Sob regime aberto

 

Cercado de assessoria e sustentado pelo establishment, Lula tira temporada de férias.


 Era 7 de Abril de 2018, quando a Polícia Federal, após ordem de prisão, foi em busca de Luis Inácio Lula da Silva, ex-presidente e responsável pelos maiores esquemas de corrupção da história recente, para prendê-lo. Foi um dia histórico para a nossa democracia, cuja vulnerabilidade esteve tão iminente por anos, mas, acima de tudo, foi um dia vitorioso para a nossa justiça, que foi tardia, mas não falha.
Apesar de sua prisão, o fato é que, mesmo após mais de um ano, o líder petista nunca esteve – vejam só a ironia – tão solto. Desde os seus espetáculos ecumênicos até suas cartas planejadas, Lula tem tido sua liberdade de expressão garantida sob a égide jornalística e manobras do Poder Jurídico, este último atestando seu desserviço ao serviço íntegro e histórico da Operação Lava-Jato.
 Contudo, foi nesta sexta-feira, 26, em entrevista concedida à Folha de SP e ao jornal (eco) El País, que o preso político pôde demonstrar seu poderio perante ao proselitismo midiático; numa sala com luzes bem posicionadas e lentes emocionadas da cenografia, o condenado teve todo o tempo e a paciência da ilustríssima Mônica Bergamo, que não assinou só a matéria como também o fez com seu atestado de parcialidade. Durante exaustivas duas horas, ainda acordado à narrativa esquerdista, a admissão de culpa passou longe do barba, diferente das afrontas aos Poderes, ao governo vigente e, principalmente, ao povo brasileiro, antes seu alicerce, agora seu algoz.
 Em um dos trechos da entrevista (ou homenagem, enxerguem como quiserem), Lula mencionou sua obsessão secular em desmascarar o Ministro Sérgio Moro, ex-juíz responsável por desmascará-lo, e seu desejo de mostrar-se inocente, contornando sua biografia e salvando o país de uma suposta supremacia da elite. Porém, o presidiário esqueceu-se que agora existe um lado oposto, verdadeiramente e enfaticamente oposto. Enquanto ele atribui ao senso de justiça a culpabilidade da sua atual condição, exclamando que vivemos num domínio autoritário, contradiz ao próprio discurso, uma vez tendo sua voz cínica sublinhada pelas manchetes dos jornais. Lula se tornou o alimento da desinformação e o exemplo mor de aparelhamento estatal. Foi condenado na instância jurídica e popular, mas é advogado pelo habeas corpus da imprensa imoral.

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