Alguns amigos vieram me perguntar por que eu intitulei minha coluna como “O Mosquito”. Garanto a todos que não é por causa do “Aedes Aegipty” (que veio da África nos navios negreiros, a partir do século XVI). Mas talvez eu possa ser considerado como o “Haemagogus” (mosquito autócne destes país).

Na verdade, é por conta de Cândido Aragonez de Faria (12/08/1849☼ – 17/12191 ), ou simplestente, Faria. Foi um grande jornalista, professor, caricaturista e ilustrador brasileiro, fundou no Rio de Janeiro o periódico “O Mosquito”, que é descrito nos “Anais da Biblioteca Nacional” conforme foto e imagem de trecho de texto anexadas nesta matéria.

Esse jornal, conforme descrito, era realmente crítico e ácido, de tendência liberal, tanto que foi combatido pelas publicações mais conservadoras. Circulou entre 19 de setembro de 1869 até 24 de maio de 1877, no Rio de Janeiro.

As charges de Faria eram um primor de elegância e detalhes, verdadeiras obras de arte. E é esse o ponto em que me identifico com ele: gosto de fazer um belo texto, às vezes um tanto rebuscado, no estilo desses desenhos, considero-me de tendência liberal (não sou ultraliberal, embora goste muito de Ludwig Von Mises; confesso que meu grande ídolo em Economia é Schumpeter). Por isso, em minha coluna, proponho-me a uma análise liberal (tomando posição sim!), diante dessa horda socialista gramsciana que infesta os meios jornalísticos e acadêmicos do Brasil. Então, muito prazer, eu sou “O Mosquito”!

Continuando, é interessante que lembremos agora de Trotsky. Para imensa sorte de todos, há uma série, no canal NetFlix (e creio que em outros, não tenho certeza), justamente sobre esse personagem histórico, que pode ser muito valiosa para ilustração de quem não o conhece – assistam! Leon Trotsky (7/11/1879 – 21/08/1949) foi um pensador marxista e revolucionário bolchevique, o organizador do Exército Vermelho (exército da antiga URSS), que teve o fatídico azar na vida de disputar poder político contra Josef Stalin.Trotsky era contra a burocratização que Stalin implantara na extinta URSS – em crítica a isso, disse: “Em um país cujo único empregador é o Estado, oposição significa morte por fome. O velho princípio daquele que não trabalha não deve comer, foi substituído por um novo: aquele que não obedece não deve comer”. Claro, Stalin conseguiu afastá-lo do controle do Partido Socialista, e o expulsou da (hoje inexistente) URSS, tendo Trotsky se exilado no México, onde foi assassinado por um agente da polícia stalinista.

Daí, identifiquei uma estranha semelhança de Trotsky com Octávio Guedes – sim, você sabe quem é este, o da Globo! Pesquisando por cima a vida de Guedes, descobri que ele se formou na Universidade Federal Fluminense. Encontrei um Prêmio Esso de Jornalismo, em 2006, a respeito de uma matéria sobre sem-terras. Por isso, e pelo teor de suas demais matérias e postagens na internet, fica claro que Octávio Guedes é um homem de esquerda, no mínimo antipático ao governo atual. Isso ficará mais claro adiante, neste mesmo artigo. Olhando as fotos, pode-se dizer que há uma semelhança, pelo menos no estilo.

Daí então, chegamos à “gens du Roi”. Em francês, literalmente, “homens do Rei”. No “Ancien Régime” da França, eram assim denominados os funcionários do Rei, que cuidavam de sua incolumidade, isto é, os homens que defendiam o Rei da França nas querelas e contendas, jurídicas e físicas, que se apresentavam ao longo de um reinado. Esse corpo de funcionários é a origem histórica do Ministério Público, que também temos no Brasil – outra coisa que todo mundo sabe.

A “gens du Roi”, ou vamos chamar de MP, simplesmente, é um órgão público independente dos 3 Poderes. Como eu disse em artigo anterior, sua principal função é ser “custos legis”, o “guardião da Lei”, o corpo que cuida da observância da legalidade (veja-se o artigo “O que aguardar quanto a Flávio Bolsonaro”, nesta mesma coluna).

Bom, “guardião da Lei”, assim pode ser na França, porque neste país, parece infelizmente que não.

Ao Ministério Público cabe acusar os envolvidos em atividades ilícitas, penais ou civis. Aqui no Brasil, em uma interpretação bastante extensiva da Constituição, o STF reconheceu ao Ministério Público o poder de investigar, mas estabeleceu limites, quais sejam:

  1. Devem ser respeitados os direitos e garantias fundamentais dos investigados;
  2. Devem ser observadas as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição, ou seja, determinadas diligências somente podem ser autorizadas pelo Poder Judiciário nos casos em que a CF/88 assim exigir (ex: quebra de sigilo bancário);
  3. Deve ser assegurada a garantia prevista na Súmula Vinculante 14 do STF (“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”);
  4. A investigação deve ser realizada dentro de prazo razoável;
  5. Os atos de investigação conduzidos pelo MP estão sujeitos ao permanente controle do Poder Judiciário.

Nenhum desses limites foi respeitado no caso que envolveu Flávio Bolsonaro!

O Ilustríssimo representante do Ministério Público no Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) se chama José Eduardo Ciotola Gussem, ou simplesmente, Eduardo Gussem. Ele é “gens du Roi”.

Conforme mesmo artigo anterior, sabemos que o MPRJ iniciou uma investigação, há mais de um ano, a respeito de desvios financeiros na ALERJ, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Só por este dado, percebe-se que essa investigação vem levando muito mais tempo do que aquele que poderia ser considerado como “prazo razoável”. Sabe-se também que nessa investigação, que está virando uma patacoada, houve uma quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial, em face de uma pessoa que sequer era investigada no procedimento específico. Isso, viola o art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal. E mais: conforme estabelecido no artigo 10 da LCp 105/2001, é CRIME violar sigilo bancário sem prévia autorização judicial. Além disso, é CRIME vazar esses dados, conforme artigo 153 do Código Penal.

Então, nos deparamos com uma cena realmente mimosa: Guedes e Gussem, juntinhos em um pub (Lorenzo Bistrô), obviamente trabalhando em cima de documentos. Não me digam que eram palavras cruzadas! É aí que o Mosquito pica Trotsky e “gens du Roi”: o Brasil inteiro quer saber o quê que eles estavam fazendo ali!

Os indícios apontam solidamente para um momento de troca de informações entre Guedes e Gussem. Quando datamos a foto, há informações, também, de que foi em 18 de janeiro de 2019. Pela foto, verifica-se que ainda era dia, ou pela manhã ou à tarde, supomos que tenha sido na hora do almoço. Ora, na noite daquele mesmo dia 18 de janeiro, por volta de 21:00 h, o Jornal Nacional divulga a série de depósitos que totalizavam R$ 96.000,00 (noventa e seis mil reais), na conta de Flávio Bolsonaro.

Se não houver conexão entre esses fatos, entre esse encontro privado em um Bistrô e a divulgação de dados no Jornal Nacional da mesma noite, pode-se jogar fora todo os manuais de investigação policial e judiciária no mundo.

É o óbvio e ululante concluir que Gussem e Guedes se encontraram, e o digníssimo representante do “Parquet” mostrou a Guedes os dados obtidos na quebra de sigilo bancário ilegal de Flávio.

A respeito disso, um eminente jornalista chegou a dizer que “poderia se tratar de uma entrevista”. Ora, por sua função pública e por ser “guardião da Lei”, não caberia jamais ao MPRJ conceder entrevistas fechadas, a membros da imprensa. Tais entrevistas, no mínimo, deveriam ser abertas e documentadas, em ambientes mais republicanos do que um bistrô!

Depois que essas fotos foram divulgadas, as suspeitas da população cresceram: parece mesmo haver um conluio, seletivo e premeditado, envolvendo a Rede Globo e o MPRJ, para atingir determinadas pessoas, mormente o filho do Presidente da República. E pergunto: será mesmo uma tentativa de desestabilizar o atual governo?

Daí veio o ridículo absoluto: em entrevista apresentada no “Estúdio i”, do canal Globonews, Octávio Guedes gaguejou, perdeu a linha, ficou nervoso, tentando explicar o inexplicável, mas admitiu que houve o encontro com Gussem.

Em qualquer país sério, tudo isso seria objeto de uma profunda investigação. Mais grave fica ainda o caso, quando consideramos que a investigação corre sob sigilo de Justiça. Uma vez demonstrado que naquele bistrô houve a transmissão desses dados, do MPRJ para a Globo, a situação do representante do “Parquet” se torna ainda pior, eis que pode se caracterizar aí a prevaricação, a quebra de dever de ofício pelo servidor público.

O órgão competente para apurar tais delitos será a Polícia Federal. De quem esperamos providências. O Mosquito picou!

Fábio Talhari

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2 Comentários

  1. Como eleitor de Bolsonaro, sinto dizer que na época em que se descortinou as evidentes organizações criminosas do PT, documentos e provas foram expostos à larga nos veículos de imprensa.
    Não vi nenhum mata mosquito, mata borrão e nem mesmo aquela máquina de eletrocutar Aedes reclamar do acesso irrestrito que tínhamos.
    Lei ou justiça?
    Prefiro nesse momento a segunda
    Não vamos como os Ptistas começar a criar porcos.
    Vamos matar os .mosquitos.

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