamento conservador brasileiro.

Procurem sempre identificar aqueles que criticam mais do que sugerem, aqueles que constantemente atacam os ministros indicados por Bolsonaro, aqueles que criam narrativas que um dia poderão ser utilizadas exatamente contra o governo.

Fazendo isso, saberão identificar sem sombra de dúvidas quem está a favor do Brasil e quem apenas busca seus próprios interesses.

Muitas vezes o inimigo está mais perto do que possamos imaginar, portanto atentem-se. Nem todo auto intitulado conservador, é realmente um.

*Mladina – do esloveno: Juventude

 

 

Lucas Jeha, para Vida Destra, 23/03/2021.                                                              Sigam-me no Twitter! Vamos conversar sobre o artigo! @LucasJeha

 

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Luiz Antonio Santa Ritta
Luiz Antonio Santa Ritta
1 ano atrás

No maravilhoso artigo de @LucasJeha quem será a Mladina brasileira, posso afirmar com certeza que a Crusoé não faz tanto estardalhaço qto colunistas como Monica Bergamo, Vera Magalhães, Marilyz Pereira Jorge, Patrícia Campos etc. Mas existia uma bloguista q se tornou Deputada Federal, que deveria ter sido internada num Hospício por total incapacidade mental: A Porquinha brasileira.

Estéfano Lopes Teixeira
1 ano atrás

Olha, sem palavras pelo magnífico artigo que li, muito objetivo e super elaborado no contexto histórico. Parabéns! É o que eu digo, o combate ao mal está começando, temos que combater os oportunistas revolucionários.

Lucia
Lucia
1 ano atrás

Ótimo artigo.