Um dos fatos que mais atordoa a esquerda mundial é a fé milenar dos conservadores. Desde Marx e Lenin, passando por Stalin, Trotsky, Mao até chegar a FHC e tutti quanti, todos os ideólogos de esquerda, sem exceção, se surpreendem como este simples fato: como é possível que patrões e empregados, “exploradores e explorados” (segundo a visão marxista) possam se sentar e confraternizar, lado a lado, em um culto cristão.

Culto na Idade Média

Suas tentativas para destruir a fé das pessoas atravessou a história e continua nos dias de hoje, como pode ser visto neste vídeo, que postei no YT, explicando a origem desta meta a partir do texto A Questão Judaica, de Marx.

O fato de tornarem o Partido uma religião e idolatrarem seus líderes como se fossem deuses, é uma questão que deixo para outra ocasião. No momento, me detenho em outro aspecto religioso da ideologia marxista, a mãe de todas as correntes de esquerda.

É que eles creem – sim, creem! – numa forma especial de surgimento do socialismo, já denunciada por Eric Voegelin. Eles imaginam que, destruída toda forma capitalista em algum evento cataclísmico reduzindo a cinzas toda a civilização conhecida, a nova forma de vida seria, necessariamente, socialista.

As teorias de ateus e socialistas que creem num fato mágico vem, provavelmente, de um texto originalmente excluído pelo próprio Marx, das primeiras edições de A Ideologia Alemã e posteriormente relançado como apêndice à obra, sendo analisado por marxistas contemporâneos. Nesta passagem, que seria parte do capítulo “II. São Bruno”, seu ex-amigo e então rival Bruno Bauer é chamado de “santo padre da Igreja”:

“O santo padre da Igreja muito se surpreenderá quando sobre ele se abater o dia do Juízo Final, dia em que tudo se cumprirá – um dia cuja alvorada será feita do reflexo, no firmamento, das cidades em chamas -, quando, em meio àquelas “harmonias celestes”, ecoar em seus ouvidos a melodia da “Marseillaise” e da “Carmagnole”, acompanhada do habitual rugir dos canhões, e a guilhotina a marcar o compasso; quando a “massa” abjeta bradar o ça ira, ça ira e suspender a “autoconsciência” nos postes de luz.” (A Ideologia Alemã, Marx, 1845-46, Ed. Boitempo)

Marseillaise, Carmagnole e Ça ira (pronuncia-se “sá irá”) são canções revolucionárias entoadas na Revolução Francesa de 1789. É da Ça ira que Marx cita o martírio cristão imposto pelos romanos, que os incendiou para serem usados como “postes de luz” iluminando as ruas de Roma.

De toda forma, a expressão “Juízo Final” inspirou os marxistas a crerem no nascimento espontâneo do socialismo a partir de um evento apocalíptico, já que, segundo a teoria original de Marx, o Capitalismo teria, dentro de si, o germe de sua destruição natural: o próprio socialismo. Para ele seria apenas questão de tempo para que toda a sociedade capitalista ruísse e o socialismo, finalmente, surgiria como a salvação da humanidade em escombros.

E, coincidência ou não, provocado ou não, a famigerada peste vermelha está aí para servir de teste definitivo à teoria do apocalipse marxista. A “segunda onda” a devastar a economia e gerar milhões de desempregados no mundo todo é, veladamente, a última esperança marxista do socialismo.

E nós brasileiros, ainda enfrentamos o vírus político que ataca monstruosamente o Governo Federal, especialmente a pessoa do Presidente da República, mesmo em tempos de pandemia vermelha, como se não tivéssemos problemas o suficiente para nos preocupar. 

Apesar da teoria marxista, Eric Voegelin, na sua grande coleção sobre a História das Ideias Políticas, logo na Introdução do primeiro livro “A desintegração espiritual” analisando o colapso da pólis, a antiga cidade grega – uma espécie de cidade-Estado, fosse por uma guerra ou outro evento de extrema gravidade observou o surgimento de um período apolítico e, consequentemente, não religioso. Totalmente destruída, a pólis não tinha mais escola, nem espaços políticos ou de culto.

Voegelin constatou que não é o status econômico dos grupos o fator determinante na história, como pretendem os marxistas. Diz Voegelin:

“Quando, em meio a um longo processo de maturação, o vácuo deixado pela pólis é finalmente preenchido pelos movimentos religiosos orientais, e quando o cristianismo se torna predominante, a “escola” perde a sua função de ponto de encontro para indivíduos. (…) Quando esse estágio é alcançado, quando o movimento da nova comunidade já conseguiu penetrar na ampla massa do povo, o movimento que se iniciou como oposição à pólis torna-se político novamente.” (grifei)

Destaco este ponto porque Voegelin provou que a resposta natural à hecatombe não é o socialismo, mas A FÉ

A sociedade só se reorganiza, portanto, a partir da dinâmica da fé: a religião é a cola, o cimento que vai reerguer a pólis destruída. É a centelha divina – o Espírito Santo enviado pelo Pai Criador e pelo Filho Redentor, que habita em cada ser humano, que vai emergir a pólis dos escombros.

Somente depois de re-ligado ao Todo-Poderoso, é que o ser humano se volta ao comércio e à política. A reunião em torno do Deus pessoal cristão, fonte da civilização judaico cristã e do conservadorismo, é que organiza a humanidade.

Quer um exemplo? Diante do vírus pensaram: “fecharemos todas as igrejas” e o Senhor lhes respondeu: “Farei de cada família uma Igreja”. Sim, a igreja doméstica é impossível de ser fechada. Ela nos move e nos inspira a buscar o bem e a verdade.

É preciso que todos entendam que vivemos, no Brasil de hoje, uma guerra que vai muito além das narrativas, das redes sociais e até do enfrentamento físico, como propõe os antifas – contrários à essência do conservadorismo que quer a paz e não a ruptura social. 

Nossa guerra é, sobretudo, espiritual. Lembro o que disse o Apóstolo Paulo, na Carta aos Efésios (Ef 6,12):

“Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares”.

O Papa São João Paulo II testemunhou que não lutamos apenas contra poderosos do mundo terreno, mas contra o mal que pode dominar nações inteiras – como ocorreu com vários países da Europa, na expansão do imperialismo socialista soviético após a 2ª Guerra Mundial.

Diante dos casos de dominação do mal, o Apóstolo Paulo nos exorta: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12,2a), pois o Senhor não nos deu um espírito de temor, mas um espírito de filhos. (cf. Rm 8,15). Os  conservadores, de ampla maioria cristã, nada temem. Mesmo sendo perseguidos, caluniados, exilados e presos não se abalam. Defendem a Deus, a família e a pátria, pois recebem do Senhor a Força para vencer o mal. 

Aos conservadores, relembro a Palavra do Senhor Jesus: 

“Não tenhais medo deles, portanto. Pois nada há de encoberto que não seja descoberto. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento de vosso Pai. Quanto a vós, até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão contados. Não tenhais medo, pois valeis mais do que muitos pardais.” (Mt 10,26-31) “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).

Termino lembrando a profecia de Jeremias (Jr 20,10-13), na qual cabe, como uma luva, a figura do Presidente e do Povo conservador, que é duramente perseguido, não apenas por seus opositores, mas, verdadeiramente, por emissários do mal que odeiam a Deus:

“Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando o medo em redor: ‘Denunciai-o, denunciemo-lo.’ Todos os amigos observavam minhas falhas: ‘Talvez ele cometa um engano e nós poderemos apanhá-lo e desforrar-nos dele.’ Mas o Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha. Eterna infâmia, que nunca se apaga! O Senhor dos exércitos, que provas o homem justo e vês os sentimentos do coração, rogo-te me faças ver tua vingança sobre eles; pois eu te declarei a minha causa. Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus.”

Senhor, a Ti confiamos nossa Nação e seu Governo. Redobrai a força e a coragem de Teus filhos e dai a todos a perseverança para alcançarmos a paz neste tempo e, no futuro, a glória eterna. 

Aproveito para convidar todos os conservadores, especialmente neste tempo de trevas espirituais, a participar da Campanha de Oração pelo Brasil, promovido pelo Vida Destra.

Deus abençoe a todos!

#OrePeloBrasil

 

Angelo, para Vida Destra, 27/6/2020.

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Sander Souza
Sander Souza
15 dias atrás

Parabéns pelo artigo! A fé no Senhor nos proporciona a força para lutar e o bálsamo que cura as feridas das batalhas! Lutamos certos de que a vitória virá, pois nada nem ninguém consegue vencer a vontade do nosso Deus!

Nunes
Admin
15 dias atrás

Parabéns pelo artigo meu amigo Angelo. A luta continua.

Moises
Moises
15 dias atrás

Conte comigo nessa campanha.

Moises
Moises
15 dias atrás

Muito bom o o artigo, mas o vídeo no YouTube está sem áudio

Fabio Sahm Paggiaro
15 dias atrás

Excelente, Angelo. Os comunistas estão vendo na pandemia uma oportunidade para promover o “juízo final do capitalismo”, já que o “levante das massas”, previsto por Marx nunca chega. O que eles não entendem é que o marxismo é contra a natureza humana. E não adianta buscarem argumentos em Rousseau, de que “o homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. Não adianta exterminar as populações “corrompidas”, como fizeram Stalin, Mao Tsé Tung e Pol Pot para, então, “criar um novo homem”. Até porque, comunista não tem capacidade para criar nada, mas somente para destruir tudo por onde passa. A História… Read more »