“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”

Martin Luther King Jr

 

Neste 1º de maio de 2021, muitos brasileiros foram às ruas em apoio à Bolsonaro, ao voto auditável e contra as arbitrariedades e violações constitucionais que vêm ocorrendo. Houve mais manifestantes do que políticos e ministros do STF gostariam. Porém, menos do que seria necessário para eles se sentirem intimidados a abandonar as ações visando destituir o Presidente para recuperar o Executivo e restaurar o Presidencialismo de Coalizão.

Para que eles abandonem as iniciativas antidemocráticas, faz-se necessário mais gente nas ruas e maior engajamento nas redes sociais. Contudo, isso seria suficiente? Polícias militares e guardas municipais permitirão? Promotores, juízes e STF não proibirão manifestações em nome da siênçia? Por quê não cometeriam mais arbitrariedades do que já estão cometendo? Quem os impediria de aumentar a censura e a repressão para garantir seus objetivos?

O povo precisa, sim, ir para as ruas. Porém, movimentos acéfalos, ou com lideranças incompetentes, fracassam e são subjugados por não conseguirem coordenar ações efetivas.

E onde estão nossas lideranças na sociedade civil?

Simplesmente, não as temos. Há, sim, manifestações isoladas, mas longe de conformarem ações coordenadas e sinérgicas em defesa das liberdades individuais e da democracia. E de onde deveriam surgir? Logicamente, o protagonismo deveria brotar dos segmentos com maior responsabilidade legal e funcional relacionadas ao problema, qual seja, um golpe de estado disfarçado pela pandemia.

Nesse sentido, juristas têm maior parcela de responsabilidade, pois há flagrante subversão da ordem jurídica brasileira que ameaça a democracia. Os direitos individuais perderam validade e a Federação foi transformada em confederação.  Assim sendo, por quê advogados, promotores, procuradores e juízes nada fazem, salvo manifestações e decisões isoladas? A maioria deles é honesta e séria. Por quê ainda não se uniram para exigir o retorno à normalidade democrática?

Na saúde, políticos, juristas e imprensa ditam protocolos para a Covid e perseguem médicos que não os cumprem. Por quê os médicos de respeito não defendem o livre exercício da profissão? Por quê não vão à Justiça para condenar o exercício ilegal da Medicina, conforme estão fazendo os atores anteriormente citados? Por quê o Conselho Federal de Medicina não exige respeito às suas competências para fiscalizar e normatizar a prática médica no Brasil?

No que tange a pesquisas científicas, foram lacradas pelos mesmos que o fizeram com os médicos, e por motivos idênticos. Não se abre espaço para a divulgação e adoção de protocolos profiláticos e/ou precoces que deram certo em muitas cidades do Brasil. Tampouco para pesquisadores que demonstram a efetividade disso e a não efetividade dos lockdowns.  Por quê não se unem para divulgar seus resultados e exigir respeito à verdadeira Ciência?

Os lockdowns, por sua vez, arrasaram com o setor de serviços, principalmente comércio, bares, hotéis e restaurantes, causando milhares de falências e extinguindo centenas de milhares de empregos. As empresas desses setores são muito fortes e empregam muito. Por quê, então, seus proprietários e empregados não se manifestam nas redes, nas ruas e na Justiça, para que as soluções de governadores e prefeitos não causem danos irreparáveis? Por quê ficam tão quietos?

A imprensa, por sua vez, está desempenhando um papel deliberadamente nefasto, pois censura e desinforma diuturnamente. Mas, ainda podemos contar com alguns poucos, muito poucos, porém muito bons jornalistas que fazem a diferença. Entretanto, em função do crucial momento em que vive o País, seria mais produtivo se eles se unissem no sentido de neutralizar a imprensa criminosa. Não poderiam eles pactuar uma frente em defesa da verdade e da liberdade de imprensa?

Mas as responsabilidades estariam somente nos ombros de lideranças civis? E os militares?

Forças Armadas são órgãos de Estado, não podem se lançar ao ativismo político. Mas isso se aplica a situações de normalidade e vivemos uma anarquia institucional promovida por Legislativo e STF. As instituições e liberdades democráticas estão sob ameaça. Estaria o garantismo legal castrense compatível a essa realidade? Não deveriam os militares se posicionar, claramente em defesa dos brasileiros, sob pena de omissão?

E o Presidente? Já não fomos às ruas e demonstramos nosso apoio? O que ele fará agora?

Não há como deixar tudo nas costas de um só líder, salvo o aclamemos ditador. Por imprescindíveis que sejam manifestações como a deste 1º de maio, elas, de per si, são insuficientes para reverter o golpe em andamento. Este se baseia na afronta e no desrespeito à vontade popular, à Constituição e às Instituições. Eles terão que ser forçados a retroceder, mas a forma de fazê-lo deve emanar do conjunto da sociedade, instrumentalizada por lideranças dos setores já comentados, pelo menos.

Nossa grande fraqueza é a inação descoordenada.  Sempre alguém tem que fazer alguma coisa, nunca temos que fazer alguma coisa. Reclamamos do comodismo do povo, como se personalidade jurídica tivesse, mas não nos articulamos para as coisas acontecerem. É mais confortável, e mais seguro, esperar que alguém faça para nos beneficiarmos depois. Ledo engano, pois, se ninguém fizer, o prejuízo será incalculável.  Nos transformarão em Venezuela.

Na crise econômico-político-institucional em que vivemos, ao povo só resta recorrer ao Executivo Federal. Exauriu-se a possibilidade de soluções institucionais. A reação democrática, portanto, exige coordenação entre a Presidência da República, lideranças civis e manifestações populares em apoio às demandas objetivando reestabelecer a ordem jurídica e institucional subvertida nos últimos anos. E isso com vistas ao saneamento dos sistemas político, eleitoral e judiciário brasileiros.

Essa reação deve ser coordenada e não apenas sugerida pelo Presidente, como foi o eu autorizo presidente. Dele deve partir a mobilização de lideranças civis para que apresentem ao Congresso e ao STF, de forma peremptória, as demandas da sociedade. E também dele deve partir a garantia de que o Poder Executivo não mais tolerará arbitrariedades contra direitos individuais como as que vêm sendo perpetradas por prefeitos, governadores e ministros do STF.

Dessa forma, lideranças civis, manifestantes e Governo se apoiarão mutuamente e catalisarão a força necessária para tirar o País do caos em que se encontra. Mas, é preciso que as lideranças, todas elas, mostrem suas caras e cumpram o papel que lhes é destinado numa democracia, pois o povo já fez sua parte, foi para as ruas e parece que lá permanecerá.

Está na hora de os bons abandonarem seu silêncio para que o grito dos maus seja sufocado.

Nota: outros artigos de minha autoria que se relacionam com o tema deste e embasam análises podem ser acessados neste link!

 

 

Fábio Sahm Paggiaro, para Vida Destra, 06/05/2021.                                                Sigam-me no Twitter! Vamos debater o tema! @FPaggiaro

 

Crédito da Imagem: Luiz Jacoby @LuizJacoby

 

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Dieter Kuhr
Dieter Kuhr
4 meses atrás

Boa!

Günter
Günter
4 meses atrás

Mais uma brilhante reflexão sobre os tempos delicados e perigosos que vivenciamos. Uma realidade bizarra que sangra o país, sua gente, suas finanças. Realidade criada, fabricada, piorada pelos abutres no poder, sob o manto conveniente da pandemia. Claramente para eles vidas não importam. Minha vida para esse sistema não importa. E você lança luz sobre um aspecto fundamental, quando afirma que medidas normais se aplicam a tempos normais. O que é normal hoje? Se os bons precisam quebrar o barulho ensurdecedor do seu silêncio é porque quase nada mais é normal. E um movimento muito perigoso, absolutamente anormal, está se… Read more »

Luiz Antonio Santa Ritta
4 meses atrás

Nesta indagação de @FPaggiaro em que indaga onde estão as lideranças brasileiras, posso dizer, com certeza, que inexiste. Como o próprio professor Olavo de Carvalho disse, levarão décadas p/combater a revolução cultural que preencheu nossas Universidades com doutrinação ideológica, acabar com o Forum de São Paulo e extirpar esta imprensa podre.