Se existe algo que estraga um relacionamento é a falta de fidelidade e lealdade. Pois é isso que parece estar acontecendo com Regina Duarte, a “namoradinha do Brasil”, na Secretaria da Cultura, revelando que o namoro está em crise e chegando ao seu final.

Eu fui um dos que festejaram a ida dela para a pasta, pois desde que ela se manifestou contra Lula, passei a vê-la como uma aliada do pensamento conservador. Mas acho que me enganei. Depois das demissões de aliados do bolsonarismo, antes mesmo da posse, com substituições por gente mais alinhada com o extremismo de esquerda, um sinal de alerta se acendeu.

Ainda tentei dar um desconto, imaginando que ela estava entendendo que era preciso equilibrar forças na cultura, uma área tradicionalmente infestada de esquerdistas e que foi, por essa razão, fortemente aparelhada nas últimas décadas. Achei que ela precisava de “um tempo” para “colocar a casa em ordem”, mostrando que não seria a algoz dos antigos e notórios esquerdistas. Imaginei até que era uma estratégia sensata, uma tentativa se ser aprovada, já que a aceitação do convite para o cargo provocara forte reação negativa por parte classe artística em geral. Só que, ao que tudo indica, não era estratégia, mas falta de habilidade mesmo.

Em outro artigo que escrevi, comentei que seria preciso conferir se Regina Duarte estava ou não preparada para o carrgo. Relembrem: https://vidadestra.org/renascimento-de-uma-paixao/

Porém, após a posse, ela concedeu uma entrevista exclusiva para – imaginem – justamente a Globo, notória oposicionista ao governo. Teria sido melhor se tivesse feito uma coletiva, aguardando a pasta “deslanchar” para, só então, conceder exclusivas. Mais uma vez, não pegou bem, é claro.

Agora, nos chega a notícia que ela nomeou Maria do Carmo Brant de Carvalho para a Secretaria da Diversidade. E, todo mundo sabe, Maria do Carmo foi secretária de Assistência Social no governo de Dilma Rousseff. A nomeação foi anulada, de imediato, pelo Ministro da Casa Civil, Walter Souza Braga Neto, conforme publicação hoje no Diário Oficial.

Enfim, caros leitores, Regina Duarte pode até ser bem intencionada. Porém, para ocupar um cargo tão vulnerável quanto a pasta da Cultura, é preciso uma razoável dose de sensibilidade política, coisa que, ao que parece, ela não tem. E ainda que ela não tenha cometido nenhuma infidelidade ou deslealdade no sentido estrito, tem mostrado que não está à altura do cargo, pois não basta afirmar que apóia as manifestações programadas para o próximo dia 15/03 para estar alinhada ao governo.

Ter sido desautorizada numa nomeação, demonstra que ela não efetuou as devidas consultas antecipadamente e que também não se preocupou em saber se isso iria desagradar a ala que não admite colaboradores que não estejam estritamente alinhados com o governo. Isso teria sido fundamental. Foi um erro quase imperdoável.

Imagino que ela agora vai entrar numa fritura, ainda em fogo brando, e que a saída dela da pasta seja apenas uma questão de tempo.

Enfim, eu estava errado ao pensar que Regina Duarte à frente da Cultura seria uma boa. Hoje, creio que ela se transformou mais num problema que numa solução.

Laerte A. Ferraz para Vida Destra 10/03/2020.

Sigam-me no Twitter! @ferrazlaerte

Laerte A. Ferraz
Acompanhe me
Últimos posts por Laerte A. Ferraz (exibir todos)
Subscribe
Notify of
guest
21 Comentários
mais antigos
mais novos mais votados
Inline Feedbacks
View all comments
Reginaldo Belo de Brito
3 meses atrás

Tem razão, Laerte!
Na melhor das hipóteses, faltaram jogo de cintura e sensibilidade.
Não começou bem.

Marcia Fernanda Gomes da Silva Vieira
Marcia Fernanda Gomes da Silva Vieira
Reply to  Reginaldo Belo de Brito
3 meses atrás

Prezado Laerte não preciso acrescentar mais nada, apenas assinar, o seu excelente texto!
Parabéns!

Marco Aurélio de Mesquita Ferreira
Marco Aurélio de Mesquita Ferreira
3 meses atrás

Certíssimo meu caro Laerte! Não há mais o que esperar da Regina Duarte! Já, demonstrou não estar adequada ao perfil de secretária da Cultura. Bom seria que ela percebesse e, saísse espontaneamente!
Nós entenderemos!

Orlando Reis
Orlando Reis
3 meses atrás

Perfeita a sua análise caro amigo Laerte.
A pasta da cultura é estratégica demais para o futuro do país como nação livre, democrática e soberana. Por intermédio da cultura a esquerda dominou e doutrinou mentes para formar suas milícias. O trabalho é árduo a limpeza mandatória e isso exige pessoas comprometidas 100’/. com o PR Bolsonaro antes de mais nada!

Marcus Almeida
Marcus Almeida
3 meses atrás

Ela se for sabia e usar seu carisma ainda pode reverter esse quadro se declarando conservadora e agindo como tal. Se não se alinhar com o movimento conservador e melhor que peça para sair

Margarete Ferreira
Margarete Ferreira
3 meses atrás

Tive confiança que seria capaz, mas, se é estratégia e não estamos entendo, quando fará sentido?!

Marli Soares Nunes
Marli Soares Nunes
3 meses atrás

Assino embaixo Caro Laerte … Tomara ki haja Divorcio imediato SEM conciliacao … Afinal o Capitao foi taaao irredutivel c/ a “escorregada” do Roberto Alvim ki JA tinha escolhido a nata SEM qq esquerdoPATA na Equipe hegemonica e ela xegou e demitiu geeeral … E o + grave SO arrebanhou os(as) + vermelhinhos(as) da area … #VADERETROMAFIAVERMELHA #ASSIMSEJA !!! Ja demorou …

Giovany Maximo
Giovany Maximo
3 meses atrás

Qualquer vaga de trabalho nesse governo, deve se fazer um devassa na vida pregressa do postulante. Não basta ser honesto, têm que parecer honesto. Não pode ter a ‘ficha suja’, e muito menos dizer que comeu molusco no jantar de ontem.

Gérson Moreira Pinto Filho
Gérson Moreira Pinto Filho
3 meses atrás

PERFEITO! Infelizmente ela tb me enganou. Concordo com tudo!

Ana Serra
Ana Serra
3 meses atrás

É nós chamar, os aliados, de facção!
Tchau querida urgente

Carmen
Carmen
3 meses atrás

A mim nunca enganou,véu sempre vi com muita preocupação sua nomeação para secretaria da cultura falei várias vezes para meus filhos que não confiava nela… é do mesmo uma questão de tempo pra ela sair fora…não me engano com sorriso fácil