Estamos consternados com a catástrofe humana e ambiental ocorrida em Brumadinho – MG. Eu estou exatamente nessa ordem, me perdoem os “ecochatos” de plantão, porque sou um humanista, por vocação e formação.

Ainda temos muito fresco na memória os mesmos acontecimentos, referentes a Mariana, no mesmo local e com a mesma vilã. Aliás, sobre esse ponto, pretendo começar este artigo.

A empresa Companhia do Vale do Rio Doce (CRVD) foi criada como sociedade anônima de capital misto, sob controle do Governo Federal, em 1942, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, para a exploração do minério de ferro na região de Itabira. Em 2007, foi um dos projetos de privatização de Fernando Henrique Cardoso.

É preciso que eu diga que considero empresas públicas como sendo uma contradição em termos, ou seja, encerra termos antagônicos entre si. A razão de ser de uma empresa é o lucro – e essa é a definição clássica, em Economia, de Empresa, uma unidade de produção de bens ou prestação de serviços, de forma organizada, tem como finalidade, sempre, a obtenção de lucro. Já a entidade pública deve prestar serviços ao povo, nos nichos econômicos em que a iniciativa privada não tem interesse, justamente porque não são lucrativos. Daí minha conclusão: não se pode, com uma mesma entidade objetivar obter lucros e não o obter, ao mesmo tempo! É um termo tão estúpido como “guerra santa”. Ora, se é santa, não poderia ser guerra, e se for guerra, não pode ser santa! Portanto, quero deixar claro desde já que sou absolutamente a favor de um completo e irrestrito projeto governamental de privatizações.

E, especificamente aqui no Brasil, há mais uma razão, premente: uma empresa pública não é do povo! Vimos da História que ela acaba sempre nas mãos de algum partido político, que se locupleta do dinheiro que ela obtém, de várias formas. Aliás, considero esta uma das piores e mais malévolas mentiras da esquerda: “Querem vender nossas riquezas! O petróleo (ou o ferro, neste caso) é nosso!”, e outras sandices maquiavélicas, somente para obter um meio de continuar sugando esse patrimônio de modo criminoso.

Já como advogado e operador de mercados, nos anos 90, acompanhei muito de perto os processos de privatização. Houve três muito interessantes: os das empresas de telecomunicações (que se completou – e por isso há mais celulares do que habitantes no Brasil!), o das mineradoras, como a Vale (que até se completou, mas foi revertido pelo PT) e o da Petrobrás (que não se completou, e olha no que deu: o Petrolão!). Ainda vou debater mais sobre este tema, mas vejam só como os fatos corroboram minhas teses.

Especificamente no caso da hoje denominada simplesmente Vale, a concretização da privatização se deu com a venda da antiga CVRD, em 6 de maio de 1997, para o Consórcio Brasil, que era capitaneado pela Companhia Vale do Rio Doce, então nas mãos do empresário Benjamin Steinbruch. Foram pagos US$ 3,3 bilhões, pela alienação do controle da S/A, adquirindo 27% das ações om direito a voto (ordinárias). Na época, a Vale produzia cerca de 114 milhões de toneladas de minério ao ano. Logo após a privatização, a operação da S/A disparou, e em 2005, atingiu níveis recordes de lucro e produção, que chegou a 225 milhões de toneladas de minério ao ano. Mas, esse processo foi revertido.

Porém, essa privatização foi revertida, nos governos petistas. O preço do minério de ferro, por conta do superciclo econômico havido na primeira década do século XXI, e dentre as causas desse superciclo, aponte-se a demanda por minério de ferro pela China, subiu 123,5%! O fluxo financeiro da empresa disparou. E disparou também a cobiça dos partidos políticos: Dilma e o Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, encetaram uma verdadeira campanha contra Roger Agnelli, que era presidente da Vale, até que conseguiram afastá-lo do controle da empresa, em 2001. Nessa altura do campeonato, o BNDES e a Previ haviam comprado 60,5% da Vale, e a “desprivatizado”, voltando o controle às mãos do Governo Federal. Colaborou comigo, na apuração destes dados e na análise da situação da empresa minha querida amiga, Sol do Sul sc (@FloripaTriskel), a quem dou créditos e agradeço.

Então, em 5 de novembro de 2015, a Barragem de Fundão, em Mariana, MG, rompeu-se. Essa barragem detinha 50 milhões m³ de rejeitos, mas derramou 62 milhões m³ de lama nas adjacências, chegando ao Rio Doce, como todos sabemos.

No dia do rompimento da barragem em Mariana, Dilma estava em Alagoas para inauguração do terceiro trecho do Canal do Sertão, obra hídrica para transporte de água do Rio São Francisco para o interior do Estado. No dia 6 de novembro de 2015, o Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, que estava com Filma em Alagoas no dia 5 anterior, foi até o local do desastre, acompanhado do então governador, Fernando Pimentel. Naquele momento, Dilma não falou nada, mas o discurso do Governo se baseava na culpa da empresa – Izabella Teixeira, Ministra do Meio Ambiente na época, declarou que a responsabilidade ambiental era da empresa. Dilma só foi até a região em 12 de novembro de 2015, uma semana após o episódio, e apenas a sobrevoou, sequer desceu ao solo. As medidas de ajuda nos resgates de vítimas foram realizadas por meio de um plano de ação da empresa Samarco (subsidiárias da Vale), em conjunto com o corpo de bombeiro, além das “autoridades competentes” e voluntários populares. Foram registradas 19 mortes.

Então, no dia 25 de janeiro de 2019, sexta-feira que foi feriado no município de São Paulo, rompe-se mais uma barragem, envolvendo a mesmíssima empresa. Esclareça-se que a Barragem de Brumadinho detinha 12 milhões m³ de rejeitos de minério de ferro. Veja o momento do rompimento da barragem no vídeo. Colaborou comigo Camila (@CamilaPresence), minha grande amiga, remetendo-o.

Desastres como estes sempre movimentam mais lama e terra do que a quantidade inicial de rejeito, por exemplo, em Mariana, a quantidade de rejeitos era de cerca de 50 milhões de m³, mas movimentou cerca de 62 milhões de m³. No presente caso, calcula-se (estimativa) que o movimento de lama e terra tenha atingido pelo menos 15 milhões de m³.

Veio-nos uma excelente contribuição, do internauta, professor universitário e dentista Edson Nogueira, (@EdsonNo56528538), mostrando em 3D os efeitos da catástrofe, sobre a movimentação da lama e a área que foi atingida.

No momento em que se deu o rompimento da barragem, Jair Bolsonaro estava retornando de Davos, na Suíça, onde participara do Fórum Econômico Mundial. Mas o Governo, como um todo, agiu de forma rápida e eficiente.

Na mesma sexta-feira do rompimento, os Ministros Ricardo Sales (Meio Ambiente) e Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional) se deslocaram para Brumadinho. Na noite do mesmo dia 25 de janeiro, Bolsonaro criou Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastre, composto pelo Ministério da Casa Civil, participando dele os ministérios da Defesa, Cidadania, Saúde, Minas e Energia, Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional, e da Mulher e Direitos Humanos. Também compõem o conselho o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência e a Advocacia-Geral da União. Em 24 horas, no dia 26 de janeiro, já estava lá também o Presidente Bolsonaro, não apenas sobrevoando a região, mas descendo ao solo, tendo contato com as pessoas da região e reconhecendo as operações de resgate que estavam acontecendo.

Também foi criado um Comitê de Gestão e Avaliação de Respostas, para acompanhar as ações de socorro, de assistência, de restabelecimento de serviços essenciais afetados, de recuperação de ecossistemas e de reconstrução.

Nas operações de resgate e socorro, participam o Corpo de Bombeiros de MG, a Defesa Civil e também as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), coordenadas pela 4ª Região Militar. Os militares permanecem na região, à disposição e em ação para as operações.

E não somente: uma força-tarefa humanitária de Israel. Em uma aeronave das Forças Armadas de Israel, 130 militares e cerca de 16 toneladas  de equipamentos: cães farejadores, sonares usados em submarinos para localizar pessoas em grandes profundidades, com alta qualidade de recepção de imagem e detectores de vozes e ecos. Esses equipamentos e a expertise dos israelenses, por certo, serão muito úteis nas buscas pelos desaparecidos.

Lamentavelmente, a esta altura dos acontecimentos, não há mais como identificar e localizar sobreviventes. Até o presente momento (13:00 h do dia 28 de janeiro de 2019), a catástrofe atingiu o número de 60 mortos e 292 desaparecidos. Isso indica, claramente, que o número de mortes ainda deve subir, nos próximos dias.

O que ficou claro, até o presente momento, é que o Governo Bolsonaro agiu de forma rápida, eficiente e ampla para a contenção dos efeitos da tragédia, que não foi de pequenas proporções. Inclusive a imprensa tradicional, em sua grande maioria, comemorou e elogiou a velocidade e a eficácia com que as providências necessárias foram tomadas. Nas mãos e nas bocas dos justos e pios, as palavras e ações têm valor.

O trágico ainda, nos acontecimentos, entretanto, fica também com a reação de parte da imprensa, bem como o eleitorado de esquerda. Houve manifestações realmente repugnantes, asquerosas e que merecem o repúdio de toda sociedade civil.

Ao longo dos últimos dias, na internet, surgiram postagens como estas:

Neste ponto, convido os leitores a uma reflexão: pessoas dessa laia votaram no representante de um presidiário subletrado, cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro. Isso quer dizer que compactuam com esses crimes, em prol da idolatria a essa figura perniciosa. Chego a dizer que apoiar criminoso pode ser considerado como crime por cumplicidade. Mas agora, vão além. Disseminam ódio profundo não apenas contra o atual Presidente, mas contra seus conterrâneos e semelhantes. Essas pessoas vêm em um crescendo de histeria e violência que tem que ser contido, ou pela conscientização do quão repugnante é uma atitude dessa, ou pelo asco e reprovação da maioria da sociedade. Cabe dizer que a disseminação do ódio contra os semelhantes caracteriza crime, conforme artigo 286 do Código Penal.

E não apenas os cidadãos, se é que se pode chamar de “cidadão” seres dessa laia, desumanos. A imprensa, por diversos veículos, atacou a resposta do Governo, que se repita foi rápida e eficiente, ou desprezar e tentar desmoralizar a ajuda internacional de Israel. No caso do colunista acima, a sanha persecutória contra o Governo faz com que descambe para a desumanidade, também merecedora de nossa repugnância. Mas além: mostra que sequer deve ter lido a Bíblia, em algum momento da vida, ou se leu, não lembra (Moisés não abriu o Mar Morto, abriu o Mar Vermelho).

Estamos chegando em uma situação paradoxal. Esses eleitores não fazem ideia do que seja democracia, sentem ódio de seus semelhantes, repita-se. Estão tentando inviabilizar o Governo de todo modo, criando mentiras ou fazendo suposições criminosas, mas o prazo que eles têm para isso está se encurtando muito, já que resultados positivos já estão aparecendo, e são sólidos! Mesmo com as ações da Vale caindo cerca de 20%, o índice Bovespa não desceu dos 95.000 pontos, que é o novo patamar em que opera atualmente. Essa situação é insustentável, porque a sociedade está saturada dos delírios da esquerda, e tantas mentiras e acusações ocas estão cobrando seu preço, que é o absoluto e completo descrédito das sandices que tentam propalar.

Vale fechar a matéria com uma fábula, de Esopo, o “Pastorzinho e os Lobos”:

Um jovem pastor de ovelhas, encarregado que fora de tomar conta de um rebanho perto de um vilarejo, sentindo-se sozinho e querendo se divertir, por várias vezes, fez com que os moradores e os donos dos animais viessem correndo apavorados ao local do pasto, sempre motivados pelos seus falsos e desesperados gritos: “Lobo! Lobo!” Mas, quando eles se aproximavam do local do pastoreio, imaginando que o jovem estava em apuros com o Lobo, lá estava ele sempre a zombar do pavor que todos estavam a sentir. O lobo, entretanto, de fato se aproximou do rebanho. Então, o jovem pastor, agora realmente apavorado, tomado pelo terror e aflição, gritava esgoelado: “Por favor, venham me ajudar; o LOBO está MATANDO todo o rebanho!” Porém, dessa vez seus gritos foram em vão, e ninguém mais deu ouvidos aos seus apelos. O Lobo comeu tantas ovelhas quis, não importava quanto o pastorzinho gritasse por socorro.

Moral da história: Na boca dos mentirosos, o certo é duvidoso.

Fábio Talhari
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