Realmente estamos vivendo tempos de polarização política. Que mal há nisso? Não é a democracia o ambiente onde os opostos conseguem conviver com o mínimo de civilidade?

Ao observar os movimentos que a política nacional realiza, podemos compreender que não há diferença entre torcidas de futebol e ela. Eleitores se comportam como torcedores, políticos e partidos como clubes. É normal que isso aconteça, afinal um político representa uma voz do cidadão comum no ambiente de debate, o que, no mínimo gera expectativas que tendem a se assemelhar aos sentimentos de amantes do futebol para com seus clubes. Porém o que me chama a atenção são as proporções que essa paixão assume, chegando a fazer com que o indivíduo perca até mesmo a própria racionalidade.

Recentemente presenciei, em ambientes de redes sociais, jovens protestando contra o cristianismo e contra os conservadores introduzindo crucifixos em cavidades corporais, profanando objetos sagrados dos cristãos ou mesmo fazendo as ridículas dancinhas e outros atos nojentos em nome de uma tal resistência a algo que não existe. Guilherme Fiuza escreve: “Já começou a resistência contra o fascismo. Só falta o fascismo chegar, mas isso é problema dele. Até porque o fascismo, autoritário como é, pode resolver nem chegar, só para contrariar seus oponentes imaginários. Definitivamente, não dá para confiar em fascista.” Quem ensinou isso para essas crianças? Quem os convenceu de que o conservadorismo flerta com o fascismo? O próprio Fiuza responde: “Vocês não iam acreditar, intrépidos guardiões do mundo livre: professores em tudo quanto é canto fazendo comício petista disfarçado de lição pedagógica – e não pensem que foi só naquelas missas patéticas fantasiadas de aula de História, não: até no ensino de Química andou cabendo sermão de sindicalista do PSOL. É chocante, nós sabemos. Desculpem, mas vocês precisavam saber também.” Link do artigo completo aqui!

Escrevi em recente artigo para a Revista Vida Destra: “Veja os casos dos estudantes Brasil afora que entoam cantos do tipo “Nazistas, fascistas, não passarão!”. Quando sentem a aproximação de um conservador ou mesmo de alguém com uma camisa com a foto de Bolsonaro, e a nova moda é ver a camisa da seleção brasileira como símbolo da direita opressora, dado seu largo uso nas eleições de 2018 e nas manifestações pro-Bolsonaro que acontecem pelo Brasil. Quem os ensinou que o fascismo é uma ideologia de direita? Quem os levou a acreditar que Mussolini era um conservador, capitalista liberal? As respostas são muitas, mas eu me atrevo a deixar aqui, para o querido leitor, aquela, que na minha concepção, é a principal razão: os livros didáticos. Neles, a história foi contada de um ponto de vista que sempre privilegiou a visão esquerdista dos processos. Assim, não é muito raro encontrar livros que comparam o fascismo, por exemplo, ao conservadorismo. E seria realmente constrangedor ter que admitir que Mussolini, ex-membro do Partido Comunista Italiano levou da ideologia de tal partido, todas as bases do Fascismo. Seria uma perda histórica muito grande. Portanto, tática comunista colocada em prática; contando uma mentira milhares de vezes, até que ela se torne uma verdade.”

Num mundo tão complexo, o discurso de que tudo tem uma solução simplificada e que existem mentes iluminadas para realizar tais façanhas, é evidente que, principalmente a juventude, seja arrebanhada pela narrativa do “mundo perfeito dos sonhos”.

A esquerda costuma problematizar aquilo que é simples e simplificar o que é complexo. Não é raro ver políticos infanto-juvenis, como Talíria Petrone, Tabata Amaral, Randolfe Rodrigues, Kim Kataguiri ou Arthur do Val se colocando como os possuidores da fórmula da solução dos problemas, seja por narrativas, seja por raciocínios que até podem enganar aqueles que são um pouco mais informados do que os jovenzinhos vítimas das universidades brasileiras. Em artigo publicado no Jornal da Cidade Online, cujo título é Como a esquerda consegue produzir idiotas úteis em escala industrial?, ressalto que o autor destacou que a esquerda sempre apresenta a solução para problemas que ela mesma não sabe explicar as origens.

Imagine como é maravilhoso estar perto daquele líder estudantil, barbudinho, ou daquela igualmente líder, de cabelinho roxo, com seus punhos erguidos e com suas palavras de ordem. Eles estão ali, muito perto, próximos, a distância de um levantar de braço. Quando são estes os candidatos, os jovens votam e fazem campanha em peso, em alguns casos se arriscam a matar e morrer por eles (até que o gás lacrimogênio ou as bombas de efeito moral os dispersem e acabem correndo para debaixo da saia das mães). Essa proximidade é um dos fatores que, aliados à retórica, arrebanham torcedores. Veja o caso de Guilherme Boulos; um playboy que nunca soube o que é trabalho duro, acordar cedo, pegar transporte público lotado, e posa de defensor dos pobres e dos sem teto. O filme “Meu nome é Johnny” representa bem a trajetória de um jovem de classe média alta, que tinha tudo na vida, mas decide pela aventura do mundo do crime. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Dadas tais características passionais entre a militância e seus ídolos, como responderíamos à pergunta do título?

Quem vive numa realidade paralela também acredita que só existe uma única via para alcançar a sociedade perfeita. A propósito, eles, SIM, creem que ela é possível. Grande exercício de fé. E é justamente neste ponto que encontramos a resposta para a pergunta do título: Na fé! Os revolucionários acreditam que seus representantes serão os construtores de uma sociedade quase perfeita, com igualdade entre todas as pessoas e nações. Eles já foram convencidos disso. Não há outro meio de convencê-los do contrário a não ser que os pais os deixem sem internet e sem mesada, e os obriguem a pagar a conta de telefone. Só assim se cura a doença revolucionária. Enquanto existirem homens e mulheres ensinando estes mancebos que o Estado deve adotá-los, existirá revolucionários dependentes de Ifood, viciados em Burger King e Coca Cola.

Se o problema está na grande fé que os jovens projetam nos políticos de esquerda, qual seria a chance desta fé ser transformada? Eu já fui ateu e me converti, em 2012, ao Evangelho de Cristo. O que houve com minha antiga fé de não crer na existência de Deus? Eu atribuo a minha conversão ao poder de Deus. Já fui militante de esquerda também. O que me fez convergir rumo ao conservadorismo foram os confrontos de valores da esquerda e do conservadorismo. Além disso, um fato decisivo para que eu abandonasse o socialismo foi arrumar o primeiro emprego, casar e ter filhos, ou seja, não há fórmula mais eficaz do que assumir responsabilidades de adulto. Do contrário fica a sentença: “Meninos pensam que podem transformar a sociedade para melhorá-la. Homens entendem que precisam conservá-la para que não piore mais. (…) Homens se tornam conservadores quando ultrapassam a imaturidade juvenil, porque entendem os valores que a sociedade mantém, e passam a discernir que eles só existem graças aos pilares que, não por acaso, os revolucionários tencionam destruir.” Renan Alves da Cruz. Link do texto original aqui!

 

 

Davidson Oliveira, para Vida Destra, 27/05/2021.
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