A Ucrânia vive uma guerra nunca vista.

Os russos só atacam a população civil, hospitais, ambulâncias, hospícios e tentam provocar acidentes nucleares, diariamente.

Seus blindados estacionam em rodovias como se estivessem totalmente seguros contra ataques aéreos. E suas aeronaves poucos alvos ucranianos atacam.

Não há imagens de grandes colunas de veículos e aeronaves destruídas, a não ser pouquíssimas isoladas, que não permitem identificar local e data. Ou seja, não fazem propaganda de seus feitos.

As comunicações do governo ucraniano funcionam perfeitamente e ele participa de “lives” com chefes de Estado e parlamentares estrangeiros.

Refugiados são deslocados para o país invasor, em comum acordo com o governo do invadido que, depois, acusa o primeiro de atacar os comboios.

E a Cruz Vermelha e a ONU (Organização das Nações Unidas), que em qualquer conflito coordenam essas ações, não participam e pouco ou nada declaram, deixando as falas para o governo ucraniano, cujas versões são adotadas, na íntegra, por esses mesmos órgãos e pela imprensa ocidental.

Aviões ucranianos estão em plena atividade, porém, não há um vídeo sequer de algum ataque efetuado contra alvos aéreos ou terrestres.

E, há pouco, por volta de 9 horas (Brasil), assisti, na CNN, a uma reportagem sobre abrigos ucranianos criados para cuidar de animais abandonados em função da guerra. A repórter quase chorava de emoção.

Certamente, há uma guerra e o povo ucraniano está sofrendo muito, e desnecessariamente.

Certamente, a Ucrânia não poderia ter sido invadida pela Rússia.

Porém, a guerra de informação promovida pelo Ocidente e governo ucraniano está escondendo a realidade e dificultando uma solução rápida para o conflito.

Ao contrário, promove uma prolongada resistência ucraniana ao invés de solucionar o conflito.

A única forma rápida de resolvê-lo e cessar a mortandade, depois que permitiram a invasão, seria adotar soluções intermediárias, fazendo concessões.

É momento de Realpolitik, não de observância idealista de Direito Internacional. Putin já está na Ucrânia. Tirá-lo de lá à força envolve riscos de guerra mundial e nuclear. Negociar, significa fazer concessões e desconsiderar normas civilizadas adotadas pelo sistema internacional.

Contudo, o Ocidente, ao que parece, adotou uma terceira opção, a da estratégia indireta visando derrubar Putin pelas sanções político-econômicas e desinformação.

Mas, nesta opção, prolonga-se indefinidamente o conflito e quem paga a conta é o povo ucraniano que, como outros da Europa Central e Leste, é apenas uma peça no ressuscitado e arriscado jogo Ocidente x Rússia, típico dos séculos XIX e XX.

 

 

 

Fábio Sahm Paggiaro, para Vida Destra, 17/03/2022.                                                Sigam-me no Twitter! Vamos debater o tema! @FPaggiaro

 

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