A principal investida da esquerda em território brasileiro é, inegavelmente, o domínio da educação e da cultura. Quase todos os brasileiros com menos de 30 anos são, majoritariamente, socialistas, mesmo que votem em conservadores ou detestem os partidos socialistas do país. A disseminação da ideologia e a repetição dos mantras tradicionais da esquerda sendo reverberados nos quatro cantos do país são instrumentos de destruição das bases que nos fazem um povo e modificam a estrutura sociológica do brasileiro, tornando-o um ‘ser socialista” orgânico. Quer que eu prove que você tem um resquício de socialistas adormecido aí em seu interior? Vou proferir uma frase. Sua reação a ela será decisiva: Sou a favor do fim do Bolsa Família para todos, independentemente de condição social. Se em algum momento você se sentiu desconfortável ou tentado a colocar condicionais que pudessem justificar a atenuação no efeito da frase, parabéns! Você tem um resquício de socialismo aí dentro. Calma! Esse exercício é só uma questão de teste. Não é um instrumento epistemológico, portanto não se produz ciência com uma ferramenta tão simplória.

O fato é que está entranhado no subconsciente do brasileiro essa ideia de que o Estado deve dar assistência direta, pecuniária, aos cidadãos menos favorecidos. Inclusive até mesmo o meu coração se sente tentado a concordar com a filantropia, já que nós cristãos somos encorajados a praticá-la. Mas qual é a base da filosofia cristã que apoia a “filantropia estatal”? Ou qual é o ensinamento de Cristo que apoia um Estado paternal? Prestar auxílio, socorro, amparo, suporte ou qualquer ajuda de natureza filantrópica é um dever que temos enquanto cidadãos. Não encontro evidências de defesa de um Estado devedor de provisão nas escrituras e nem nos ensinamentos de Cristo, o que, por si só, destrói as bases da Teologia da Libertação, que reivindica um “Jesus socialista”.

Gostaria de tratar da influência cultural na formação da identidade do povo. É importante não confundir diversidade com identidade. Muitos antropólogos e sociólogos defendem a pluralidade como uma manifestação da identidade pluralizada, o que, de certa forma, não está errado. O que defendo é que nossos traços culturais são definidos e não liquefeitos em um emaranhado de pluralidades sem raízes suficientes para se tornarem identidades sólidas. E isso não significa que defendo supremacia étnica ou cultural. O que pretendo é instigar o querido leitor a se perguntar: Quem somos? Qual a nossa identidade? Como conseguiram nos moldar culturalmente?

A pluralidade sempre se fez presente nas sociedades, mesmo as mais antigas. Cito o antigo Império Romano como exemplo. Um império com tamanha extensão territorial foi mais pluricultural que qualquer outro que se tem notícia. No entanto o próprio fato de não conseguir absorver culturalmente tantos povos acabou por ser um dos fatores a leva-lo à ruína. Por isso é preciso lembrar que o que mantem um povo vivo é sua identidade. Dela nascem princípios como patriotismo e amor à pátria. E é exatamente o esfacelamento da identidade cultural em nome do respeito à diversidade que está acabando com essas características.

Entendo que a diversidade deve ter sua existência respeitada, porém não priorizada. O contrário disso representa a destruição de raízes culturais que foram responsáveis pelo nascimento de povos que deram origem a outros povos e assim sucessivamente. No caso do Brasil a diversidade cultural e étnica foi usada como meio de segregação, já que a esquerda se apropriou de alguns povos e minorias e os transformou em pautas políticas. Veja os “indígenas”, “quilombolas”, “LGBTs”, “pobres”, “negros” acabaram se tornando pautas ideológicas e são amplamente monopolizados, como se fosse propriedade da esquerda. O resultado disso a longo prazo é que as pessoas pertencentes a estes grupos acabam sendo encorajadas a pensar que todas as outras as odeiam.

Qual tem sido o principal meio usado pela esquerda para conquistar domínio cultural? Exatamente utilizando estes grupos e muitos outros, ela consegue realizar a chamada “revolução cultural”, que transforma a forma coletiva de pensar e a cosmovisão acerca do ser humano e da sociedade. Por isso é que ainda existem pessoas que acreditam na inocência de Lula, na eficiência do PT em administrar, na idoneidade de Guilherme Boulos e na loucura do PSOL, que admite a ridícula ideia de existir socialismo e liberdade no mesmo lugar.

O fato é que o brasileiro e a maioria dos latino americanos com menos de 50 anos são socialistas por essência. Não que queiram ser assim, mas que foram obrigados a aprender assim. Ou você acredita que a obrigatoriedade de que todo brasileiro frequente a escola regulada pelo Estado é para a formação de uma identidade isenta de ideologias? Como algo obrigatório pode gerar liberdade de pensamento? Você aprende o que lhe obrigam aprender. Portanto, você aprende o que alguém ou um grupo quer que você aprenda. Isso não pode ser algo que se volte contra eles no futuro. Portanto você não aprende; você é “moldado”.

Esteja atento quanto ao que seus filhos estão aprendendo na escola, na rua, na TV, na internet e até mesmo na igreja. Todos os setores estão aparelhados. Só resta você para defender aqueles a quem ama. Se esquive disso e terá um socialista ainda mais apurado em casa.

 

 

Davidson Oliveira, para Vida Destra, 13/05/2021.
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FABIO PAGGIARO
FABIO PAGGIARO(@fabio-paggiaro)
6 meses atrás

Excelente análise, Davidson. Eles já conseguiram tiram nossa identidade cultural ocidental. O comunismo não mais é transmitido pelos dogmas de “O Capital” ou do “Manifesto Comunista”, mas difarçado por temas como direitos humanos e de minorias, diversidade, igualdade, sustentabilidade e por ai vai. E para quebrar resistências, há o pesado e sistemático ataque ao Cristianismo por intermédio da “laicidade do Estado”. Parabéns.