Finda a tão aguardada “Super Terça” nos EUA, o sentimento predominante no eleitorado democrata parece ser de apreensão. A indefinição em relação ao futuro candidato, que disputará as eleições de novembro contra Donald Trump, se mostra cada vez mais preocupante. O alto número de postulantes ao pleito democrata fez brotar rivalidades entre diferentes alas do partido, que refletem diretamente na parcela do eleitorado que ainda não definiu seu voto e pode significar um fracasso retumbante na disputa contra o Partido Republicano.

Ao contrário do que muitos previam, a ala radical do Partido Democrata, liderada por Bernie Sanders, perdeu força, enquanto Joe Biden, candidato da ala moderada do Partido Democrata e apoiado por seu establishment, mostrou sinais de franca ascensão, vencendo em estados importantes, incluindo o Texas.

Ao mesmo tempo em que a disputa entre Sanders e Biden se acirrou, os demais candidatos tornaram-se cartas fora do baralho na disputa direta pela vaga democrata, se fortificando, todavia, como artífices vitais no apoio ou oposição à Biden ou Sanders.

Os resultados desastrosos para Bloomberg e Warren, obrigaram ambos os candidatos a desistirem de suas campanhas, com um detalhe absurdo no que tange o ex-prefeito de Nova Iorque: Bloomberg torrou inacreditáveis US$600 milhões em sua vã tentativa de chegar à Casa Branca e agora, restará apoiador de Biden, junto à cúpula do Partido Democrata.

Enquanto isso, na ala radical do partido, Warren se alia a Sanders, tentando ajudar o Senador socialista em sua empreitada. Entretanto, nas primeiras pesquisas eleitorais realizadas após a Super Terça, o eleitorado de Warren tem demonstrado uma inclinação maior por Joe Biden e não por Bernie Sanders, com números que indicam 55% de preferência pelo ex-vice de Barack Obama.

As prévias democratas acontecem até o dia 6 de junho, quando as Ilhas Virgens Americanas, escolhem os últimos sete delegados. Liderando com 690 delegados até aqui, Biden precisa de 1991 para garantir maioria e conquistar o direito de concorrer contra Donald Trump.

Nesta última terça-feira, 10 de março, seis estados, incluindo Michigan, realizaram seu pleito, bem como os americanos vivendo em território estrangeiro, um total de 365 delegados. Os resultados seguiram aquilo que prevíamos, Biden estendeu ainda mais sua liderança – contando inclusive com a vitória no estratégico estado de Michigan – o que pode significar um golpe final nas intenções de Sanders, caso o Senador não consiga reverter o atual panorama desfavorável.

Opinião:

A guinada pró-Biden era previsível. O establishment democrata teme as alas mais radicais, pois são mais vulneráveis aos argumentos lançados por Donald Trump e seus apoiadores.

A ideia fixa de um aumento de impostos brutal, o cunho abertamente socialista e a postura pouco sociável de Sanders, fazem dele um elemento muito frágil em uma possível disputa com Donald Trump. Muitos democratas prefeririam ver Trump em um segundo mandato, a arriscar o destino do país nas mãos de um extremista.

Biden, todavia, não difere muito de Sanders em sua fragilidade política. Envolvido em dezenas de escândalos por comportamentos inapropriados com mulheres e até crianças, Biden tem a reprovação de boa parte do eleitorado democrata e apenas converge a atenção do establishment do partido, graças à boa relação com os Clintons e Obama, bem como por sua postura moderada quando comparamos com seu rival Sanders.

A verdade dura para os eleitores do Partido Democrata, é que não há ninguém forte o bastante para enfrentar a maré vermelha criada por Trump. Os EUA se recuperaram totalmente das desastrosas administrações de Obama e Trump se consolidou como protetor da economia norte-americana, bem como cresceu meteoricamente entre os americanos negros e hispânicos, graças a suas políticas econômicas que geraram milhões de empregos, trazendo o desemprego entre latinos e negros, para os níveis mais baixos da história dos EUA.

A falta de um candidato carismático e com apelo popular, tira do Partido Democrata, sua principal arma das últimas décadas, o apelo ao populismo. O debate político enriquecido por Trump contrasta com a total inépcia dos postulantes democratas, que continuam apelando para ataques pessoais infundados, que causam mais problemas a eles próprios que danos à imagem de Trump.

Os democratas erraram em 2016 e continuam errando em 2020. A reeleição de Trump é praticamente inevitável.

Lucas Jeha, para Vida Destra, 12 de março de 2.020.

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Lucia
Lucia
2 anos atrás

Excelente artigo.

miriam kanaan
miriam kanaan
2 anos atrás

Muito bom. ???

Rejane pedrosa Ramos
Rejane pedrosa Ramos
2 anos atrás

“Os democratas erraram em 2016 e continuam errando em 2020. A reeleição de Trump é praticamente inevitável.” Fechou o excelente artigo com chave de ouro. Parabéns !?????

Ivan
Ivan
2 anos atrás

Os resultados da economia, baixo desemprego, tornarão a reeleição de Donald quase que inevitável.