Seria blasé começar com a frase: “depois de um longo e tenebroso inverno…”? É possível, mas complemento, saudoso inverno.

Ocorre que fiquei completamente perdida (e ainda estou) diante dos últimos acontecimentos no cenário político brasileiro. Vivemos em guerra! Uma guerra declarada e fortemente armada. Todos sabíamos que seria assim, a esquerda não aceitaria de forma passiva e silenciosa a vitória acachapante do Jair Bolsonaro e da turma nova que veio com ele.  Até aí, tudo bem! Juntos e em prol de apoiar o novo Governo, imbuídos de um desejo pulsante de mudança real no país. Unidos, bateríamos na oposição. Fazendo valer a máxima da Margaret Thatcher: “A Democracia não é um sistema feito para garantir que os melhores sejam eleitos, mas para impedir que os ruins fiquem para sempre”.

Ledo engano. Como um exército sem comando, viramos as armas do alvo e o “Friendly fire” começou, tendo como o atirador de elite um dos nomes mais prestigiado, o prestigioso filósofo Olavo de Carvalho. Recebemos ataques contundentes e intermitentes da imprensa, da oposição, do establishment, e agora dos “aliados”. Com a bandeira de proteção e defesa ao Jair Bolsonaro, as redes sociais vivaram praça de guerra, e como um soldado perdido, olhei para os meus amigos perplexa. Estavam atirando naqueles de deveriam ser nossos amigos, usávamos a mesma farda, e mesmo assim o tiro nos acertou.

Somos soldados feridos, feridos por nós mesmo.

Respirem.

Amigos, estamos em claro erro. Usando nossas armas, redes sociais, movimentos de rua e influência em grupos pessoais de forma equivocada. Influenciadores de toda monta, produzindo conteúdo para bater de forma contundente em aliados, chamando-os de adjetivos impublicáveis, o mais comum: comunista. Todos que não concordam com o Prof. Olavo, são taxados de comunista.

Quero pontuar que sou profunda admiradora do Olavo, não a leitora que gostaria e deveria ser, mas em minha defesa, o mestrado me consome. Entendo e reconheço que ele é possuidor de um pensamento crítico, quiçá apocalíptico,  em que lhe deu a … #OlavoTemRazão. Um defensor do Presidente e dos seus filhos, que nos lava a alma. A sensação de ter um aliado de tamanha envergadura nos lava a alma. Foi alçado ao panteão da fama.

Olavo é uma figura que provoca paixões e paixão, meu caro leitor, é algo arrebatador, visceral, sufocador e viciante.  A imprensa deita e rola. Usa e abusa do temperamento inflamado dele e algum de nós cai como um recruta recém-chegado a tropa: sangue nos olhos, dedos nervosos, ansiosos para treino de tiro. Afoito.

Inspira.

Calma. Não estou aqui para desmerecê-lo, não tenho escopo intelectual para tal, nem com muito esforço.

Mas, sou uma observadora do quadro que se impõe a todos nós!  na intenção sincera de não ser massa de manobra, de cometer injustiças ou tecer comentários escabrosos, me dou o direito de fazer leituras e releituras tentando amadurecer politicamente, contribuindo para o meu país.

Ver ataques sucessivos aos poucos que nos resta, não é inteligente.

Tudo começou, salvo engano, com os deputados que foram “turistar” na China. Entendo que a repercussão gerou mais problemas aos empolgados parlamentares do que efetivamente ao Governo. Depois os ataques foram direcionados ao Bebianno, General Mourão, a contratações internas do Governo, General Santos Cruz, General Villas Boas, Alexandre Frota, Lobão e a lista só cresce. Acho válido o alerta, mas não ao ataque surreal. A palavras de baixo calão, a ofensa ad hominem, a torpeza. Não amigos, não podemos usar as armas daqueles que temos ojeriza.

Não pira.

Somos neófitos na política, após anos de governo de centro esquerda e esquerda, chegamos ao Governo, mas chegamos ao poder? Alerto para a diferença do termo. Ataques a aliados, sim meus caros, aliados, não nos traz nenhum benefício. Estamos criando e organizando uma direita, mas não é e não será hegemônica. Nada é. Nada.

Possivelmente, teremos uma direita com várias frentes, composta por conservadores, olavistas, reacionários, liberais, intervencionistas… e que bom! O pensamento hegemônico não traz crescimento social, mas escravidão ideológica. Vide o lulopetismo. Conheço pessoas sinceramente honestas, inteligentes e ponderadas que se recusam e bloqueiam qualquer tentativa de sair da bolha e aceitar a realidade: o LULA é um santo caído, um enganador contumaz, um canalha, no cerne da etimologia da palavra.

A minha crítica é atacar aquele que não coaduna 100% com o pensamento de uma figura importante com adjetivos que deveriam ser atrelados tão somente a opositores, o estardalhaço causado deveria ser ruim para nossos inimigos declarados, pagos pelos nossos impostos, a baixa tem que ser no campo adversário, sempre. A guerra é assim.

Mas vejo que estamos nos dividindo, nossos opositores estão descansando e nos assistindo gastar munição com aliados, e pior, nosso comandante, Jair Bolsonaro, se mostra cansado, compelido a abrandar a fúria de alas que supõe ser amiga. Sinto informar, mas não é sábio. Manobra.

É hora de união total e irrestrita. Temos prioridades, a Reforma da Previdência, o pacote do Sérgio Moro, as pautas do meio ambiente, da infraestrutura, da Ministra Damares, são muitas. Perder tempo com falas indigestas de ministros e aliados que saem tortas, que a mídia recorta, é gastar munição com o alvo errado.

É hora de focar e o foco é defender nosso voto, apoiar o Presidente eleito. Lê-lo, ouvi-lo, compreender o momento, e atacar o inimigo. Temos muitos. Os problemas domésticos resolvemos em reservado.

Olavo, chama no privado.

Generais, respondam no privado.

Aos opositores reais, declarados e oportunistas, joguem no grupo.

Forte abraço.

Deixo uma história real, de guerra real.

O jornal Britânico The Times trouxe a entrevista de três soldados britânicos que sobreviveram a um ataque de avião thunderbolt A-10 americano, que matou um dos seus companheiros e destruiu dois veículos blindados. O interessante é que o ataque partiu de um aliado. O  piloto americano aparentemente não se deu conta de que eles eram britânicos, não reconhecendo a identificação especial das forças da coalizão e nem uma bandeira grande da Grã-Bretanha em um dos veículos do comboio. O cabo Gerrard afirmou:  “Eu fui treinado para combater. Posso manter o controle sobre meu carro, posso evitar ataques, mas eu não fui treinado para ficar olhando sobre meu ombro para verificar se um americano está atirando em mim”.

 

9 Comentários

  1. Estava com saudades dos artigos, você escreve com a alma. A cada parágrafo me fiz respirar contigo. Não desista.

  2. Mel, finalmente voltou! não sinto mais saudade porque sou teu seguidor no twitter. Tem como saber o teu contato? gostaria de conversar com você.

  3. “e paixão, meu caro leitor, é algo arrebatador, visceral, sufocador e viciante” que trecho! Concordo, Olavo tem atrapalhado.

  4. Tenho acompanhado você nas redes sociais e acho que você é pro milico. O Olavo tem sido um guerreiro, tem que jogar pra que todo mundo saiba que só tem cobrá cercando o Capitão. Mais vou te perdoar.

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