Há algum tempo, um dos maiores filósofos e estudioso da lógica Aristotélica, Olavo de Carvalho, foi categórico ao afirmar: “nem todo mundo pode emitir opinião”
Devemos entender sua máxima, não como a tentativa de censurar, mas com clara disposição de observar o que de fato é “opinião”.
Muitos acreditam que têm o direito de “emitir opinião” sobre tudo e que tal direito é fruto da sua “liberdade de expressão”.
De fato, todos têm o direito inconteste de se exprimir, mas não necessariamente o resultado será uma Opinião.
Aí está o cerne da questão, ora o q será então Opinião?! Claro que tal resposta não é tão simples.
O silogismo Aristotélico é a forma mais simples de se observar o que está por trás do conceito de Opinar, pois o silogismo requer uma relação entre premissas, cuja conclusão seria o resultado lógico dessas premissas, aqui vai um exemplo:
*Todo homem é mortal (premissa maior)
*Aristóteles é homem (premissa menor)
*Conclusão: Aristóteles é mortal!
Não faltam casos de expressões publicadas que, tão somente, são “achismos”, resultado singular do pensamento próprio sem qualquer base fundamental, premissa, fato ou lógica. Não passam de conjecturas, “chutes”, impressões, cujo resultado malicioso se defende na pessoa que a exprimiu ou na repetição da crença ingênua do público a quem foi dirigido. Essa expressão pode ser considerada muitas coisas, porém, nunca será uma Opinião.
Atualmente, se verifica a distorção ou até subversão de premissas para, através de “fatos”, nem sempre verdadeiros ou de meia verdade, se realizar uma conveniente conclusão, formando aquilo que os Sofistas gregos chamariam de “doxa”, um tipo de crença comum e que, muitas vezes, é alicerçada por uma “endoxa” de um pseudo sábio para trazer o endosso necessário para inviabilizar a ponderação daquilo expresso. Para esses casos, embora aparente alguma lógica e contenha premissas, ainda que falsas, se tem a ilusão de se tratar de uma “Opinião”, contudo, essa desinformação e manipulação de conclusão pela via da subversão de premissas, também não pode ser considerada Opinião.
Quando esse limite lógico é ultrapassado e a conclusão não resulta da obviedade da relação entre as premissas, temos aquilo que convencionamos chamar de “piada”, assim, o resultado é jocoso. Um bom exemplo disso se permeia em inúmeras publicações sobre temas delicados e agressivos, cuja ponderação em resposta seria a seguinte:
*seu comentário foi desrespeitoso
*vc passou dos limites
*Conclusão: “faz” mais! (Piada)
Notadamente, o exemplo acima não foi uma Opinião, mas tão somente uma linguagem que pretendia ludibriar (positivamente) o leitor para um resultado ilógico e, por isso, surpreendente que causasse a confusão típica da “piada”.
Muitas vezes, o que tentam classificar como Opinião, não passa de uma piada e até de mau gosto.
Foi eliminando aquilo que não é Opinião que se extrai seu conceito, pois advém de premissas notadamente inquestionáveis e baseada em fatos verídicos em uma distribuição lógica e correlacionada e, sobretudo, fundamentada na verdade.
O intelecto e o conhecimento são essenciais, pois há opiniões tão fundamentadas que podem ser consideradas Pareceres. São de Opinões cada vez mais sensatas e coerentes que se forma a credibilidade, bem como as opiniões com premissas mais simples são as que têm a menor chance de serem consideradas uma verdadeira “piada”.

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