Para dar início ao contexto, vamos direto ao ponto: qual é, afinal, o papel da imprensa na política e sociedade?

 

A partir dessa problemática, há um pressuposto de que a imprensa – e conglomerados – devem corroborar para a garantia da informação, a proteção dos fatos e o respeito às livres manifestações, o que, em suma, são direitos pétreos garantidos pelo artigo 5° da Constituição Federal. No entanto, exauridas as definições e admitas as funções inerentes, discute-se o limite do que se informa, se manifesta e se defende.

Peguemos, por exemplo, o atual cenário político brasileiro com a contrapartida da resposta popular: em 2018, como nunca antes, o fundamentalismo ideológico da grande mídia, especialmente de um veículo específico, nos assustou.

A Folha de São Paulo, do grupo UOL, cumpriu papel de militante. E o fez de forma explícita, seja no direcionamento de suas críticas restritas à um lado, tal como, não obstante, no ênfase dado aos montes de acusações elaboradas e sem peças que a justificassem contra o lado em questão. Tornou-se, portanto, uma espécie de sigla da chapa petista, escolhendo-a como preferência, e pior, explicitando essa opção. É sabido que devemos entender o exercício do jornalismo como aquele responsável por esclarecer as situações para elucidar as circunstâncias e permitir aos leitores, ouvintes e telespectadores, o livre acesso ao conteúdo e o direito de discernimento sobre as notícias trazidas.

Neste caso, porém, não são dois pesos e duas medidas, mas um peso e duas medidas. O peso do que se noticia compete ao editorial da empresa em questão, mas as medidas conseguintes independem do balanço acerca da informação.

Às vésperas da decisão nas urnas, o veículo mencionado trouxe como apelação jornalística uma grave acusação contra o presidente eleito, Jair Bolsonaro, e supostos crimes de CAIXA 2, mas, despreocupada com o conteúdo postado e presa na parcialidade em outrora arraigada, a Folha esqueceu de um princípio fundamental enquanto imprensa: trazer indícios que ensejassem, eventualmente, provas. Ela simplesmente acusou. Ela subitamente atacou.

E ela, erroneamente, não soube manter implícita sua função no establishment, escancarou suas posições e descumpriu sua obrigação de imparcialidade.

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