O descontentamento geral com a decisão do STF em autorizar a vacinação compulsória para a Covid-19 se tornou a coqueluche do momento nas redes sociais. Aqueles que não querem se vacinar, seja por medo, por desconfiança sobre a eficácia e segurança da vacina, seja por suas próprias crenças, devem ter seu direito à escolha assegurado.

Tomando como premissa principal a estrofe acima, partimos então para a objetividade da matéria. O STF como instância máxima do Poder Judiciário, tem o poder de dirimir questionamentos legais acerca de qualquer situação, mesmo que isso signifique ingerência nos outros poderes. Podemos questionar até onde isso é ou não democrático, pois na opinião de muitos, fere a tripartição do poder. Todavia, não temos o direito de cobrar de outros poderes que interfiram de maneira abrupta nas decisões do Judiciário, sob pena de lançarmos nossos representantes eleitos em rota de colisão com o STF, causando um desequilíbrio muito grande na nossa já frágil democracia.

É preciso entender aqui a diferença primordial entre o conservador e o revolucionário reacionário. O revolucionário reacionário visa à mudança dos paradigmas políticos e sociais de forma abrupta, através de mudanças significativas em um curto espaço de tempo, seu comportamento não difere em nada do comportamento do revolucionário socialista.

Já o conservador, ciente da dificuldade de criar-se uma sociedade equilibrada e estruturada, compreende a necessidade de que qualquer mudança de paradigma político e social, deve ser feito de forma parcimoniosa, sem rupturas com a estrutura social vigente, modificando-a de forma gradativa, para que seus resultados possam amalgamar-se como novos paradigmas que pautarão a sociedade durante um longo período de tempo, diferente das mudanças revolucionárias que tem caráter volátil e rapidamente serão novamente modificadas.

Existe uma ala radical dentro da direita que exige do Presidente da República um comportamento revolucionário reacionário, sem entender, todavia, que tal comportamento não condiz com a posição de Presidente da República, e muito menos com a mentalidade conservadora de Jair Bolsonaro, que busca mudanças que gerarão bem-estar para a sociedade por décadas.

Cair na falácia do radicalismo significa render-se a um comportamento que nós, conservadores, criticamos durante décadas na esquerda e, portanto, devemos realizar um exercício longo de autorreflexão.

Aqueles que exigem medidas antidemocráticas e clamam por intervenções que extrapolam os poderes do Executivo Federal, estão ferindo a democracia e traindo o próprio Conservadorismo, além de munir a oposição contra o próprio Presidente da República.

Isso é reflexo, infelizmente, da falta de instrução sobre o funcionamento das instituições no Brasil, e do desconhecimento do ordenamento político e jurídico do país, frutos de um sistema educacional que ignora disciplinas fundamentais para o desenvolvimento da consciência cívica do cidadão brasileiro.

A pergunta que surge ulula na mente dos brasileiros, o que fazer? A resposta foi dada pelo povo de Búzios!

Indignados com a imposição judicial de um Lockdown na cidade, inclusive com a expulsão dos turistas que ali estavam no prazo de 72h, cidadãos tomaram as ruas de Búzios em protesto à decisão. Exercendo sua função constitucional de detentores do poder, o povo tomou para si a responsabilidade que por décadas havia sido esquecida. O resultado foi extremamente positivo e a liminar que havia tolhido a liberdade dos habitantes de Búzios e dos turistas que ali estavam, foi derrubada.

Concluímos então, que o povo continua detendo o poder, porém, devido às redes sociais, hoje praticamente apenas o exerce por intermédio de hashtags e postagens de revolta. A população de Búzios nos mostrou que as ruas são o palco principal de qualquer insatisfação popular e se o povo, de modo geral, aprender que suas demandas podem ser reivindicadas de forma pacífica e organizada, através de manifestações maciças, teremos um ambiente democrático muito mais saudável, afinal, sem um povo atuante não podemos ter uma democracia pujante.

Que sirva de lição para aqueles que esperam milagres por parte do Presidente, se o povo não se manifesta nas ruas, não há nada que se possa fazer em Brasília. O Presidente cuida de um território de mais de 8 milhões e meio de Km², é virtualmente impossível estar a par de tudo que ocorre em cada canto do país e, portanto, cabe ao povo exercer o seu papel dentro da nossa democracia.

 

 

Lucas Jeha, para Vida Destra, 19/12/2020.                                                              Sigam-me no Twitter! Vamos conversar sobre o artigo! @LucasJeha

 

 

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Nunes
Admin
10 meses atrás

Parabéns pelo artigo. Quando um povo começa a terceirizar as responsabilidades, veremos que o caos se aproxima.

Paulo cristiano
10 meses atrás

Parabéns Lucas. Eu havia eacrito um artigo parecido meses atrás no VIDA DESTRA. Redes Sociais não basta.

Luiz Antonio
10 meses atrás

No primoroso art. de @LucasJeha em q nos mostra erro das redes sociais e acerto de Búzios,fico cada vez mais convencido q há a necessidade da historia se repetir, mas diferente.Urge uma Marcha das Famílias mega blaster monstruosa para q o Capitão nos guie para retorno da nossa Liberdade.

Rose Mary Carvalho Telles
Rose Mary Carvalho Telles
10 meses atrás

Ainda bem que o desembargador cassou essa decisão, caso contrário o lockdown iria fazer com que pessoas em Búzios passassem fome. E por que só fechar o comércio em Búzios? Muita injustiça! Que não haja festa de fim de ano, há de haver medidas restritivas, mas lockdown não! Empresários e trabalhadores em geral se manifestaram muito bem! Deram exemplo de cidadania, Parabéns pelo seu artigo!

Dai Pereira
Dai Pereira
10 meses atrás

Parabéns, Lu! Artigo impecável… As redes sociais (que deveriam ser o maior e melhor meio de manifestação) propagam ódio e atrapalham o trabalho do presidente. A sociedade se faz cada vez mais ignorante!
Estou orgulhosa de você!