Tenho um amigo que se diz conservador e me garantiu: “Você também é”. Depois dessa declaração, fiquei intrigado: “Conservador? O que será isso?” E corri ao dicionário, pois não é do meu feitio aceitar rótulos auto-aderentes sem saber exatamente do que se está falando, especialmente quando se referem a mim, mesmo que nas redes sociais de Internet seja cada vez maior o número de pessoas que se proclamam conservadoras. Vai que ser conservador seja algo aviltante, não é?

Diz lá, no dicionário, que conservador é aquele que conserva. Hum! Pouco esclarecedor. Como gosto de um mínimo de precisão, tive que pesquisar mais e recorri ao prolixo Google, esse salvador de formandos em seus trabalhos de conclusão de curso.

Foi então que descobri que ser conservador é uma condição que possui variações. E isso complicou tudo, pois o rótulo de conservador pode ter matizes que exigem qualificações, isto é, pode significar diferentes coisas. Por isso, antes de descer às minudências, me atentei para o significado do abrangente “conservadorismo”, pois ao acrescentar o sufixo à palavra, surgiu essa forma derivada que – como corretamente pensei – define uma corrente de pensamento, uma doutrina, uma ideologia.

Ao pesquisar nessa forma, descobri que, de fato, conservadorismo é uma ideologia que, segundo fontes seguras, já tem mais de 200 anos e os primeiros teóricos do conservadorismo se opunham às mudanças promovidas pela Revolução Francesa. A melhor definição que encontrei foi esta:

O conservadorismo ou conservantismo é uma ideologia política e social que defende a manutenção das instituições sociais tradicionais no contexto da cultura e da civilização. Por algumas definições, os conservadores procuraram preservar as instituições, incluindo a religião, a monarquia, os direitos de propriedade e a hierarquia social, enfatizando a estabilidade e a continuidade, enquanto os elementos mais extremos chamados “reacionários” se opõem ao mundo moderno e buscam um retorno à “maneira como as coisas eram”.

Tal definição esclareceu muito pouco. Aliás, gerou mais confusão para mim. Segundo ela, não sou conservador, pois definitivamente não defendo a monarquia e nem me considero reacionário, isto é, quem é hostil à democracia.

Fui às minudências. Descobri que existem, basicamente, dois tipos de conservadores: os de direita e os liberais.

De acordo com o The Concise Oxford Dictionary of Politics, nas democracias, a direita política se opõe ao socialismo e à social-democracia. Os partidos de direita incluem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas. E os da extrema direita incluem nacional-socialistas e fascistas.

Ao encontrar tal definição, comecei a me identificar. Sim, me oponho ao socialismo e à sua versão mais light, a social democracia e me considero, se não um nacionalista, um patriota. Entendi também o porquê socialistas e comunistas costumam, depreciativamente, chamar os conservadores de fascistas, apesar de que o fascismo e o socialismo têm mais pontos em comum que divergências.

Já o conservadorismo liberal é uma ideologia política que combina políticas conservadoras com elementos liberais, especialmente sobre questões econômicas ou um ramo do conservadorismo político fortemente influenciado pelo liberalismo econômico. Conservadores liberais modernos combinam as políticas conservadoras no que diz respeito à sociedade com posições liberais em questões econômicas.

Ah! Então, ao me aceitar como conservador liberal,e não há contradição nisso, posso perfeitamente dizer que sou liberal em relação à economia, defendendo a livre iniciativa, a meritocracia, a propriedade privada, o capitalismo, o Estado apenas necessário, o menor controle do Estado sobre o cidadão, contra o protecionismo e, por outro lado, sou conservador em relação aos costumes, sendo contrário ao assistencialismo, à liberação do consumo de drogas, ao aborto subsidiado pelo Estado, contra a ideologia de gênero, a favor da família como núcleo social, contra a politização ideológica do ensino, a favor da liberdade religiosa, contra as cotas raciais e por orientação sexual, olhando com desconfiança o feminismo extremista. Além disso, posso dizer com orgulho: “Sou patriota”. Beleza!

Em outras palavras: ser conservador liberal é ser contrário ao “progressismo” preconizado pelas esquerdas, mas apoiando a Democracia, a menor presença do Estado que limita e nos priva de direitos e defensor de valores que nos possibilitem uma coexistência social pacífica e plena de liberdade.

De fato, meu amigo tem razão: sou conservador. E de direita.

Laerte A Ferraz para Vida Destra 12/11/2019

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Advogado, jornalista e publicitário. Escritor, articulista, palestrante e consultor empresarial em Marketing e Comunicação
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