Na última sexta feira, 14 de agosto de 2020, o DataFolha publicou[1] uma pesquisa sobre a avaliação de Bolsonaro pela população brasileira, demonstrando que ele tem o melhor índice de aprovação, desde o início do mandato.

Os que veem o governo como “ótimo ou bom” subiram de 32% para 37%; os “regulares” subiram de 23% para 27%, o que, somados, resultam numa aprovação de 64%. Mais acentuada foi a mudança nos índices de rejeição, que caíram de 44% para 34%, tendo as maiores alterações ocorrido no Nordeste, até então, reduto anti-Bolsonaro.

Entretanto, quando se analisa, não apenas esses percentuais, mas o contexto em que eles se produziram, seu significado adquire importância maior do que a aprovação de 64%.

E qual seria esse contexto?

Um ambiente de massacre midiático, em meio a uma pandemia, num país na pior recessão econômica de sua história, estagnado por medidas autoritárias que impuseram isolamento social em nome da salvação de vidas, tudo à revelia do Executivo, cujos poderes para gerenciar a crise foram subtraídos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Congresso, STF, governadores, prefeitos e políticos em geral viram na pandemia uma oportunidade para destituir o Presidente. Imobilizariam seu governo e lhe imputariam o caos econômico e social, bem como as mortes por covid. Eles é que protagonizariam as ações contra a pandemia. Não dariam essa chance a Bolsonaro. Dória, por exemplo, “iniciou sua campanha presidencial” fazendo as entrevistas diárias como o grande gerente da crise.

Porém, quando o STF tirou os poderes do Executivo para nela atuar e o transferiu aos governadores e prefeitos, transferiu-lhes também a responsabilidade pelo caos que pudesse advir e pelas mortes. Contudo, deixou ao Presidente a tarefa de distribuir dinheiro à população sem se limitar ao teto fiscal, o que, em se tratando de Brasil, é o melhor dos mundos em termos eleitorais. O PT sempre sonhou com semelhante oportunidade.

E eles todos, mancomunados, e embevecidos pela certeza da vitória, não perceberam a armadilha em que se colocaram. Acreditaram que mentiras, calúnias, injúrias e difamações, veiculadas diuturnamente pela extrema imprensa, dentro e fora do País, destruiriam a imagem de Bolsonaro perante a população.

E os mentirosos todos, convictos de uma vitória inexorável, planejaram um grande factoide para, definitivamente, enterrar a imagem do presidente e tornar inviável sua permanência no cargo: as 100.000 mortes do coronavírus.

A certeza era tanta, que o DataFolha efetuou uma pesquisa uma semana depois do “record” de mortes, pressupondo, talvez, que registraria o definitivo sepultamento do apoio popular ao mandatário. Entre essa ocorrência e as pesquisas, claro, houve declarações e “lives” emocionadas dos mentirosos de sempre para reforçar a “revolta da população que certamente viria”.

Mas…se esqueceram que os tempos de monopólio da informação já se foram. As redes sociais escancaram a verdade. As “narrativas” que negam e distorcem a realidade, ou seja, as mentiras, as fakenews, não se sustentam por muito tempo. Há uma nova realidade na comunicação social.

E veio a pesquisa. E com ela a “surpresa”. A popularidade do “fascínora, nazista, genocida, etc., etc., etc.”, havia aumentado! Mas como assim? Tudo de ruim que falamos dele não colou? Como isso é possível? Como esse povo brasileiro pode ser tão ignorante? Os pobres se venderam por uma mísero auxílio temporário!!!

E com isso, estamos numa semana cômica, com a extrema imprensa tentando entender e explicar o “absurdo” acontecimento, pois muitos deles creem nas próprias mentiras e sua dissonância cognitiva, causada pelo comunismo, não lhes permite qualquer diagnóstico próximo da realidade.

Mas, as surpresas não ficam somente na esfera da imprensa. Nem ficarão as consequências. Elas também se ampliam para políticos e ministros do STF. A praga está se voltando contra os que a rogaram. Se a popularidade de Bolsonaro aumenta, a de seus algozes só pode diminuir.

E diminuem na mesma proporção, pois eles buscaram a polarização do Bem contra o Mal. E assim se consolidou a situação política brasileira, porém, de forma contrária ao planejado por eles. Para a população, os polos estão invertidos: Bolsonaro está ao lado do Bem e eles, do Mal.

Aqueles reconhecidos como “maléficos” devem estar preocupados. A extrema imprensa perdeu completamente sua credibilidade e deverá perder patrocinadores e assinantes, com riscos de falência. A Globo já vem demitindo muitos atores que manteve contratados por décadas.

Os políticos não perderam credibilidade, pois, com raras exceções, não a possuem. Mas perderão votos em ano eleitoral. E votos necessários não somente ao pleito municipal, mas ao presidencial em 2022, pois estão conectados. O primeiro pode definir o segundo.

Contudo…os ministros do STF não dependem de voto e, embora para alguns deles não seja “confortável” andar pelas ruas ou embarcar em aviões comerciais, mesmo quando fora do País, não dependem de votos e seus cargos são vitalícios. Sim. E processos contra eles estão engavetados no Senado. Sim. Mas, até quando?

Será que a extrema imprensa persistirá na ofensiva ao perceber que deixará de existir se continuar atacando o presidente e defendendo bandeiras “progressistas”, que a maioria da população abomina?

Será que os políticos, ao perceberem que sem alinhamento ao Presidente não se elegerão, vão continuar se opondo a ele?

E os políticos e a extrema imprensa, ambos entendendo que precisam desse alinhamento para sobreviver, não poderiam escolher radicais de esquerda e ministros do STF como alvo para demonstrarem sua nova postura “democrática” e se redimir perante o eleitorado?

Não poderiam eles, pelo menos, escolher dois ou três em cada um desses dois grupos para “servir de exemplo” e, dessa forma, “mudar tudo para não mudar nada”? Entregar alguns anéis para não perder os dedos?

Aguardemos as próximas pesquisas. Se a popularidade de Bolsonaro continuar subindo, as adesões devem aumentar. E comportamentos se alterarão. Lembremo-nos das “atuações” do “Bolsodoria”, da Joyce Hasselman, do Alexandre Frota, entre outros, quando queriam se eleger e o apoio a Bolsonaro lhes garantiria isso.

Os ventos parecem estar mudando para, definitivamente, favorecer Bolsonaro e a maioria dos brasileiros que nele confia e depositou suas esperanças.

Entretanto, aos que não aceitam sua eleição, e, por consequência, a vontade popular expressa nas urnas, nada mais resta a não ser intensificar as mentiras, o cerceamento das competências do Executivo e a censura às redes sociais, como vêm tentando o Congresso, o STF e a extrema imprensa.

São os instrumentos que possuem para sobreviver e, assim sendo, não se constrangerão em usá-los.

Resta saber até quando nós, os brasileiros, aceitaremos tal afronta aos nossos direitos democráticos.

Fábio Sahm Paggiaro, para Vida Destra, 18/8/2020.

Sigam-me no Twitter! @FPaggiaro

[1]http://media.folha.uol.com.br/datafolha/2020/08/14/da7301f937d9224fe7ddf4cc81bcdf87ab.pdf

Fábio Sahm Paggiaro
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Sander Souza
Sander Souza
30 dias atrás

Mais uma excelente análise sobre o tema! Parabéns Fábio!
Artigo lido e compartilhado!

Celina
30 dias atrás

“Aguardemos as próximas pesquisas. Se a popularidade de Bolsonaro continuar subindo, as adesões devem aumentar. E comportamentos se alterarão.” Fabio, você só faz perguntar “Até quando?” E pedir que “aguardemos”! Nós, as “tias do ZAP”, não aguentamos mais!!! Não é possível! Esses canalhas não caem! É inacreditável que essa minoria criminosa não é presa!!! Eles, que não podem executar pois não são do Executivo, prendem e soltam ilegalmente!!! ATÉ QUANDO, Fábio!?!?

Luiz Antonio
30 dias atrás

Em excelente artigo Fábio Paggiaro assevera que a verdade triunfa sobre as pesquisas eleitorais. Mas questiona até quando a afronta dos direitos democráticos, entendo que até o momento em que o povo se conscientizar que não devemos mais aceitar e rebelarmos contra máscaras, fechamento e todas as arbitrariedades.

Marcy Drummond Barbosa de Castro
Marcy Drummond Barbosa de Castro
30 dias atrás

Excelente análise Paggiaro.

Nunes
Admin
30 dias atrás

Lido e compartilhado! Excelente.

Chies
Chies
29 dias atrás

Parabéns pelas assertivas colocações, caçador !