As incertezas quanto ao resultado das eleições nos EUA e a certeza de um número absurdo, realmente elevado, de fraudes eleitorais por quase todos os estados da federação, levantam infindáveis questionamentos acerca do futuro da maior potência do planeta. A partir de agora, algumas delas serão destrinchadas para uma melhor compreensão do panorama político e geopolítico que aguarda tanto os EUA, quanto o resto do mundo a partir de 2021.

Qualquer que seja o resultado nas eleições americanas, haverá contestação por parte do postulante à presidência que for derrotado. Biden, apoiado pelo Deep State, pela Big Tech e pela mídia parcial americana, tem a seu lado um exército (terroristas?) da Antifa e do BLM, que há meses vem causando todo tipo de alvoroço e transtornos por todo o país. Do outro lado, Donald Trump conta com um Senado de maioria republicana e uma Suprema Corte de maioria conservadora, bem como conta com o apoio maciço da chamada “maioria silenciosa” dos EUA, bem como das milícias armadas regulamentadas, perfeitamente legais no país e garantidas pela Segunda Emenda: “A well regulated militia, being necessary to the security of a free State, the right of the people to keep and bear Arms, shall not be infringed” – em português “Uma milícia bem regulamentada, sendo necessária para a segurança de um Estado livre, o direito do povo de possuir e portar armas, não deve ser infringido”.

O choque dessas duas frentes verticalmente opostas parece ser inevitável, ou pelo menos muito provável, e os Estados Unidos caminham para uma provável conflagração generalizada, ou até uma guerra civil, outrora inimaginável na maior democracia da Terra.

É importante salientar que os efeitos nocivos de uma conflagração geral, ou pior ainda, de uma guerra civil em uma potência mundial, tem influência irremediável em todas as outras nações do planeta. O caos social que se avizinha nos EUA, inclusive com estados liberando até mesmo drogas sintéticas como cocaína e heroína, poderá levar inclusive a um desmembramento da federação. Um processo de balcanização dos Estados Unidos poderá ser visto em qualquer cenário de desfecho das eleições, seja em estados com movimentos separatistas democratas, seja em estados com movimentos separatistas republicanos, facilitado pela liberdade e independência de leis que possuem, bem como a Segunda Emenda que permite a defesa da liberdade de um Estado livre. Vale relembrar que a Segunda Emenda não foi criada tendo em vista criminalidade urbana, que praticamente não existia à época, mas sim tendo em vista a defesa da liberdade do povo perante um possível governo tirano e/ou ameaça estrangeira.

Neste contexto, teremos uma substancial mudança no cenário geopolítico mundial. Paradoxalmente, o enfraquecimento dos EUA, significa também o enfraquecimento de sua principal adversária no campo das Relações Internacionais, a China. A polarização entre as duas potências as tornaram, de certa forma, interdependentes, principalmente do ponto de vista econômico, e a desestabilização americana significa uma inevitável desestabilização chinesa. Observando este cenário, a Europa passa a dar sinais de união contra a imigração desenfreada, bem como contra as imposições tecnológicas chinesas. Quem entra como novo ator importante neste momento é a Rússia, que além de ter a Europa quase toda dependente de seu abastecimento de óleo e gás natural, passa a ser artífice importante no equilíbrio de forças com Pequim.

Na Ásia, depois dos efeitos da pandemia, que afetaram bastante a reputação chinesa, o eixo de influência passa a deslocar-se da China para a Índia que, assim como seus vizinhos chineses, propicia mão-de-obra extremamente barata para todo o planeta, mas com a vantagem de um regime político e econômico muito mais aberto, acordos internacionais mais abrangentes, abertura a observadores de Direitos Humanos e um potencial armamentista que impossibilita uma retaliação chinesa – a Índia também é uma potência nuclear.

Mas e o Brasil, como se posiciona dentro desse possível novo panorama geopolítico?

Bolsonaro, observando há muito tempo o tabuleiro das Relações Internacionais, vem diversificando as parcerias do Brasil com o resto do mundo. Recentemente vimos inclusive uma aproximação do Brasil com Moscou, com Putin tentando “seduzir” o Brasil, apresentando a Rússia como possível porta de entrada para acordos importantes dentro da União Europeia. Aqui é preciso esquecer o ranço comunista que ainda existe na Rússia e lembrar que Putin é inteligente, bem como  que o mercado russo é muito atraente, valendo também a lembrança de que, apesar de ainda apresentarem ideologias econômicas esquerdistas, a sociedade russa é extremamente conservadora nos costumes, convergindo em alguns pontos com a maioria da sociedade brasileira atual, o que torna menos difícil a comunhão comercial das duas nações.

O Brasil possui cerca de 244 mil toneladas de urânio, com pesquisas indicando potencial para mais 300 mil toneladas em outras regiões ainda não exploradas: é exatamente atrás do urânio que a Rússia está. As parcerias com os russos poderiam até erguer o Brasil ao posto de grande potência nuclear, e a região Norte e Nordeste seriam as mais beneficiadas com uma possível extração e enriquecimento de urânio no país.

O Agronegócio, todavia, segue como principal trunfo brasileiro. Hoje, mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo dependem do Brasil para se alimentar. Graças aos investimentos do Governo Bolsonaro com o agronegócio, novos mercados estão sendo conquistados, principalmente no Oriente Médio, e a produção agrícola ampliada e cada vez mais desenvolvida, bate recorde de produção e exportação. Vale salientar também os trabalhos incansáveis com a infraestrutura de transportes e escoamento de produção, para uma dinâmica cada vez mais eficaz no tratamento dos commodities brasileiros.

Engana-se quem pensa que o Brasil é dependente “apenas” da China ou dos EUA. Embora as parcerias com as duas maiores potências do mundo sejam importantes e não possam ser perdidas, a diversificação de mercados faz com que o Brasil tenha muito mais acesso a diversas partes do planeta e faz com que esses mercados sejam dependentes de nossa produção para sua alimentação, o que eleva o Brasil a um posto de destaque, como uma potência emergente que cada vez mais aproxima-se de sua consolidação.

Com a possível queda do “Império Americano” e/ou do “Império Chinês”, a trinca Brasil, Rússia e Índia passa a ter importância primordial no processo de tomada de decisão a nível mundial.

Concluindo, àqueles que estão ansiosos com o resultado das eleições nos Estados Unidos, acalmem-se. O Brasil está preparado para aproveitar o melhor dos dois mundos e seja qual for o desfecho do imbróglio norte-americano, teremos maior protagonismo no tabuleiro geopolítico e nas relações comerciais de todo o planeta.

Lucas Jeha, para Vida Destra, 6/11/2020.

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Sander Souza
2 anos atrás

Parabéns pela excelente análise, Lucas!
Artigo Lido e compartilhado!

Nunes
Admin
2 anos atrás

Lido e compartilhado. Excelente visão a respeito do tema. Oremos

Benedito Ricardo
Benedito Ricardo
2 anos atrás

Excelente artigo. Parabéns!

Angelo Lorenzo
2 anos atrás

Parabéns, Lucas!
Sua abordagem demonstra o quanto você é um profundo estudioso da geopolítica mundial, com perspectivas realistas e não meras teorias da conspiração.
Um primor de análise que nos põe em oração, para que o mal não triunfe.

Beatriz
Beatriz
2 anos atrás

OTIMISMO DE LONGO ALCANCE.
PREOCUPO-ME, MAIS, SE BIDEN VENCER, COM O AVANÇO DO SEU “PROGRESSISMO” .
QUANTO À “VINGANÇA” DO BIDEN SE A AMAZÔNIA NÃO FOR TRATADA COMO ELES QUEREM ?

Sonia Campos
Sonia Campos
2 anos atrás

Perfeita análise!!

Luiz Antonio
Luiz Antonio
2 anos atrás

No primoroso artigo de @LucasJeha, não vejo, do mesmo ponto de vista, de que o enfraquecimento dos EUA gere também o da China, pelo contrário, a vitória de Biden significa a vitória da Huawei. E as consequências serão nefastas para o Brasil em termos de cobranças mundiais sobre a Amazônia.

Carlos Leão
2 anos atrás

Um texto irrepreensível, oportuno e necessário. Diria apenas que a eleição de Trump será um alento ao conservadorismo que busca sua retomada no mundo, a bem da família, moral e costumes, pilares inabaláveis de uma nação livre e que estão sendo minados pela esquerda de Lúcifer. Parabéns, Lucas. Excelente leitura.

Dai Pereira
Dai Pereira
2 anos atrás

Excelente análise, Lucas! Um texto bastante informativo e com uma abordagem cativante. Estive presa do início ao fim! Um tema que deveria ser mais abordado…

Adilson Veiga
2 anos atrás

Parabéns pela análise Lucas!
Provavelmente, esse será o cenário, se nós eleitores, fizermos a nossa parte corretamente!

Ananda Vieira
Ananda Vieira
2 anos atrás

Parabéns Lucas, sucesso, a cada ano que passa você fica mais inteligente, sagaz e muito me impressiona, você é um exemplo a ser seguido!

Pena que eu coloquei a foto no lugar errado kk

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Last edited 2 anos atrás by Ananda
Ananda
Ananda
2 anos atrás

Parabéns querido Lucas, Deus abençoe sempre, está perfeito!
Fico admirada. Sucesso!

Matheus Fazzeri
2 anos atrás

Uma boa analise! Apesar de, em minha opinião, o Brasil ainda sim sairá ganhando, ou pelo menos não perdendo.