Genocídio: 1. Destruição metódica de um grupo étnico ou religioso pela exterminação dos seus indivíduos. 2. [Por extensão] Exterminação de uma comunidade de indivíduos em pouco tempoDicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

O genocídio é tão antigo quanto à Humanidade. Apesar de nefasto, pouco se reduziu com a evolução política, social e científica ocorrida durante milênios. Parece geneticamente entranhado na mente humana. Hipocritamente, sê-lo abomina, mas sempre se encontra formas de justificá-lo ou disfarçá-lo. O núcleo do raciocínio está numa suposta ameaça que determinado grupo étnico, político, religioso ou nacional representa à sobrevivência de outro que, em função disso, reage com violência desmedida.

O século XX foi pródigo em genocídios. Antagonismos étnicos, religiosos e políticos, alguns seculares, se potencializaram na Europa e Ásia. Conflitos inter e intra estatais explodiram levando a duas guerras mundiais, entre outras. Contudo, nada se compara aos assassinatos em massa promovidos pelos regimes comunistas [1]. Os seis milhões de judeus sacrificados pelo nazismo sequer se aproximam deles.

Historiadores estimam que os soviéticos exterminaram entre 20 e 35 milhões de pessoas por motivos políticos, fome e migrações forçadas, sendo a maior parte creditada a Stalin [2]. A Mao Tsé Tung atribuem, aproximadamente, 50 milhões de mortes decorrentes da fome – fracasso da política agrária – e da violência política resultante da Revolução Cultural [3]. Há exemplos de menores proporções, mas não menos macabros, como Vietnã, Camboja, Cuba e Coreia do Norte.

Essas atrocidades possuem características inexoráveis. A primeira delas é a crença dogmática em que a sociedade capitalista deve ser extinta e disso surgir um “novo homem”. Para tanto, qualquer preço é aceitável para a implantação do comunismo e seres humanos se tornam descartáveis. A segunda, é que as decisões de cúpula são assumidas como infalíveis, mesmo quando causam catástrofes humanitárias, o que leva à terceira característica, qual seja, a negação de fatos (censura) e a criação de uma realidade paralela pela propaganda oficial.

Tudo isso está fartamente documentado, além de admitido por seus protagonistas. Nikita Kruschev, então Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, denunciou os crimes de Stalin (1956) [4]. O camarada Mao, em seu Grande Salto Adiante  afirmou: Quando não há o suficiente para comer, as pessoas morrem de fome. É melhor deixar que metade das pessoas morram para que a outra metade possa comer [5]. Che Guevara, em discurso na ONU (1964), declarou: “(…) fuzilamentos, sim! Fuzilamos, estamos fuzilando e seguiremos fuzilando até que seja necessário” [6].

Todavia, essas práticas não ficaram no passado. São apoiadas até os dias atuais pela Esquerda. Por ocasião da morte do ditador norte-coreano Kim Jong-il (2011), o Partido Comunista do Brasil (PC do B) divulgou nota de pesar com eloquentes elogios ao sanguinário ditador e ao regime comunista de seu país. Quando presidente, Lula, em visita a Cuba (2010), condenou greve de fome de dissidentes presos arguindo que direitos humanos não poderiam obstruir a Justiça (?) cubana.

Caso mais emblemático e atual é o da Venezuela. Hugo Chávez assumiu o poder pelas urnas e implantou o Socialismo do Século XXI. Cooptando as Forças Armadas, instituiu a ditadura bolivariana, à qual seu sucessor, Nicolás Maduro, deu continuidade produzindo uma catástrofe humanitária. Tudo com apoio da Esquerda, principalmente latino-americana e brasileira.

Transitando do campo ideológico para o das estratégias e táticas, revolucionários comunistas, via de regra, creem em greves como instrumento para colapsar o sistema capitalista. Trabalhadores do mundo, uni-vos, exortou Marx.  Por trás de cada greve aflora a hidra da revolução, afirmou Lenin. Entretanto, nunca houve uma revolução comunista que obtivesse sucesso pelas greves, apenas. O comunismo sempre foi instaurado por minorias armadas.

Isso porque há completa dissonância cognitiva entre a ideologia e a natureza humana, pois a primeira é coletivista e esta última é individualista. Porém, o dogmatismo doutrinário impede o reconhecimento dessa realidade e a Esquerda sempre busca adaptações disfarçadas por narrativas para contornar fracassos revolucionários e voltar à carga. Assim foi com a substituição da luta armada, promovida desde o final da II Grande Guerra, pela Hegemonia Cultural de Gramsci, em fins dos anos 80, o que não significou aderir à democracia, mas sim utilizá-la para tomar o poder.

Desde então, obtiveram grande sucesso. Sequestraram temas com apelo sentimental como direitos humanos, sustentabilidade ambiental, direitos de minorias e combate a fome, os quais passaram a utilizar como condutores ideológicos. Organismos internacionais, redes sociais e imprensa foram completamente aparelhados e passaram a impor narrativas e cercear a livre expressão. Dessa forma, líderes mundiais moldaram e subordinaram seus posicionamentos ao politicamente correto.

Nesse contexto, entre o fim dos anos 80 e 2020, a Esquerda manteve aparência democrática e algum espaço para ideias divergentes. Mas, veio a Covid-19 e os lobos sacaram as peles de cordeiro. Acertadamente, vislumbraram na pandemia oportunidade ímpar para tirar da hibernação os dogmas e práticas totalitárias e, definitivamente, levar o sistema capitalista ao colapso.

Greves gerais, sempre muito difíceis de articular em um único país, agora ocorrem com abrangência mundial intituladas de isolamento social. A liberdade de imprensa cedeu lugar ao discurso único em prol desse mesmo isolamento, dito científico, sem estudos que o comprovem. Seus opositores e respectivos estudos não tem voz na imprensa e nos meios acadêmicos. São defenestrados como negacionistas e contrários à vida. A histeria e o pânico foram disseminados e forças policiais passaram a reprimir o livre transito e reuniões. Stalin e Hitler não pensaram em algo tão eficaz.

Adicionalmente, a paralisia de atividades econômicas decorrente dos isolamentos possui efeitos catastróficos e se aplica há mais de um ano, ainda que de forma intermitente e regionalizada. Quanto mais pobre o país, mais cruéis são os efeitos na população que se vê impedida de trabalhar e não consegue obter sustento mínimo. É o caminho certo para o colapso econômico, social e político. Tudo o que os comunistas sempre preconizaram para viabilizar a tomada do poder.

Porém, a Esquerda não está preocupada com os efeitos disso sobre os pobres. Ao contrário, busca afetá-los ao máximo para depois culpar governos de direita. Não importa quantos morram, desde que contribuam para a tomada do poder. O Choro é livre. O fim justifica os meios. O genocídio está nos genes esquerdistas, desde sempre. Eles apenas disfarçam isso conforme as conveniências de momento e a Covid-19 derrubou lhes as máscaras e os tirou do armário.

A Esquerda não se humanizou nem se democratizou. Ainda tem no genocídio um instrumento eficaz de limpeza ideológica a ser utilizado sem limites éticos, morais e humanitários. A diferença é que se aperfeiçoaram e, agora, o utilizam disfarçado de medidas sanitárias para proteger a humanidade da pandemia. Promovem a morte pela fome para que ninguém morra de covid-19.

E ainda assistimos ao sórdido espetáculo daqueles isentões que se associam a essas teorias pseudocientíficas, por possuírem condições financeiras para ficar em casa. Assim, apoiam a repressão e criminalização dos que precisam trabalhar. Olvidam-se, porém, que o colapso econômico e social não os poupará e acabarão, eles próprios, substituindo os pobres que ajudam a exterminar.

Desde o inicio da pandemia, temos ouvido e lido manifestações que acusam Bolsonaro de genocida. Essas afirmações são emitidas por jornalistas, políticos de esquerda, ONG, entidades classistas e até pelo ministro do STF, Gilmar Mendes. Na realidade, tudo não passa da velha técnica de propaganda leninista de atribuir ao inimigo os próprios defeitos.

Há, sim, um genocídio sendo praticado. Suas vítimas são os pobres, obrigados a morrer de fome em casa, sem poder trabalhar, para não transmitir o vírus aos ricos. E seu algoz não é Bolsonaro, mas a Esquerda, genocida como sempre.

 

Nota: Caso haja interesse do leitor, outros artigos de minha autoria relacionados ao tema, e que embasam argumentos ora apresentados, poderão ser encontrados aqui!

Referências:

[1] O Livro Negro do Comunismo, 1999. Stéphane Courtois (Autor), Nicolas Werth (Autor), Jean-Louis Panné (Autor), & 4 mais.

[2]  Yakovlev, Alexander. 2002. Century of Violence.  Volkogonov, Dmitri. 1999.  Autopsy for an Empire: The Seven Leaders Who Built the Soviet Regime. Gallately, Robert. 2007. Lênin, Stálin e Hitler: a era da catástrofe social.

[3] Valentino, Benjamin A. 2005. Final solutions: mass killing and genocide in the twentieth century. Dikötter,  Frank. 2010. Mao’s Great Famine: The History of China’s Most Devastating Catastrophe. MacFarquhar and Schoenhals. 2006. Mao’s Last Revolution.

[4] Discurso de Nikita Kruschev, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, ocorrido em 1956, publicado no jornal Известия ЦК КПСС(Izvestiya CK KPSS; Reports of the Central Committee of the Party), em 3 de março de 1989.

[5] Dikötter, Frank. 2010. Mao’s Great Famine: The History of China’s Most Devastating Catastrophe.

[6] Link do áudio do discurso aqui.

 

 

Fábio Sahm Paggiaro, para Vida Destra, 08/04/2021.                                                Sigam-me no Twitter! Vamos debater o tema! @FPaggiaro

 

Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

 

Receba de forma ágil todo o nosso conteúdo, através do nosso canal no Telegram!

 

As informações e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade de seu(s) respectivo(s) autor(es), e não expressam necessariamente a opinião do Vida Destra. Para entrar em contato, envie um e-mail ao contato@vidadestra.org

Fábio Sahm Paggiaro
Últimos posts por Fábio Sahm Paggiaro (exibir todos)
Subscribe
Notify of
guest
8 Comentários
mais antigos
mais novos mais votados
Inline Feedbacks
View all comments
BananenseNãoPraticante
BananenseNãoPraticante
5 meses atrás

Texto primoroso, parabéns! Os revolucionários (progressistas) são todos “humanistas”. Este conceito é bem diferente de serem “humanos”. Para os progressistas, até mesmo o genocídio daqueles que pensam diferente seria justificado! Mas como chegaram a ter esse tipo de pensamento? O humanismo teve origem na virada do século XV para o XVI e colocou o homem no lugar de Deus. Isso inverteu a forma do homem “ver o mundo”, em outras palavras, eles deixaram de observar os princípios e valores que fundamentam a civilização cristã ocidental. Com a mudança desses princípios e valores, puderam justificar (na cabeça revolucionária) as maiores atrocidades,… Read more »

Carlos Diognes
Carlos Diognes
Reply to  BananenseNãoPraticante
5 meses atrás

E pior, desde o advento do Marxismo no Século XIX não se concebe mais estudar matérias de humanas, como história, sociologia, etc sem ser pela ótica da da luta de classes. Virou um dogma pretensamente “científico”

BananenseNãoPraticante
BananenseNãoPraticante
Reply to  Carlos Diognes
5 meses atrás

Sim, hoje este é um dos resultados da grande revolução progressista iniciada séculos antes. No século XVII a educação foi completamente alterada para o mero ensino (o ensino é algo infinitamente inferior à educação que era oferecida, até então). O principal culpado é um cara pouco mencionado por aí, chamado “Comenius”. Com o “””renascimento””” humanista, sentiram necessidade de afastar a educação das sete artes liberais oferecida até então. Fato é que a partir de Comenius, as ideias “evoluíram” para o filosofismo materialista iluminista, desembocando nos ideais da revolução francesa, subvertendo totalmente os valores em que se fundou a civilização ocidental.… Read more »

Luiz Antonio Santa Ritta
5 meses atrás

No brilhante artigo de @FPaggiaro sobre a esquerda promove o genocídio dos pobres, só posso dizer que se o Governo Bolsonaro não tivesse implantado o Auxílio Emergencial, muita gente estaria matando cachorro a grito, como fazem na Venezuela.

Renata Araujo
Renata Araujo
5 meses atrás

Genial e preciso. Combina muito com o vídeo do Puggina que vi hoje. Vou te mandar.

Carlos Diognes
Carlos Diognes
5 meses atrás

Faltou incluir na definição de genocídio o extermínio em massa por questão de classe social, pois enquanto os nazistas fizeram um genocídio por questão de raça, os comunistas fizeram, e ainda fazem, por questão de classe social
Todos aqueles indivíduos que não pertencem a classe trabalhadora, são inimigos de classe e devem ser exterminados
O nazismo para exterminar milhões de judeus, ciganos, eslavos, etc se justicou com uma falsa biologia e os comunistas numa falsa sociologia.