Tenho acompanhado a todas as sessões dessa famigerada cpi (letras minúsculas propositais), desde que ela foi instalada, do que são testemunhas quase 80 mil amigos que tenho no Twitter. Quero destacar que tem sido um calvário, são sessões de torturas para a maioria dos depoentes e para quem as assiste.

A uma, porque todos viram que essa cpiada não seria instalada por disposição do presidente do senado, o foi por decisão de uma “suprema corte” que é tudo, menos jurídica. A par de arbitrariedades abusivas e absurdas que vêm cometendo há anos, plenas de inconstitucionalidades, ilegalidade e imoralidades, de violações até ao Pacto de São José da Costa Rica inclusive, os “ministros” daquele grêmio político invadem competências tanto do Executivo quanto do Legislativo, sempre em atendimento a pedidos da oposição ao atual Governo, vindos de parlamentares ou outros atores da vida pública.

O quadro que vemos, por conta disso, é uma total baderna, a violação constante até da Ordem Pública, a ruptura do Pacto Social, um inferno social, tudo em prol de ideologias, do “politicamente correto” que tem vindo antes do correto e, em última análise, de sistemas políticos e econômicos fracassados na História e na Geografia e em favorecimento de criminosos das mais diversas laias, dos corruptos aos traficantes internacionais.

A duas, porque desde o primeiro momento, na constituição da “comissão”, selecionaram os piores senadores para tal missão.

O presidente dessa ópera-bufa é Omar Aziz (PSD), senador pelo Amazonas, que é investigado pelo Ministério Público Federal na “Operação Maus Caminhos”, deflagrada em 2016. Essa operação apura desvios de verbas da saúde, na ordem de R$ 260 milhões, sendo que o nome de Aziz foi citado 256 vezes em 257 páginas do inquérito. A esposa de Omar, Nejmi Aziz, e três de seus irmãos já foram presos por conta desses desvios de verbas públicas da saúde. Aliás, várias pessoas do Amazonas e, em especial, manauaras, disseram-me nas redes sociais que Aziz sequer pode andar pelas ruas da capital, porque pode ser agredido pela população, que tomou-lhe profunda aversão. Indicar um personagem desses para uma cpi que apura crise no Amazonas só pode ter uma razão: NÃO investigar o que aconteceu com as verbas públicas que foram destinadas ao referido Estado, e por extensão, nem aos demais. Aliás, é notório, pelo menos para mim, o medo, o incômodo e o açodamento de Aziz sempre que, em qualquer das sessões, se fala sobre as verbas públicas da saúde transferidas ao Amazonas. O senador, diante de qualquer menção a esses recursos, interrompe, alega que o inquérito é “sigiloso”, desvia o assunto, etc., e essas intervenções de Aziz já aconteceram várias vezes! Mais ainda, Aziz disse, em uma entrevista datada de 16 de abril deste ano: “Não tem governo, seja de direita, centro ou esquerda, que não tenha cometido equívocos nessa pandemia”. Quando li isso, lembrei-me de uma operação, nos anos 80, enquanto policial civil. Depois de meses de investigação, prendemos um traficante na zona oeste de São Paulo e, no porta-malas do carro em que ele estava, apreendemos 5 kg de cocaína. No depoimento, ele disse que a droga era um “equívoco”, que não sabia que se tratava de entorpecente e muito menos como fora parar no porta-malas do carro. Assim é a desfaçatez, a cara-de-pau de criminosos de vários extratos.

O relator dessa farsa cruel é ninguém mais, ninguém menos que Renan Calheiros, personagem que dispensa apresentações, sabido e consabido como um dos parlamentares com vários inquéritos e processos no stf, que simplesmente não os julga, procedimentos que estão mofando nas gavetas daquela infame “corte” há anos, ou décadas, creio. Sobre corrupção, lavagem de dinheiro, peculato, denunciado pela Lava Jato e por crimes diversos, tem até procedimentos sigilosos, que ninguém sabe sobre o quê tratam. Segredos tenebrosos da República? Renan é o senador com maior número de investigações, apontado como um dos beneficiários do Petrolão, sobre ele Nestor Cerveró, em um depoimento de 2012, disse que fora chamado ao gabinete de Renan Calheiros, que reclamou de “falta de propina”… Mencione-se que Renan Filho é governador de Alagoas, e há investigação da PF sobre os recursos transferidos para aquele Estado. Também não custa lembrar que pessoas ligadas a Renan, nos anos 90, terminaram mal. Um sofreu impeachment e outro foi assassinado, junto com sua namorada, cujo nome era Suzana, se não me falha a memória, em circunstâncias nunca esclarecidas, crime pelo qual ninguém foi condenado (se não me engano, os seguranças de PC foram absolvidos). Renan é o tipo de gente que qualquer pessoa de bom senso quer manter longe!

Outro dos atores dessa pantomima é Randolfe Rodrigues, que foi acusado de ter recebido “mesadas” do governador João Capiberibe, no esquema chamado “Mensalinho do Amapá”. Diga-se, a bem da verdade, que essas denúncias, tanto contra Randolfe quanto contra o governador, foram arquivadas em 2013 por Roberto Gurgel, PGR na época. No meu ver, Randolfe é um homem de pouca estabilidade emocional, dado a arroubos que chegam a ser cômicos, gritos e pulinhos. Tem notória orientação socialista, diga-se por fim.

E um coadjuvante de peso é Humberto Costa, senador que, pelas redes sociais, tem e teve contra si vários processos e inquéritos. Já foi ministro da saúde, cargo em que foi acusado, e até indiciado pela PF, de ter recebido propinas em desvios de verbas públicas que chegaram a R$ 2 bilhões naquele ministério, sobre compra de hemoderivados (“máfia do sangue”). Foi absolvido dessas acusações, contudo. A operação da PF chamava-se “Vampiro”, e hoje é comum que internautas nomeiem Costa como “Drácula”, por conta do suposto nome que teria nas planilhas de propinas da Odebrecht.

Outros integrantes da cpi vão na mesma toada, como Eduardo Braga, contra quem consta haver pelo menos 12 processos em que figura como réu, no stf – sem considerar outras instâncias.

Pois bem. Essa nata da política do velho “status quo” assumiu essa “comissão” famigerada. Afora o primeiro depoimento, de Mandetta, foram especialmente agressivos, e até cruéis, com todos os outros depoentes. Renan chegou a ameaçar de prisão a Fábio Wajngarten, no que foi secundado por Fabiano Contarato, senador que sequer é membro da comissão, mas que “deu palpite”.

Nas duas últimas sessões, dedicadas à oitiva de Pazuello, contudo, muitas das narrativas da oposição caíram por terra. Pazuello foi muito firme em suas respostas, comprovando-as com documentos que tinha em mãos, e ontem a intervenção do senador Marcos Rogério simplesmente destruiu os argumentos que visam “demonizar” a hidroxicloroquina como se fosse veneno. Mais ainda, Pazuello isentou o Presidente de qualquer responsabilidade, que chamou para si. Como bom guerreiro, pôde dizer: missão cumprida!

Quem me acompanha no Twitter viu a série de postagens que tenho feito sobre o circo, não vou me alongar sobre isso, mas é visível nas redes o desespero dos cúmplices da esquerda derrotada e rancorosa neste país, que “deu recibo” do furo n’água.

O ponto do meu artigo é que já ficou muito claro que esses senadores querem, a todo custo, acusar o Presidente da República de genocídio ou outro crime comum e/ou de responsabilidade, visando claramente derrubar o atual governo. O genocídio tem tipo penal na Lei 2.889/56, como “intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

Bom, da lei se depreende que o crime tem que ser, obrigatoriamente, doloso, isto é, intencional, e tem que se referir a coletividades definidas, os grupos étnicos, nacionais, raciais ou religiosos – não fala em grupos políticos ou quaisquer outras coletividades definidas.

Pois bem.

Acusar o Presidente da República de tamanha barbárie é, no mínimo, calúnia, e mais além, um risco muito grande, que pode voltar nas caras dos famigerados parlamentares e acólitos.

Muito provavelmente, um relatório nesse sentido já está até redigido, dizem as más línguas, por Renan e Humberto Costa. Mas é perceptível, das conduções dos interrogatórios, a intenção do relator e outros senadores de “arrancar” dos depoentes “provas” nesse sentido.

A par de nada ter sido configurado e nem apurado quanto ao dolo ou quanto às coletividades definidas na lei citada acima, é preciso que se diga que uma acusação de tal porte teria que ser feita por alguém com MUITA credibilidade, e que gozasse de amplo apoio popular, o que, certamente, nenhum dos citados neste artigo tem!

Muito pelo contrário, conquanto a “imprensa” não tenha divulgado adequadamente, o que vi nas ruas, em 1º e 15 de maio últimos, foi um massivo apoio ao Presidente da República.

Agora, Aziz quer um “relatório preliminar”, e ainda nada foi apurado sobre os recursos enviados a Estados e Municípios – o que evidencia que não querem investigar isso.

Se acusarem o Presidente, podem jogar este país em um sério conflito. A indignação do povo, dos apoiadores do Presidente e até daqueles que sabem quem são Renan, Costa, Aziz, Braga, etc., irá transbordar.

 

 

Fábio Talhari (O Mosquito), para Vida Destra, 21/05/2021.                                                Sigam-me no Twitter! Este artigo é um convite ao debate! @FabioTalhari              Inscrevam-se no meu canal no YouTube

 

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Lizlange
Lizlange
3 meses atrás

Ótimo artigo, Professor Fábio Talhari, quem acompanha a “cpi”, sabe que ela se parece mais com uma inquietação, do que com outra coisa. Um absurdo de gasto de tempo e de recursos.

Simone
Reply to  Lizlange
3 meses atrás

*INQUISIÇÃO”, vc quis dizer, não é?!

Jorge Ribeiro
Jorge Ribeiro
3 meses atrás

Excelente artigo. Parabéns.

professordavidson@hotmail.com
professordavidson@hotmail.com
3 meses atrás

Bingo!! Perfeito, amigo Fábio Talhari.

Nancy de Matos
Nancy de Matos
3 meses atrás

Excelente artigo Fábio!

, meu filho lendo hoje para mim alguns trechos de um dos livros que lê, e de repente tropecei num parágrafo interessante:

“Com a ajuda de sua carta de proteção, Kara Ben Nemsi consegue evitar a prisão, mas concorda em enfrentar um tribunal comum. O julgamento é uma farsa. O líder dos contrabandistas, o Säfir, é o promotor…”
Livro: No reino do leão de prata II
Karl May, Publicado 1898

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