Não vai ser fácil, mas para tirar o país do lamaçal no qual as esquerdas nos colocaram ao longo de mais de 30 anos encasteladas no poder, teremos que aceitar medidas nada agradáveis.

O atual governo, buscando ajustar-se ao compromisso da responsabilidade fiscal, está trabalhando com orçamento apertado. Falta dinheiro para quase tudo, incluindo educação, infra-estrutura e segurança. Faltam recursos para acelerar a desejável prospecção de petróleo e estimular a produção de commodities, nosso principal sustentáculo nos últimos anos. O crescimento chinês que tanto alento nos proporcionou nos últimos anos, deu sinais de arrefecimento e urge buscar novas parcerias internacionais que, aos poucos, vão se formando. E isso sob a diligente necessidade de desaparelhar a máquina administrativa, que como se sabia, tudo faz para atrapalhar.

Contingenciamentos já aconteceram e continuarão a acontecer por um bom tempo. Não há como ser diferente. Afinal, a herança mais que maldita deixada pelo lulopetismo quase nos levou à bancarrota, com instituições empapuçadas de benesses, salários do funcionalismo além da realidade de mercado e uma máquina administrativa inchada e perdulária, prestando serviços caros, raramente eficientes.

O aperto é tão sério que até mesmo um adepto de liberalismo econômico como Paulo Guedes vê na recriação da CPMF uma saída para a situação, apesar do repúdio popular. Justo ele, um profundo conhecedor da famosa Curva de Laffer que demonstra que o aumento de impostos se torna contraproducente a partir de determinado limite. (Entenda: https://www.youtube.com/watch?v=zxo_Ivy5RKw).

Recentemente, Carlos Bolsonaro disse que pelo caminho democrático não há soluções rápidas. Apesar das distorções dessa fala feita pela extrema-imprensa, ele tem toda razão. Na democracia, as medidas necessárias – apesar de necessárias – precisam ser negociadas com a classe política, notoriamente corrupta no Brasil, e que se preocupa mais em tirar o máximo proveito dessas negociações do que com os interesses nacionais. Exagero meu? De forma alguma. Basta ver a demora na aprovação da indispensável reforma da previdência que quanto mais demora em ser aprovada, mais atrasa a nossa saída do lamaçal. E essa reforma, após aprovada, começará a produzir efeitos no longo prazo; nada que resolva os problemas atuais de caixa.

Para soluções de curto prazo, será fundamental aceitar os apertos e contingenciamentos e tratar de atrair investidores internacionais, além de caminhar da direção das privatizações. Mas a oposição – sempre ela, marota e deformada, com a força do ressentimento que a imbui – atua diuturnamente aqui e no exterior para despertar a desconfiança dos investidores no governo brasileiro. Sim, sabemos, é a turma da eterna chiadeira que trabalha e torce, na permanente visão do “quanto pior, melhor”, é como agem para quebrar o apoio popular ao governo e reassumir as confortáveis posições no poder, de onde foi e continua sendo alijada.

Enquanto isso, infelizmente, muitos dos que votaram em Bolsonaro, na crença de que bastava afastar o lulopetismo para que tudo se resolvesse como que num passe de mágica, começam a reclamar da demora na redução dos índices de desemprego e da falta de milagrosos crescimentos do PIB. A pressa é natural e querem remédios de solução rápida, desses que atacam os efeitos, mas não atuam nas causas dos problemas. Esses acabam fazendo o jogo da oposição e coro com os “isentões” que se colocam na cômoda posição de criticar, alegando que não têm “políticos de estimação”, mas que se recusam a entender que a missão é dura, que não há soluções fáceis e rápidas e que será preciso boas doses de remédios amargos, difíceis de engolir, mas que, apesar de pouco prazerosos, acabarão por trazer a desejável cura. O apoio da população ao governo, única arma que ele dispõe, resistirá a essa pressão? Essa é a questão.

Laerte A. Ferraz, para Vida Destra, 15/09/2019.

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