Era um dia como outro qualquer. Sentei-me no banco da praça central, onde havia um parque, uma fonte, uma catedral. Ali sentia a brisa gelada do inverno que vez por outra tocava umas folhas amareladas que ainda insistiam bravamente antes de cair. Ouvi o trinar dos pássaros, a algazarra da meninada. Alguns corriam, outros pulavam cordas. Dava pra ver uma jovem que estava sentada embaixo dos galhos secos de uma árvore, lendo um livro…Eu tentei, mas não dava pra ver a capa. A concentração na leitura parecia emocionante, pois vez ou outra ela tirava um lenço da bolsa e secava as lágrimas.
Enquanto meus olhos percorriam o parque, deti-me a olhar uma garotinha que não tinha muita idade…maltrapilha, rosto sujo, cabelos emaranhados olhando atentamente para um monumento à Giovanni Duprè.
Enquanto observava a escultura bem trabalhada, a garota parecia não se conformar com sua aparência olhando seu reflexo nas águas frias da fonte. Passou as mãozinhas nos cabelos, olhou para suas roupas e saiu correndo dali. Por um instante pensei que não a veria mais…
Logo ela voltou com alguma coisa nas mãos. Um sabonete, talvez…
Esfregou o rosto. Enxaguou rapidamente com a água da fonte. Secou.
Acho que carregava consigo um pente ou só ajeitou a cabeleira com as mãos mesmo. De algum jeito, a habilidade feminina se fez valer, pois ela conseguiu prender toda aquela cabeleira num ‘coque’.
O mais intrigante é que a cada movimento que fazia. olhava para seu reflexo e para a estátua à sua frente.
Finalmente, parecia satisfeita.
Saiu dali, chamando o nome de alguém…
Outra garota que brincava no balanço olhou pra ela surpresa.
Pulou do balanço. Chegaram à fonte.
A garota, agora toda ‘arrumada’ disse orgulhosa…
“Não falei que eu ia ficar igualzinha a ela?”
A amiga confirmou.
“Quer ficar bonita também?”
A serelepe companheira fez o mesmo ritual orientado pela experiente amiga. Assim, agora, sentiram-se felizes. Entre risos e tagarelices as duas, segundo elas, se pareciam com a gigantesca escultura.
Perdi-me entre suspiros…
Contemplação…
O que tenho contemplado? Tive sucesso?
E você?
Sonhou…mas se acomodou porque não se sentir capaz de realizá-lo?
Encontrou sentido e satisfação nas pequenas coisas como um simples cumprimento, um sorriso?
Sabe…
A vida é tão simples, tão bonita, tão breve.
Quando as perdas acontecem é como as folhas das árvores que caem…não tem volta…
É provável que não tenha sido um ano fácil.
Mas você pode contemplar algo melhor agora.
Esteja perto de pessoas que lhe fazem sentir-se bem, melhor que ontem. Ame-as. Sorria com elas. Chore, se necessário. Esteja disponível.
Pessoas egoístas são inúteis e não sabem receber nada de bom da vida.
Perdoe-se. Ninguém é prefeito. Peça perdão. Esqueça. Respeite seus limites. Não remoa erros e fracassos. Esteja aberto à mudanças.
Pode parecer um clichê qualquer, mas a oportunidade de mudar é agora.
Você pode fazer planos para um ano inteiro. Mas, há apenas um sopro de cada vez.
A vida é feita de preciosos momentos. Alguns são bons e tantos outros são desesperadores. Mas é isso que moldará suas decisões. Faça reflexões diárias. Sempre há o que mudar.
(…)
Nossa! A hora voou!
As badaladas do sino me despertaram de meus pensamentos…
As garotas foram embora, satisfeitas…o parque silenciou…
O dia acabou…
Preciso ir…
Mas, lembre-se:
“Selecione o que contemplará e a vida será mais leve”.
Feliz agora Novo!

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