Essa história de político comer pastel em mercado ou feira, beijar criança, abraçar gente humilde, se misturar com a população, frequentar cultos religiosos, ir a estádio para assistir jogo de futebol, já está – usando gíria – super manjada. Quando chega a época de eleições, todos eles fazem isso. Só para citar alguns, vi agindo assim o Serra, o Dória, o Haddad, o condenado agora solto… Enfim todos fazem ou fizeram isso pelo menos até antes das eleições. Só não vi ainda as candidatas e o FHC fazendo isso, mas pode ter sido apenas falta de informação minha.

Agem assim porque querem mostrar aos eleitores que são pessoas comuns, que são iguais ao povo a quem imploram votos, que são humildes e modestos. Sabem perfeitamente que isso angaria simpatias e ajuda os indecisos a bandearem para o seu lado. Agir assim faz parte do decálogo do marketing político e é lição mais que aprendida, desde priscas eras, por todos que se lançam na lucrativa carreira política.

Depois das eleições, entretanto, todos esses, sem exceções, se valeram das gordas e pródigas verbas de representação para frequentarem os melhores ambientes, os mais requintados restaurantes e se refestelarem em lautas refeições, regadas a caríssimos vinhos e finas iguarias. Gastam fortunas em roupas e tratamentos de beleza. Em viagens oficiais, são ocupantes assíduos das poltronas nas primeiras classes dos transportes e se hospedam nas melhores suítes dos mais luxuosos hotéis, sempre acompanhados da indefectível claque de apaniguados. E a primeira coisa que fazem é se afastar daquela gente humilde que os elegeu. Há raríssimas exceções, mas essa é a regra.

Antes das eleições, vi Bolsonaro fazendo a mesma coisa e nisso em nada se diferiu de qualquer outro político. Porém, após eleito, continuou frequentando panificadoras, churrascarias populares, restaurantes “self-service” por quilo, pagando a conta do próprio bolso, como fez em Davos, na Suíça. Continuou abraçando crianças e gente humilde, entregando-se com frequência aos braços da população e fazendo reuniões informais com a imprensa. Ainda se traja com modéstia, usa o mesmo barbeiro, continua a assistir, in loco, jogos de futebol e cultos religiosos. Quando viaja, leva apenas a equipe necessária, se hospeda em hotéis relativamente modestos, é frugal na alimentação, jamais bebe além de uma taça de vinho branco. Logo após as eleições, recebeu em sua residência o Secretário de Segurança dos EUA, John Bolton, servindo um café da manhã composto de café com leite, pão com manteiga, bolo de fubá e – imaginem – leite condensado na lata, para passar no pão! Mas, pior – ou melhor – tudo foi servido em garrafas térmicas, copos simples e xícaras desemparelhadas.

Há quem diga que a ele falta postura e que deveria cercar-se de toda pompa e circunstância daquilo que costumam chamar de adequação ao cerimonial. Só que parece que ele inaugurou um novo estilo e que insiste em servir de exemplo para seus Ministros e auxiliares. Não foram poucas as vezes que, após reunião ministerial, ele e equipe almoçaram no “bandejão” do Planalto, junto com demais funcionários. E a maioria dos Ministros e auxiliares, quando em viagens oficiais, voa em avião de carreira, longe da primeira classe ou da classe executiva.

Alguém o recriminaria caso ele se valesse da posição e usasse privilégios inerentes ao cargo? Penso que não, pois já nos acostumamos com a ideia que cargo público é passe livre para privilégios. Portanto, agir dessa maneira só pode significar três coisas:

  1. Ele acredita que ainda está em campanha;
  2. Ele é um gênio que percebeu que agindo assim, jamais poderão acusá-lo de hipocrisia;
  3. Ele é realmente um homem modesto e simples, além de honesto tanto no proceder quanto no falar.

No que me diz respeito, penso que qualquer das três possibilidades – ou mesmo as três em conjunto – me fazem admirá-lo, pois jamais vi, na minha já longeva vida, um político agindo dessa maneira. Está inovando no marketing político, sem dúvida. Mas, arriscando um palpite, acho que ele é assim mesmo: um meio tosco genial, bem do jeito que eu sempre quis para o Brasil.

Laerte A. Ferraz, para Vida Destra, 20/11/2019.

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Advogado, jornalista e publicitário. Escritor, articulista, palestrante e consultor empresarial em Marketing e Comunicação
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32 Comentários

  1. Perfeito! Ele é assim mesmo, afinal ele continua sendo um soldado defensor da pátria amada Brasil. Papo reto sem frescura. Coisa de Macho.

  2. Oi Laerte, amei seu texto! Visão correta de um homem que batalha por um ideal, ver o Brasil entre as grandes potências, sem usar o poder em benefício próprio, ele sempre diz não à luxúria.

  3. O capita presida comia boi ralado, Unidos venceremos e perdido no espaço e disco voador vai se importar com essa merda de caviar? Isso é pra boiolas feito o sapo barbudo de 9 dedos o presidiário

  4. Só para lembrar, todos os Brasileiros que serviram as Forças Amadas, aprendem lições que muitos levam por toda a vida, Bolsonaro é um deles.

  5. Boa noite, Laerte!!
    Texto perfeito, nosso Presidente é assim mesmo, simples, sincero e honesto.
    Depois de anos e anos de um desgoverno, de mentiras, roubos e bandidagem, agora nossa sociedade ainda não acredita que temos um Presidente honesto e que trabalha para o povo.

  6. Deus continue Abençoando-o……..

    Não seja “Fresco”….. Capitão/ Presidente.

    Se Você, Bolsonaro, se sente bem assim…..CONTINUE.👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏

  7. Parabéns!!
    Concordo contigo sobre a leitura da pessoa do Jair Bolsonaro, nosso presidente!
    Ele é um tosco genial!
    Estamos tão acostumados as falsidades da política, que quando nos deparamos com alguém verdadeiro, transparente, genuíno, custamos a acreditar, e às vezes até o elogiamos duvidando de nós mesmos, nos precavendo de sermos enganados.
    Eu decidi pular sem paraquedas daqui pra frente, acho que já tive provas suficientes de sua honestidade.

  8. …perfeita sua colocação, e sim ele é simples mesmo, sua formação profissional militar, assim o fez, ele é o tipo do cara que na campanha, dormiu dentro do carro num posto de gasolina, ora, o cara é PQD, esses caras são desprovido de luxo e vaidades, MAS COM UM INTENSO ESPIRITO PATRIOTA…, vá por mim, ele é isso mesmo, um cara simples, um cara de verdade…

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