Uma carta da minoria barulhenta

Brasil, 20 de fevereiro de 2019

Oi Felipe Moura Brasil, tudo bem?

Antes de mais nada preciso me apresentar, eu sou a “minoria barulhenta”, aquela tropa virtual, fanáticos e por que não, robôs.
Felipe, a maioria de nós o conheceu nas eleições presidenciais de 2018, ahhh que grata surpresa, um moreno, alto, de olhos verdes, bem articulado, de direita e conservador, que se levantou para colocar os pingos nos is (perdoe o trocadilho…)!, postura ereta, frases de efeito e análises precisas. Lembro dessa análise: Abre aspas (aprendemos com você…) “Bolsonaro é o “nazista” que respeita a decisão de Israel sobre a sua capital, no caso Jerusalém, para onde o presidente eleito pretende transferir a embaixada brasileira; Bolsonaro é o “fascista” que quer reduzir o tamanho do Estado brasileiro; Bolsonaro é o “ditador” que delegou amplos poderes para Paulo Guedes no futuro superministério da Fazenda e para Sergio Moro no futuro superministério da Justiça” ? Meu Deus! Era a nossa voz, tudo aquilo que queríamos que uma mídia isenta falasse.

Você se levantou como nosso porta voz, não só para falar sobre o então candidato Bolsonaro, mas naquelas entrevistas nos outros programas da grade da rádio, perguntas que faziam o entrevistado tremer… quanto orgulho!
E quando falavam de você? JAMAIS!! A minoria barulhenta ficava enlouquecida, bater em você era um sinal que estávamos no caminho certo e esperávamos a hora do seu programa diário para saber a repercussão, na certeza que não necessariamente ouviríamos o que fosse bom aos nossos ouvidos e coração, mas pela confiança em você, refletiríamos.

O ponto alto do nosso amor se deu quando da apuração do segundo turno você aparece na tela, DENTRO da casa do agora PRESIDENTE do BRASIL! Que honra! Você não estava sozinho ali, estávamos nós, os 57.797.897 eleitores naquela casa, esperando a anúncio final. Que momento lindo!

Passada as eleições, nosso relacionamento se firmava, todos os dias naquele horário, nos encontrávamos e sabíamos das notícias, com a alegria de sempre… mas, algo aconteceu.

Semana passada discordamos, normal, todo relacionamento é assim.
Vida que segue.
Você mesmo nos ensinou a ouvir a notícia e tirar as nossas próprias conclusões.
Mas, não foi assim que aconteceu, você se mostrou alguém que não conhecíamos, alguém que não aceita ser contrariado, palavras duras vieram, acusações e principalmente, nosso barulho passou a ser inconveniente aos teus ouvidos sensíveis, nossa parceria se tornou descartável, a paciência em nos ouvir, virou deboche.

Decidimos aproveitar o fim de semana para refletir a relação, sim, pontuar, nos acalmar, respirar, mas não deu! O nosso outro canal de encontro não parou, tuítes ressentidos de todos os lados, a dor levou ao caos.

Até que na segunda-feira, uma fake news, lembra? Da Bolsa e o “Carluxo”, mas era feriado nos EUA, será que você não percebeu?
Algo estava estranho, você se tornou agressivo, ter razão passou a ser a prioridade do debate, e ontem, vimos nosso desafeto, ao seu lado, não como alguém que seria entrevistado na busca da verdade, mas alguém que por quase 2 horas foi afagado, foi levantada a bola, e chamado de “amigo” por membros da bancada.
Faltaram tantas perguntas, tantas análises, faltou o olhar de medo do entrevistado diante de um jornalista sério, comprometido, isento, sem rabo preso.
E, o barulho aumentou. A dor da traição ecoou.

O barulho que você ouviu Felipe, foi o choro desesperado de milhões de brasileiros que viam em você a esperança em meio ao caos, o grito da mulher traída, da mãe que recebe uma má notícia da escola do filho, do idoso que trocou o jornal da emissora inimiga do Brasil, pela sua nobre presença, o choro ressentido de jovens que viram em você o sonho revivido do jornalismo possível, o choro de amigos de profissão, era choro Felipe, juntos choramos.

Hoje acordamos de cara inchada, com dor de cabeça, olhos cansados, a sensação de que um caminhão passou em cima dos nossos corpos… sem rumo, aquele gosto amargo na boca, nos divorciamos, e divórcio não é fácil.
Nessa nossa separação, os bens são indivisíveis, confiança, apreço, admiração e carinho foram quebrados.
Mas precisamos caminhar…
Que você seja feliz aí, daqui, a “minoria barulhenta” seguirá, existe um país a ser reconstruído.

Tchau Felipe, a gente se esbarra.

“A moderação da defesa da verdade é serviço prestado à mentira”
Olavo de Carvalho

 

Mell Sam

Mell Sam, apesar de doce, meio amarga. Ora, diante de tantos percalços no mundo em que vivemos, a doçura, por vezes, amarga, mas não azeda. Conservadora raiz, cristã, feminina e carregando a justiça como meu desígnio. Pega um café e vamos conversar.
Mell Sam

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9 Thoughts to “Uma carta da minoria barulhenta”

  1. Parabéns Mell…como sempre, muito coerente

  2. Sara Braga

    Chorei, simplesmente

  3. Cristian Elvis

    Lindo, parabéns pelo trabalho!

  4. Rogério Santos

    Simplesmente espetacular

  5. Thiago Moura

    Muito bom Mell, a carta é de todos os patriotas.

  6. Renan.Spolon

    Dá série “Jogando sua reputação no lixo e arrumando inimigos de graça”. Só lamento, escolhas e escolhas.

    1. Com certeza…escolhas e escolhas

  7. João Ninguém

    Acho que não vale um texto o episódio. Sempre o achei oportunista à busca de holofotes. Sustentou uma bandeira e chegou lá. Ficou deslumbrado e perdeu a noção. É mais um apenas que vai passar. Frustrado por não estar na Globo.

    1. Com certeza, se vendeu totalmente

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