Aprendi o Hino Nacional na infância. Tive muito orgulho quando consegui cantá-lo de cor, mesmo sem entender o significado de todas as palavras ou a ordem inversa na construção de algumas frases. Seria tão mais fácil se ao invés de “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/De um povo o heróico brado retumbante”, Osório Duque Estrada, o autor da letra, tivesse escrito ”O brado heróico e retumbante de um povo foi ouvido às margens plácidas do Ipiranga”. Muito se discutia se o “as margens plácidas” tinham ou não crase. Enquanto alguns defendiam a existência da crase, outros falavam em licença poética do autor da letra. Ainda assim, quando criança, eu fiquei mais em dúvida quanto ao significado das palavras “brado”, “retumbante” e “plácida” do que saber se margem era ou não capaz de ouvir.

Mas tudo bem, pelo menos aprender a cantar o Hino, além de desenvolver em mim o sentimento de patriotismo, ajudou a enriquecer meu vocabulário.

Anos mais tarde, quando entendi completamente o conteúdo do Hino, passei a admirá-lo pelo significado. É bem verdade que sempre o considerei longo e não raro, como muita gente, me atrapalhei algumas vezes ao cantar a segunda parte, mas jamais aceitei muito bem que em competições e outras solenidades, a segunda parte tenha sido excluída. Imagino que a culpa disso seja a longa introdução feita pelo compositor da música, Francisco Manoel da Costa. Afinal, quase todos os hinos nacionais de outros países começam com letra e música simultaneamente. Há exceções, claro, e o nosso Hino é uma delas. A rigor, a introdução tem um pequeno poema de exortação que, mais que cantado, é declamado.

Algumas partes de nosso Hino sempre me chamaram a atenção. Um exemplo disso é a que diz “Em teu seio, ó Liberdade, desafia o nosso peito a própria morte”. Isso é muito forte. Contém um recado claro: pela Liberdade, um patriota desafia a morte, pois melhor é morrer que se submeter ao jugo de outrem. Difícil é ver algo assim na prática, mas o ideal está aí, expresso sob a forma de palavras e uma declaração de compromisso.

Mas, a parte do Hino que sempre me emocionou ao cantar é da penúltima estrofe que diz “(…) se ergues da Justiça clava forte/Verás que um filho teu não foge à luta/Nem teme, quem te adora, a própria morte”. Essa parte tanto me emocionou quanto me deixou em dúvida: será que algum dia eu veria alguém, um brasileiro, colocando isso em prática? Haveria um dia um patriota capaz de lutar pela Justiça sem temor de morrer e continuar expondo o próprio peito à morte por amor à Pátria?

Pois no último 7 de Setembro, quando o Brasil comemorou seu 197º aniversário de Independência, eu vi as lágrimas de emoção escorrendo pelo rosto de nosso Presidente, enquanto ele cantava o Hino Nacional. Naquele momento compreendi que ele é o patriota que eu sempre quis saber se entre nós existia, pois ele, por amor à Pátria, expôs o peito à morte. E, tendo sobrevivido, por adorar a Pátria, continua se expondo sem demonstrar temor.

Irmãos e irmãs brasileiros por nascimento ou de coração, nosso Hino Nacional conta parte da história desse homem que aceitou a missão de conduzir este país com dedicação e honra. Pelo que ele mostrou ser capaz, o mínimo que podemos fazer é confiar nele e apoiá-lo, pois patriota melhor que ele jamais se viu. Não é o salvador da Pátria que muitos esperam, não é o mito e nem o perfeito que muitos exigem, tampouco é o infalível que muitos querem, mas é um verdadeiro patriota que coloca o Brasil acima de tudo, inclusive da própria vida. Não foi por alguém assim que esperávamos?

Laerte A Ferraz para Vida Destra 9/09/2019

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Advogado, jornalista e publicitário. Escritor, articulista, palestrante e consultor empresarial em Marketing e Comunicação
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