Prezados leitores, segue a segunda parte deste rico estudo da Intentona Comunista. Apreciem!

Lembrai-vos de 1935: a Intentona Comunista – Parte II

Parte II – As Forças Políticas

(Foto: Logo da AIB; Superinteressante-Abril.com)

 

Desde a eleição em 2018 que o Brasil vê divisões e subdivisões. Tem bolsonaristas, bolsonaristas nutela, direita extrema, direita isentona, centro, centrão, nova esquerda, esquerda direita, direita esquerda (traidora), só não tem extrema esquerda, por quê?

Primeiro vamos entender que os conceitos de direita e esquerda da Revolução Francesa do século XVIII, não são utilizáveis no século XXI. A direita queria conservar a Monarquia, e a esquerda queria conquistas sociais. No Brasil não há monarquia e nem muito menos uma opressão dos miseráveis que havia na França naquela época.

Vamos dividir direita e esquerda no século XXI da seguinte forma: a direita quer o Estado mínimo e liberdade econômica, a esquerda quer concentração de poder e Estado paternalista, inchado, com superpoderes.

A extrema esquerda quer a tomada do PODER, a todo custo, por meio da subversão, então fica claro porque ela “parece não existir”, mesmo sendo a principal causadora de entraves e atrasos ao atual governo.

Diferente do século XVIII, onde as condições sociais não importavam a ninguém, no século XXI temos uma outra situação, todos, simplesmente todos, têm a certeza de que as causas sociais e ambientais são importantes.

Partindo desse princípio, tanto direita quanto esquerda querem o bem social acima de tudo. Entretanto, existe uma outra dicotomia, dos que querem mais controle social e dos que querem mais “libertariedade”.

Existem, hoje no Brasil, os que querem a tomada do Poder pela força, sem eleições, o controle da internet, a censura, o controle irrestrito do judiciário em um polo.

E no outro polo existem aqueles que querem a Anarquia e a libertinagem pública explícita, controle algum de governo ou entidade alguma.

Então, podemos posicionar o Presidente Bolsonaro à direita por defender a liberdade econômica e minimização do Estado, e na parte de controle social, podemos dizer que ele está no polo que defende os valores morais, dentro da Lei, respeitando os ritos eleitorais e o voto da maioria.

Já o condenado Lula se posiciona mais à esquerda em relação ao controle da economia pelo Estado, e declara querer o PODER a qualquer custo, em nome da liberdade do proletariado (século XVIII), e se polariza ao contrário do Presidente Bolsonaro em relação ao controle social autoritário da internet, da mídia, inutilização das 1ª e 2ª instâncias do judiciário e a libertinagem pública explícita de forma irrestrita.

Mas… além dessas diferença entre posturas dos dois ícones, de onde vem o ódio aos ditos fascistas bolsonaristas? O que isto tem a ver com 1935?

Tudo nasce com a criação da Ação Integralista Brasileira (AIB) em 1932. Era um movimento ultranacionalista xenófobo com inspiração no Fascismo Italiano, que de direita nada tinha, pois pregava o autoritarismo, controle econômico pelo Estado e a centralização do poder.

Era um movimento constitucionalista que combatia tanto o liberalismo econômico, como o comunismo. Centrado na hierarquia e na concentração de poder no Estado. Contou com mais de 1 milhão de afiliados.

Como toda a ação, leva a uma reação, o antifascismo levou à criação da Aliança Nacional Libertadora, com um programa de cinco pontos fundamentais: governo popular, amplas liberdades, distribuição de terras de latifúndios entre os camponeses e proteção aos pequenos e médios proprietários, nacionalização das empresas estrangeiras e cancelamento unilateral da dívida externa, ou seja, um programa de extrema esquerda com características autoritárias e ditatoriais.

 

Seus principais afiliados eram estudantes, militares, intelectuais e integrantes das classes médias urbanas. Os sindicatos e os proletários, público alvo do Partido Comunista Brasileiro não aderiram ao programa.

Tal fato tornou a ANL a parceira perfeita para um golpe de Estado, principalmente quando o estudante Carlos Lacerda propôs o nome de Prestes para presidente de honra da ANL, o que foi aceito de pronto, em meados de 1935.

Os principais obstáculos que impediam a implantação do comunismo no Brasil, da década de 1930, eram os latifundiários (oligarcas) e o governo autoritário de Vargas (chamado de imperialista). Era preciso destruir esses dois pilares.

Hoje, os principais obstáculos para a tomada de PODER incitada por Lula e seus companheiros, são: a governabilidade e a informação. É preciso destruir esses dois pilares. O terreno a ser conquistado não é mais a terra, mas a consciência dos brasileiros.

Para dar prosseguimento ao plano macabro de tomada do PODER pela força, Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, que havia entrado secretamente no país, viera dirigir pessoalmente a conspiração, marcando o levante para 27 de novembro 1935.

A ANL se aliara ao PCB e deixava de ser um movimento popular, para dar espaço a um putsch a ser executado pelos seus quadros militares, que representavam uma fração insignificante dos efetivos das Forças Armadas do país.

Outro motivo que explica as recentes declarações de Lula, no intuito de se aproximar dos militares. Assim como em 1935, ele consegue a adesão de uma parte insignificante das Forças Armadas.

Os movimentos sociais, como MST e MTST, e sindicatos como CUT, são vez por outra incitados à violência e a “pegar em armas para resistir”, isso poderia transformá-los em braços armados revolucionários, como foi com a ANL.

Já na conquista do terreno “informacional” são necessárias outras armas. Em 1935, as armas eram jornais e panfletos impressos em papel, que precisavam ser disseminados a todos os brasileiros. Hoje, ao alcance da mão, o brasileiro tem centenas de milhares de jornais e panfletos, o que lhe dá uma consciência política diferente daquela época.

Tanto os antecedentes quanto as forças políticas, de ontem e de hoje, nos remetem a uma similaridade dos preparativos para a tomada do PODER, tanto em 1935 quanto em 2019.

Continua…

 

Perdeu o artigo anterior? Acesse-o facilmente através do link abaixo:

Parte I

 

 

Clynson, para Vida Destra, 25/11/2020.
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Nunes
Admin
3 meses atrás

Parabéns pela série. Realmente está bom demais aprendermos sobre uma parte da história.

Sander Souza
Editor
3 meses atrás

Muito bom! Lido e devidamente compartilhado!

Edna
Edna
3 meses atrás

🙋Lendo e aprendendo.
Parabéns!!

Welton Reis
3 meses atrás

Ótimo! A similaridade é evidente, seria uma armadilha proposital?