Entre os anos 80 e 90, a Legião Urbana, liderada por Renato Russo, compunha letras cujas aberturas alcançavam todas as classes e esferas. Graças ao meu senso individual, ao passo em que me tornei fã da banda, pude interpretar com maior zelo e precaução o que o grupo tentava nos dizer. E foi na composição da música cujo título está no enunciado, pela qual tenho grande apresso, que encontrei uma relação com a transformação secular pela qual temos atravessado.

Em um dos trechos da canção, Renato diz: quase acreditei na sua promessa e o que vejo é fome e destruição. À época, associavam a frase ao governo Collor, mas, cá entre nós, podemos associá-la, também, aos governos petistas, afinal, ainda que seus comandantes vangloriem o evidente aumento do nosso poder de compra, se esquecem da explícita consequência do estímulo desenfreado anestesiado na sociedade brasileira para acelerar uma suposta economia emergente. O fato estabelecido é que nos deparamos, neste momento, com o recuo da chamada “nova classe média” e retorno da velha “classe C”, aquela que carece de necessidades básicas, especialmente na região Nordeste, reduto eleitoral da alienação esquerdista e terreno fértil para a proliferação mantenedora das práticas pseudo-igualitárias.

Em seguida, após alguma beleza instrumental, a música sugere “o sopro do dragão”, em alusão ao acorde sonoro metafórico e, numa dualidade de contexto, ao povo disperso sobre seus inimigos e pronto para lançar a espada (metal) sob os céus (contra as nuvens) para declarar-lhes guerra. A partir daí, devo admitir, o arrepio é instantâneo e a sede de justiça orgânica, contrariando a lógica compulsória dos discursos complacentes do establishment e dando vazão à revolução de fato.

Contudo, foi trazendo este paradoxo, de foro íntimo e agora conhecimento público, que busco inspirá-los, leitores, a lutar, a mudar, a desafiar, mesmo aos nossos pensamentos menos permeáveis, mesmo ao senso comum que nos cerca, principalmente ao futuro que somente vocês podem modificar, seja sendo situação ou na condição de eventual oposição.

Para concluir, vamos ao cliffhanger da letra: “E nossa história não estará pelo avesso, assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar. Até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás, apenas começamos. O mundo começa agora, apenas começamos”.

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