A crise com o novo coronavírus fez despertar na China os mais nefastos comportamentos governamentais desde o período ditatorial de Mao Tsé-Tung.

Graças a manobras dentro do Partido Comunista Chinês, que alteraram a constituição do país em 2018, Xi Jinping poderá permanecer no poder até sua morte e, utilizando-se desta mudança, utilizou a pandemia para promover o expansionismo chinês de forma virulenta, tanto no ambiente econômico, com a compra de diversas empresas estrangeiras, quando no ambiente geopolítico, através de conflitos e ameaças contra Estados soberanos.

O comportamento autoritário da ditadura chinesa, entretanto, gerou um efeito colateral extremamente negativo, com o despertar do mundo civilizado contra as arbitrariedades cometidas por Xi Jinping. Até mesmo históricos aliados políticos e militares da China, como a Rússia se tornaram alvos da sanha chinesa pelo controle da economia mundial. As respostas às atitudes chinesas escalam de forma veloz e isolam cada vez mais uma das maiores tiranias do século XXI.

No início de julho, o governo chinês reivindicou a cidade de Vladivostok, maior cidade portuária da Rússia na região do Pacífico, como parte de seu território, em uma clara tentativa de expansão territorial rumo aos territórios do extremo oriental russo, gerando enorme tensão com Moscou.

A investida por territórios estratégicos do Pacífico não foi a única da ditadura do Partido Comunista Chinês. Na fronteira com a Índia, soldados chineses invadiram o lado indiano, reivindicando a posse do Vale de Ladakh e assassinaram militares indianos. O governo indiano, em resposta, deslocou forças militares para a fronteira. O conflito deixou dezenas de soldados chineses mortos e obrigou Xi Jinping a recuar.

A resposta indiana, além do âmbito militar, incluiu a exclusão de mais de 100 aplicativos chineses, que estão agora proibidos em todo o território do país com quase 1,5 bilhão de habitantes.

A supressão de liberdades individuais em Hong Kong e a perseguição aos muçulmanos uigures, também foram fontes de diversas manchetes internacionais, demonstrando mais uma vez o caráter atroz do regime chinês, acusado de diversos crimes contra a humanidade, como a presença de campos de concentração e o genocídio através de esterilização forçada, tendo como resposta, sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e também pelo Canadá – o segundo, interrompendo inclusive a exportação de material bélico para o regime chinês, que em resposta ameaçou o governo de Trudeau, mencionando, inclusive a possibilidade de “todo tipo de consequências” como forma de intimidação.

O expansionismo chinês também se apresenta através da tecnologia. Aplicativos como o TikTok, vem sendo alvos de acusações de espionagem, bem como a gigante chinesa Huawei que já foi banida em diversos países, como Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia e poderá ser banido em toda a União Europeia.

O aumento da adesão às sanções ao regime chinês começa a dificultar a conhecida chantagem comercial praticada pela China em todo o planeta. Cada vez mais isolada e com uma população de quase 1,5 bilhão, a China depende da importação de commodities para sua sobrevivência. Através da união ocidental contra a ameaça expansionista chinesa, o Partido Comunista Chinês encontra-se cada vez mais acuado.

As acusações sobre uma possível ação deliberada de contaminação mundial com o novo coronavírus, as acusações de uma possível fabricação do vírus no laboratório de Wuhan, além das evidências de infecções desde agosto de 2019 que teriam sido ocultadas pelo governo chinês – bem como a letargia no alerta às demais nações – levaram a diversas reações mundiais.

No Japão, diversas empresas que atuavam em solo chinês, fecharam suas portas e reabriram em solo japonês, auxiliados inclusive pelo governo de Shinzo Abe que ofereceu vantagens às empresas que retornassem ao país.

A União Europeia passou a considerar o regime chinês como fonte de desinformação sobre o coronavírus, um movimento geopolítico raro que mais uma vez ilustra a insatisfação do mundo civilizado contra os absurdos cometidos pela China.

Em meio à reação internacional – e absolutamente deslocado da realidade – Xi Jinping declarou em congresso comunista que “chegou a hora da China liderar o mundo”, uma afronta inaceitável para qualquer doutrina das Relações Internacionais.

Nos Estados Unidos, tradicionais adversários políticos e ideológicos da ditadura chinesa, as sanções já deixaram de ser apenas econômicas e passaram para a esfera diplomática. Acusados de espionagem com relação às pesquisas norte-americanas com vacinas para o novo coronavírus, funcionários chineses do consultado de Houston, no Texas, queimaram diversos documentos, em atitude suspeita, pouco antes do seu fechamento.

Em retaliação, o governo chinês em ato teatral, fechou o consulado norte-americano em Chengdu, todavia, o consulado não possuía atividade há meses, o que sugere um blefe diplomático por parte da ditadura comunista.

Comportamentos autoritários e expansionistas são, historicamente, movimentos fracassados. A partir do momento em que o mundo se dá conta de uma ameaça deste cunho, a reação conjunta sempre resulta em derrota por parte daqueles que anseiam pelo controle mundial. Assim foi com os grandes impérios da humanidade, bem como com as potências militares que, um dia, arriscaram-se a dominar territórios alheios, como a França de Napoleão, a Alemanha de Hitler e a União Soviética.

Com a China o destino não será diferente e a história mais uma vez começa a se repetir. Dificilmente teremos a escalada de um conflito militar à nível mundial, todavia, já vivemos uma nova Guerra Fria, com apenas uma diferença em relação ao conflito entre Estados Unidos e União Soviética. Desta vez, todos os atores internacionais estão envolvidos e os interesses econômicos, cada vez mais interdependentes, poderão facilitar ao mundo um possível isolamento chinês, em um reequilíbrio de potências, onde países como Índia e Brasil, poderão assumir um importante protagonismo.

 

Lucas Jeha, para Vida Destra, 31/7/2020.
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Lucas Jeha
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Adilson Veiga
11 dias atrás

Parabéns pelo artigo! Descreveu minunciosamente, todas as mexidas feitas no tabuleiro pela ditadura chinesa. E com certeza, em um mundo globalizado como hoje, não vão se criar.

Livio Oliveira
11 dias atrás

Congratulações pelo artigo Lucas!

Sander Souza
Sander Souza
11 dias atrás

Excelente artigo, Lucas! Parabéns!
Durante muito tempo o mundo fechou os olhos para as atrocidades cometidas pelo governo chinês, em nome do lucro fácil!
Já estava na hora do mundo deixar de pensar apenas na questão comercial, e passar a tratar a China pelo que ela é de verdade, uma ditadura comunista sanguinária com planos expansionistas!

Dai
Dai
11 dias atrás

Parabéns, Lucas! Artigo incrível e muito informativo.

Christian Andreotti de Freitas
Christian Andreotti de Freitas
10 dias atrás

Muito bom, Lucas! Parabéns!

Nunes
Admin
10 dias atrás

Excelente Jeha.