Para poder traçar um quadro real dos reais impactos que a pandemia trouxe a São Paulo, a prefeitura, enfim, resolveu testar a população. A mesma estratégia foi utilizada em países onde o combate ao vírus chinês foi efetivo, como a Coreia do Sul.  Porém, como costuma acontecer aqui, não há material (kits) para teste disponível em número suficiente para açambarcar a população da capital inteira.

Então, a Prefeitura de São Paulo apresentou no dia 23/06 os primeiros dados do inquérito sorológico, realizado com moradores da capital sobre o novo coronavírus. Segundo o mapeamento, 9,5% da população já pode ter sido infectada pelo covid-19 na capital, ou seja, 1,16 milhões de pessoas. A margem de erro é de 1,7%.

É pouco, segundo os estudos mais divulgados e abalizados sobre a pandemia: somente a partir de 70% da população infectada haverá imunidade pública e geral suficiente para que o vírus chinês comece a declinar e desaparecer. Nesse sentido, pode-se até entender que o isolamento social não serviu para abreviar a pandemia, mas para manter os casos dentro das limitações de atendimento do setor público de saúde – esta é uma conclusão da redação da revista.

Seguindo a metodologia de amostragem, para realização da pesquisa, foram sorteadas 12 pessoas em cada um dos perímetros das 472 Unidades Básicas de Saúde (UBS), numa base de dados de 3,3 milhões de domicílios. Os agentes de saúde testaram, nos 5.664 domicílios visitados, 2.672 pessoas distribuídas em 96 distritos da capital. Segundo o secretário de saúde do município, Edson Aparecido, o inquérito será feito em cinco fases. “Essa fase que estamos apresentando é a fase zero. Teremos mais quatro fases a cada 15 dias com o mesmo número de pessoas sorteadas”, explicou. Ao final de 4 meses, terão sido testadas 45 mil pessoas. O número é pequeno, se comparado à população da cidade toda, que ora está em 12,18 milhões de habitantes, mas havendo o método distributivo dos testes, a amostragem pode dar um quadro geral mais real do que as estatísticas que foram feitas até agora, e possibilitar que voltemos ao cotidiano normal da cidade o mais breve possível.

O inquérito foi aprovado pelos comitês de ética da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e do Ministério da Saúde. Os exames foram realizados no LabZoo (laboratório da Prefeitura), com a coleta e todo questionário feitos pelos profissionais das 472 UBSs.

Esperamos, francamente, que os órgãos do judiciário, federais ou estaduais, não se coloquem, politicamente, contra a iniciativa! A colheita de dados de forma científica, como está sendo realizada pela Prefeitura de São Paulo, pode ser fundamental para demonstrar que o pico da pandemia já se deu em meados de junho, como parece indicar o gráfico da ilustração de capa desta matéria. Segundo se vê por ele, o indicador de novos casos diários teve a maior alta no Brasil em 19/6, com 54,8 mil diagnósticos, um pico agudo e isolado, até agora. Os indicadores posteriores ao dia 19/6 mostram picos na casa de 46,9 mil e 48,1 mil novos casos diários. Outros municípios deveriam copiar e endossar a estratégia da Secretaria de Saúde de São Paulo, otimizando a disponibilidade dos kits de teste e ampliando a base de informações que orienta as ações de combate à pandemia.

Para que seja possível, contudo, dizer com firmeza que a pandemia entrou em declínio, é necessário que haja uma queda consistente dos números de novos casos diários no Brasil, a se confirmar nas próximas semanas. Se for confirmada a tendência de estabilidade dos picos de novos casos diários abaixo de 50 mil por dia, poderemos afirmar que a pandemia está em um “platô” de estabilidade. Melhor ainda será se os picos vindouros se mantiverem abaixo de 45 mil novos casos por dia, o que indicaria, então, uma tendência de queda – pelo que torcemos muito!

Em termos do país todo, com dados consolidados até 3/7, o Brasil tem 1.539.081 casos confirmados de covid-19, com óbitos na casa de 61.884. A taxa de mortalidade nacional do covid-19 é de 4%, presentemente – e esta parece, sim, estar em declínio, já que chegou em torno e 8%.

Para a elaboração desta matéria, que muito interessa à população paulistana e, por extensão, ao Brasil todo, agradecemos à Secretaria Municipal da Saúde do Município de São Paulo, ao canal do YouTube da Prefeitura de São Paulo e à empresa Matrix, fornecedora dos sistemas de T.I. para a Prefeitura, que em seu periódico consolidou os dados do município de forma sintética e clara.

Fábio Talhari, para Vida Destra, 4/7/2020.

Fábio Talhari
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Sander Souza
Sander Souza
1 mês atrás

Parabéns por mais um excelente artigo, Fábio!
São informações que precisam ser compartilhadas, para que a população tenha acesso à realidade desta pandemia, e não fique presa às distorções da mídia marrom!

Nunes
Admin
1 mês atrás

Excelente…números concisos e reais facilitam muito a análise.

Ailton Mendonça
Ailton Mendonça
1 mês atrás

Parabéns Fábio!
Era essa informação que o Mandeta deveria ter repassado a população. Mesmo que o STF tirou o poder do Executivo, a postura em relação aos dados coletados deveriam ser padronizados. Não essa bagunça atual. E vimos que esse terrorismo imposto a população visou somente a liberação das verbas bilionárias para Estados e Municípios.

FABIO PAGGIARO
1 mês atrás

Excelente análise, Fábio. Foi aos pontos conclusivos. Visando ampliar o debate vou fazer alguns questionamentos que há muito me incomodam: depois de tantos meses de pandemia, esse virus já não deveria ter se espalhado para bem mais que 10% da população paulistana? o virus não teria que se espalhar em progressão geométrica? Essa pandemia seria tão avassaladora assim? Não teriam usado um canhão para matar uma formiga?