Acaba de ser acionado na Bolsa de Valores de São Paulo o “Circuit Breaker”, “dispositivo de segurança” do pregão que é acionado quando ocorrem quedas vertiginosas do Ibovespa, com referência no fechamento do dia anterior.

As regras do “Circuit Breaker” são:

  • Regra 1: se o índice Ibovespa atingir baixa de 10% em relação ao fechamento do dia anterior, todos os mercados serão interrompidos por 30 minutos;
  • Regra 2: Reabertos os negócios, se o Ibovespa cair mais 5%, e chegar a uma queda de 15% em relação ao dia anterior, todos os mercados serão interrompidos por 1 hora;
  • Regra 3: Reabertos os negócios, se o Ibovespa continuar a despencar e atingir queda 20% em relação ao dia anterior, todos os mercados serão fechados até definição da Bovespa para reabertura (tempo indeterminado).

Esta última regra nunca chegou a ser acionada. Mas houve as seguintes interrupções do pregão:

  1. 28/10/97: Crise cambial asiática, 30 minutos e 1 hora de interrupções;
  2. 7/11/97: Crise cambial asiática, 30 minutos;
  3. 12/11/97: Idem;
  4. 21/8/98: Crise cambial russa, 30 minutos;
  5. 4/9/98: idem;
  6. 10/9/98: Crise cambial russa, 30 minutos e 1 hora;
  7. 17/9/98: Crise cambial russa, 30 minutos;
  8. 13/1/99: Crise cambial brasileira, 30 minutos;
  9. 14/1/99: Idem;
  10. 6/10/2008: Crise do Subprime, 30 minutos e 1 hora;
  11. 10/10/2008: Crise do Subprime, 30 minutos;
  12. 15/10/2008: Idem;
  13. 22/10/2008: Idem;
  14. 18/5/2017: Delação da JBS, 30 minutos;
  15. 9/3/2020: Coronavírus e crise do petróleo, 30 minutos.

Ou seja, ocorre a interrupção da Bolsa em situação de altíssimo estresse.

Isso vem acontecendo há semanas. O coronavírus, sua origem, o desconhecimento sobre ele, sua rápida propagação, a absoluta paralisação da economia chinesa, já vinha tensionando os mercados ao redor do mundo, fazendo as Bolsas caírem em todo lugar.

Hoje, com a notícia de que a Arábia Saudita aumentará substancialmente sua produção e oferecerá descontos de até 20% no barril do petróleo bruto, para certos mercados (Europa), as Bolsas asiáticas despencaram fortemente. O preço do barril do petróleo caiu 30%, o que não acontecia desde 1991. A demanda por petróleo produto caiu fortemente nos últimos meses, já que a China está com sua produção parada. Uma vez que a OPEP aumente a produção, aumenta a oferta também, e o preço desaba.

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, e também a “líder” da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Pode produzir mais de 12 milhões de barris diários, ou seja, aumenta ou diminui a oferta a bel prazer, sem se incomodar com os outros produtores. Curiosamente, a Arábia havia proposto, até a última sexta-feira, a redução da oferta, mas hoje agiu de forma contrária.

Porque Putin disse que topa, que também pode vender barato pelo tempo que for necessário. A Rússia não é uma grande produtora, mas é uma grande exportadora, e tem um “mercado cativo” na Europa, que depende do óleo russo para aquecimento no inverno. Sem ele, congelaria. Já havia recusado a proposta da OPEP na sexta-feira, dizendo que queria ver os efeitos e impactos do coronavírus antes de tomar essa decisão de conter a oferta.

Isso pode levar a uma “guerra de preços” entre OPEP e Rússia, e piorar a situação.

Diante de tanto risco, o dólar disparou nos mundo todo. Aqui, chegou a R$ 4,78, e no momento em que encerro este artigo, estava oscilando em torno de R$ 4,72, dada a reação do Banco Central, que colocou a moeda estrangeira no mercado.

A Bolsa reabriu, e não continuou a queda. Oscila em torno de 89.000 pontos.

Mas poucos operadores têm dúvida que estamos prestes a sofrer uma recessão mundial.

Fábio Talhari, para Vida Destra, 9/3/2.020.

 

Fábio Talhari
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Celia Campos
Celia Campos
4 meses atrás

Deus meu o mundo desaba por causa de uma gripe ! Uma influenza e a culpa é toda da China fabricando doenças para o mundo e o feitiço vira contra ela mesmo !

Izabel Franco
Izabel Franco
4 meses atrás

E quem ganha é a santa China com trilhões de dólares em seu poder.