Recebi de uma amiga querida, que aqui vou chamar de Cláudia B, um vídeo do canal “@faxinaboa”, da Verônica Oliveira, que transcrevo abaixo:

“As pessoas, elas assumem que você é burra porque você trabalha no serviço doméstico. E se eu conversar sobre filosofia, conversar sobre economia, se eu conversar sobre a situação política? 

Se eu falar para a pessoa que eu falo duas línguas? A pessoa ficou “meio assim”, e eu acho estranho. “Então por que você faz isso?” 

Eu trabalho porque eu gosto, porque ele sustenta minha família. 

As pessoas realmente me veem como uma pessoa inferior. Tanto que a gente não tem nome né? É a tia, a tia que limpa. 

Não existe subemprego a partir do momento que você está fazendo uma coisa que outra pessoa não consegue fazer. E não é porque ela não sabe, ela pode não querer, não ter tempo, não gostar ou ela pode não saber mesmo. 

Tem muita gente que não sabe, e eu não soube por muito tempo. 

Então, se o cara dirige o ônibus e você precisa andar de ônibus você não precisa, não deve, e não pode achar que esse cara é inferior a você. 

Ele está prestando um serviço que você precisa. E essa pessoa, é a sua manicure, o cara que serve sua bebida, a pessoa que tira as fotos do seu casamento. São todas as pessoas que prestam serviços e todas elas são maravilhosas e às vezes as pessoas se acham muito, “porque eu sou um publicitário”, “eu sou isso, eu sou aquilo”. Você é um prestador de serviço também, cara. Você não tem porque achar que um emprego é melhor que o outro.”

Me lembrei, na hora, de um dito popular!

“O trabalho dignifica.” 

Descobri também que comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho é um presente de Deus.” (Eclesiastes 3,13)

Os ditos populares e, principalmente, os antigos, aqueles que vem de nossos pais e avós, são reflexos da vida.

Então, se o trabalho dignifica, todos merecem ser reconhecidos, e ninguém deve ter vergonha da profissão que exerce.

E este pensamento, me levou a outro dito popular.  “A educação vem de casa.”

Certos profissionais, não precisariam ter vergonha de seu ofício, se quem os cercam, tivessem um mínimo de educação.

Como já falei em outro artigo, meu pai podia não ser exemplo para o mundo, mais foi um grande exemplo para os filhos. E, na mesma linha, seguia a minha mãe.

Lembro de minha infância e, por ainda não estar no colégio, deveria estar beirando os cinco ou seis anos, via meus pais irem trabalhar. Meus tios e duas meninas vizinhas, que não eram muito mais velhas que eu e meus irmãos, se reversaram a cuidar de nós.

E lembro, lá pra 1972, que meus pais, ao saírem para trabalhar, um após o outro, chamavam meu irmão (um ano mais novo) e eu, e nos falavam: “Fulano(a), está cuidando de vocês, ele(a) é responsável pela casa. Então, quando eu chegar, se tiver reclamação de desobediência ou malcriação, vocês vão ficar de castigo.”

E assim, era. Tempo de uma educação conservadora, pois o Brasil era muito mais conservador do que hoje.

Lembro, também, que nessa época, que eu e meu irmão saíamos de carrinho de mão, a catar estrume de vaca, para vender a uma vizinha que tinha um jardim enorme, pois ela usava como adubo.

Um pouco depois, já no colégio, deveria estar com uns oito anos, minha mãe passou a trabalhar com costura, em casa. Fazia short e camisas de crianças, que meu pai, aos sábados e domingos, ia vender na feira, levando meu irmão e eu junto. Ou seja, trabalhamos desde muito cedo. E não existia mimimi, por causa do trabalho da garotada. Era saudável, pois todos cresciam com responsabilidade.

Esse respeito e essa responsabilidade foram postos em nós, por nossos pais. São valores cristãos e conservadores.

E das minhas experiências, posso dizer que essa de atitude traz recompensas, que só quem ganha sabe como é!

Sempre que ia a um banco, a trabalho, ia cedo para evitar filas (hábito que mantenho até hoje) e, ao entrar no banco, sempre cumprimento os seguranças, mesmo depois de passar um tempo naquelas portas giratórias horrorosas.

Depois de um tempo o escritório trocou de banco. E um dia, quando estava na fila, esperando para entrar, chegou o carro-forte. Os seguranças desceram e se posicionaram. Mas teve um, que saiu da posição e se encaminhou para a fila, ali formada. Com uma 12 mm na mão, chegou perto de mim, e me disse: 

“Bom dia! Como você está? Sumiu?”

Ou seja, depois de tanto tempo, ele se lembrou de mim.

Isso é uma coisa que não tem preço!

Provavelmente ele lembrou de mim, porque eu devia ser um dos poucos a desejar-lhe um “bom dia, boa semana, ou bom fim de semana” ao entrar e sair do banco.

E assim sou com a caixa do mercado, com o motorista do ônibus, com o gari que varre as ruas, com o faxineiro do prédio.

Até hoje, ao sair para caminhar com minha filha, são tantas as pessoas que me cumprimentam na rua, que ela fala: “Mas, pai, você conhece todo mundo!”

A educação vem de casa, da família. 

E o que torna as pessoas invisíveis, não é a profissão que ela exerce, é a educação de quem as vê.

E não há pressa, tristeza, cansaço ou revolta, que transforme uma pessoa educada, em um mal-educado.

E o que mudou de minha infância até os dias presentes? 

Sei que muitos pais, trabalham fora, dias corridos, as crianças normalmente dependem de escolas e creches. Mas por minha vida escolar, entendo que até a educação mudou (bons tempos de OSPB, Moral e Cívica, e educação para o lar). 

Mas não posso deixar de falar, e isso é o que eu penso: mudou desde o momento que a política de esquerda entrou na sala de aula. Tiraram a parte educativa e o afeto da família, substituindo pelas ideias de Paulo Freire. 

Acabou a educação, começou a doutrinação. Nem tudo, nem todos importam.

Hoje, seria necessário criar uma ONG para ensinar bons modos (que estão em extinção), pois a esquerda jamais se preocupou com isto. Reclamam de tudo: da agressividade e da violência, mas o Estado esquerdista não transmite amor em sala de aula.

Para a esquerda basta lacrar. 

Quem não lhe interessa, se torna invisível.

 

Adilson Veiga, para Vida Destra, 29/09/2020
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Luiz Antonio
26 dias atrás

No estupendo artigo de @AJveiga sobre os invisíveis, que esbarramos a toda a hora quando estamos na rua e os cumprimentamos porque a educação vem de berço. Agora, a palavra-chave “trabalho” porque uns e outros vivem nas tetas do Governo.

Nunes
Admin
26 dias atrás

Excelente artigo. Não tem como relembrar dos pais, avós e tios.
A educação de hoje não é igual antigamente. Até isso os progressistas estão destruindo: família.

Fábio Sahm Paggiaro
26 dias atrás

Excelente, Veiga. A indignidade está no preconceito e memória (ou a falta dela) das pessoas. Neste país, dificilmente haverá alguém, mesmo q bilionário, cujo bisavô não tenha trabalhado na roça, sido operário ou empregado em alguma prestadora de serviços ou comércio. Isso só engrandece as pessoas.

Moises
Moises
26 dias atrás

Concordo plenamente!!

Sander Souza
Sander Souza
25 dias atrás

Parabéns pelo excelente artigo e pelo tema abordado!
Lido e compartilhado!