Após o ministro do STF, Kassio Nunes Marques, ter dito que autorizaria a frequência presencial aos cultos e missas, a polêmica sobre a abertura das igrejas na pandemia voltou a estar na ordem do dia. Partidos de esquerda como o Cidadania, criado a partir do Partido Comunista Brasileiro entraram na justiça contra a decisão de Nunes. O coro de “não abra” ganhou apoio nas vozes de jornalistas e senadores de esquerda tais como Mirian Leitão e a senadora do 5G, Kátia Abreu. Entre seus pares, o primeiro a se posicionar contra a decisão foi o Ministro Marco Aurélio. Nesta segunda-feira o decano, Gilmar Mendes, ponderou que “Em um cenário tão devastador, é patente reconhecer que as medidas de restrição à realização de cultos coletivos, por mais duras que sejam, são não apenas adequadas, mas necessárias ao objetivo maior de realização da proteção da vida e do sistema de saúde“.

Segundo a reportagem da CNN (aqui), Mendes considerou o pedido do Conselho de Pastores ilegítimo e reafirmou a decisão dada anteriormente de que a autoridade para abrir ou não igrejas cabe ao poder executivo municipal. A decisão irá a plenário e será apreciada pelo presidente Luiz Fux.

Essa é uma deixa para as igrejas. Oxalá isso desperte e motive líderes religiosos a se posicionarem de modo mais contundente contra a decisão de muitos prefeitos. Esperamos ver mais passeatas como a que aconteceu na cidade de São José do Rio Preto, dia 03/04/2021, em frente à prefeitura municipal, a favor da abertura das igrejas.

Mas, infelizmente, o cenário entre pastores e padres não é assim tão alvissareiro. Pelo o que eu tenho visto, a posição de muitos deles é a de que as igrejas continuem com as portas fechadas por quanto tempo nossas autoridades desejarem.

UMA CASA DIVIDIDA

O mundo cristão está dividido. Muitos aplaudem de pé a decisão de políticos, ministros e médicos que dizem que fechar a igreja é a melhor decisão a ser tomada na pandemia.

A bem da verdade, para muitos líderes é cômodo ficar em casa. Alguns dos pastores os quais eu conheço, que defendem o “ficar em casa” em relação à igreja, encontram-se naquele grupo que se alimenta das informações repassadas pela velha imprensa sem exercitar seu senso crítico. Outros são do grupo de risco. Talvez por isso tenham medo de abrir suas igrejas e serem contaminados. Eu até entendo essa preocupação. Para os vulneráveis, o vírus é realmente mais perigoso. No entanto, observando o discurso que muitos estão reverberando pelas redes sociais, fica a impressão de que somente na igreja, ou pelo menos nela com mais frequência, é que ocorre as contaminações pelo Coronavírus. É claro que isso é uma falácia, já que não existe nenhuma pesquisa mostrando correlação entre o aumento de contaminações pelo Sars-CoV-2 e a frequência às igrejas, até onde eu sei. Se a igreja seguir o protocolo sanitário correto, o perigo de contaminação cai absurdamente. Estes mesmos cristãos que são a favor da igreja não abrir, na maioria das vezes, não se furtam de irem ao mercado (com legítima necessidade), que na minha opinião, é um ambiente bem mais frágil quanto à observância ao protocolo sanitário do que a igreja.

Entretanto, estes pastores que são a favor do fechamento parecem não enxergar um problema ainda maior na obediência às restrições em relação às igrejas a médio e longo prazo. Estou falando de uma ingerência ilegal do Estado sobre a religião. Aos poucos vão implementando um controle absurdo sobre as religiões com a desculpa de que é “para o nosso bem”, “para nossa proteção” ou como disse o ministro Gilmar Mendes, é para “proteção da vida e do sistema de saúde”.

Assim que saiu a decisão de Kassio Nunes, o primeiro a se manifestar contra foi o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Seu governo, disse ele, iria manter as igrejas fechadas. Esse é o mesmo prefeito que em uma entrevista afirmou que “igreja é um saco”. Dentro da visão de mundo nutrida por percepções ateias, agnósticas, satanistas e socialistas, presentes em indivíduos assim e naqueles que compõe os muitos comitês de Lockdown Brasil afora, a frequência aos cultos são além de irrelevantes, perigosas e precisam ser proibidas. Por outro lado, mercados, metrôs, farmácias, emissoras de TV, postos de gasolina, quarteis e outras repartições podem ficar abertos.

A dominação do Estado Leviatã está avançando cada vez mais sobre a vida privada das pessoas ao ponto de decidirem o que é ou não essencial. E eles já decidiram: a igreja não é essencial. A Igreja que comprovadamente é a instituição social que mais recupera pessoas doentes do corpo e da alma foi posta na categoria de irrelevância completa.

O STF, os governantes e médicos não são ignorantes quanto aos efeitos adversos do “fique em casa” sobre a psique humana e suas múltiplas doenças mentais tais como estresse, ansiedade, depressão, suicídio, violência etc. Para essas doenças, a igreja não é só essencial, mas é talvez, em tempos de colapso sanitário, o único meio de atendimento disponível, acessível e de graça para todos.

O PRIVADO VIRTUAL

Não podemos esquecer que o ateísmo sempre lutou para lançar a fé cristã à margem da arena pública. Sempre perseguiu o objetivo de calar a voz da religião, sobretudo cristã, no mundo da coisa pública, vide o trabalho que a ATEIA desenvolve no Brasil todo. Agora a tática não se restringe apenas em cancelar o discurso cristão no mundo das ideias, apelando para a laicidade do Estado. Trata-se de retirar nossa presença até mesmo do espaço físico com o argumento da pandemia.

Se antes o discurso anticristão era amparado pela racionalidade como arma de guerra, agora, em tempos pós modernos, o sentimento de medo parece ser  o instrumento mais eficaz para nos ocultar. Eles querem nos confinar não apenas ao mundo privado, mas em algo mais restrito e impessoal ainda – o privado virtual. E isso com muitas restrições ao gosto do politicamente correto. A despeito de como seja útil as novas tecnologias para as igrejas na atual pandemia, não podemos ignorar que igualmente estamos sujeitos aos seus efeitos colaterais e males quase irreversíveis dela advindos. Podemos observar que este direcionamento para o virtual está sendo implementado de modo sutil e pior, com o consentimento de muitos pastores.  Com isso eles estão minando nossas forças e nos dividindo cada vez mais.

O culto presencial cristão não é importante apenas por questões teológicas, mas sociais e até culturais.

Alguém pode ler este artigo e ver nele nada mais que um exagero, um preciosismo eclesiológico. Diriam alguns que este expediente de “fechar as igrejas” é temporário, logo poderemos voltar ao normal e nos reunir novamente. Sinceramente, olhando o cenário como um todo eu não só discordo disso, mas tenho o dever moral de discordar. Não posso admitir uma visão tão simplista. Engana-se quem pensa que voltaremos a ter nossa vida normal como antes. Novas regras serão implementadas. Teremos um novo normal depois desta pandemia, e eu não sei até que ponto essas novas normas afetarão a vida da igreja.

Mas pelo andar da carruagem o cenário é favorável à movimentos anticristãos que logo culminarão em leis anticristãs e por fim virá a judicialização contra a igreja . É só juntar o quebra-cabeça e você verá um quadro cristofóbico se formando. Jesus disse “sede simples como as pombas e prudentes como as serpentes” (Mateus 10.16). Cuidado povo de Deus!

 

 

Paulo Cristiano da Silva, para Vida Destra, 04/12/2021.
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FABIO PAGGIARO
8 dias atrás

Exatamente, Paulo. A questão não é a pandemia. Esta está sendo instrumentalizada em prol da Cristofobia. Embute a mensagem subliminar de que a religião (as cristãs obviamente) é desnecessária

FABIO PAGGIARO
8 dias atrás

Exatamente, Paulo. A questão não é a pandemia. Esta está sendo instrumentalizada em prol da Cristofobia. Embute a mensagem subliminar de que a religião (as cristãs obviamente) é desnecessária.