Em meados de novembro de 2019, já se ouvia falar do vírus na China, ainda incipiente, que matava idosos e crianças na cidade Wuhan, província de Hubei. Autoridades de todo o mundo trataram-no como uma questiúncula, algo sem muita relevância, mas como um rastilho, esse vírus disseminou-se para outras plagas na Ásia, Europa, Oceania, África e América. Destaque para Irã e Itália. Os números são dinâmicos, por isso menciono de forma genérica, o certo é que no dia de hoje, 26 de março, já ultrapassa a marca de 20 mil mortos.

O vírus é oriundo da China, portanto, é um vírus chinês, mas agora um problema de todos, inclusive nosso.  Após ser negligenciado por autoridades máximas de vários países, o Covid-19 se alastrou pelo mundo.

Na última terça-feira, 24 de março, o Presidente da República discursou em cadeia de rádio e televisão, defendendo a revogação da quarentena. Além de ir contra ao que a maioria já exauriu de escutar a respeito, o fato de o Presidente manter sempre um tom belicoso, acirrou os ânimos de eleitores a favor e contra o Presidente.

Em meio a uma crise sanitária sem precedentes, que acarretou uma crise econômica global, aqui no Brasil, a crise se tornou multifacetada, ao ganhar mais um status, o de crise também política, graças a uma polarização exacerbada, que recrudesce a cada período eleitoral.

Os pré-candidatos a prefeitos e vereadores em todo o Brasil começavam a surgir, reuniões eram realizadas, as convenções partidárias para definição dos nomes eram divulgadas. Mas a campanha presidencial para 2.022 começou de forma precipitada. Há em curso uma onda ainda tímida pelo impeachment do Presidente, mas isso é muito improvável, graças ao excelente corpo técnico a disposição na Esplanada dos Ministérios, que sempre desenvolve trabalhos brilhantes, quando instados em suas respectivas pastas. Neste momento, oportunamente, teço loas ao Ministro Mandetta, que vem conduzindo muito bem, o combate ao Covid-19, informando, orientando  e recomendando.

O isolamento horizontal decretado por prefeitos governadores é uma clara e manifesta usurpação do pacto federativo. Nem mesmo o Estado de Calamidade Pública tolhe o direito de ir e vir, assegurado na Constituição Federal/1988, em seu artigo 5.

A crise econômica atingiu diametralmente, todos os setores, alguns entraram em crise antes, e só irão sair depois dos demais, (e.g. turismo) cito aqui um estudo realizado por um importante diretor de rede hoteleira, Sr. Silvio Pessoa. Na Bahia, 4.063 hotéis no estado, sendo 400 em Salvador, todos rigorosamente vazios ou próximos disso. São 26.000 Bares e Restaurantes no estado e 6.000 em Salvador, desde a semana passada sem movimento algum. 200 mil funcionários com emprego direto e 750 mil indiretos, que este mês, com  salários. “No próximo mês, os que ficarão desempregados sem fonte de renda, como sobreviverão? No setor de Bares e Restaurantes 50% voltam bambeando quando a crise passar e outros 50 % não voltarão. O desemprego passará de 13% para 30 ou 40%. Espero não estar vaticinando, mas o horizonte, curto prazo é desesperador”, diz Sílvio.

Ressalto ainda, que o turismo foi o primeiro setor atingido. Um mês antes de o primeiro caso ser registrado no Brasil, as agências, bem como hotéis e companhias aéreas, eram requestadas  a cancelamentos de compras previamente efetuadas. As empresas do setor fizeram campanhas pra protelamento das  viagens, e não o cancelamento, adiando assim, o sonho do consumidor, mas o pesadelo dos profissionais em questão continua, pois nada assevera que os clientes ou pretensos passageiros, terão pelo menos seus empregos, na data reagendada.

O isolamento social horizontal vem perdendo força, pois o mundo não pode parar como podem acompanhar no artigo do jornalista Thomas Friedman do New York Times, https://www.nytimes.com/2020/03/22/opinion/coronavirus-economy.html .

O isolamento vertical beneficia aos grupos de riscos, maiores de 60 anos, crianças e portadores de comorbidades – quando o paciente contrai uma doença em decorrência de outra – assim, o presidente em discurso proferido na terça-feira, dia 24 de março, propôs o fim da quarentena decretada por prefeitos e governadores, em detrimento da opção antagonista, o que de fato, não comprometeria a economia.

A polarização, infelizmente provoca a inércia e a falta de diálogo. Enquanto medidas açodadas foram tomadas, governadores perderam a oportunidade de dialogar, convidar os representantes classistas, sindicatos patronais e afins, e propor ideias para a manutenção do mercado de trabalho.

Espero que com a mesma consciência que o povo se recolheu, nossos governadores tenham a sabedoria de abrir novamente a nossa economia, para que não tenhamos mais vítimas de outros males, que do vírus, que já se tornou assunto recorrente!

Ps – Contribuíram para esse artigo, com dados fiéis, o Sr. Silvio Pessoa, diretor de Rede Hoteleira em Salvador e o Sr. Celso Brito, executivo de resort em Ilhéus na Bahia.

PPS – Enquanto eu escrevia este artigo, recebi a notícia de que em Franca/SP, principal polo calçadista do Brasil, na primeira semana de quarentena, mais de 1000 trabalhadores foram demitidos, alguns sem perspectiva de receberem suas respectivas rescisões trabalhistas.

Max Miguel, cientista político, para Vida Destra, 27 de março de 2.020.

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Reginaldo Brito
2 meses atrás

Exatamente assim. Parabéns, Max!

Gogol
2 meses atrás

Muito bom, Max! O governo está fazendo exemplarmente a sua parte. Governadores e prefeitos que continuarem na sua inércia estúpida pagarão caro, porque o povo não vai perdoar, não vai esquecer.